Realizou-se na sede da Universidade de Caxias do Sul (UCS), de 24 a 28 de julho de 2006. O GT de História Cultural-RS ofereceu 4 simpósios temáticos, cujas súmulas encontram-se abaixo


1- TÍTULO: NARRATIVAS E IMAGENS DA CIDADE: MEMÓRIAS DA VIOLÊNCIA
COORDENADORES: DRA. SANDRA JATAHY PESAVENTO (PPGH/UFRGS) E DR. CHARLES MONTEIRO (PPGH/PUCRS).
EMENTA: Da narrativa bíblica à Guerra do Iraque, passando pelo mito de fundação de Roma, as cidades parecem ter sido marcadas pelo signo da violência, do conflito, da discórdia. A cidade pode ser entendida como o lugar por excelência de produção da cultura, da arte, da inovação, das novas formas de interação social, da civilização (Schorske, 1963). Ou ainda, na posição de Baudelaire em Petits Poemes en Prose, amoral, ou seja, para além do bem e do mal. É a problemática da violência, profundamente humana e instauradora da ordem e de um imaginário social muito forte sobre a cidade, que se propõe discutir à luz da História Cultural. Os processos de segregação social das classes populares promovidos por reformas urbanas e planos diretores, as demolições de espaços ligados com as experiências sociais do passado num processo contínuo de criação e destruição marcam a dinâmica da construção social da cidade. Ao revisitar espaços e atores sociais, refletindo sobre suas razões e seus sentimentos, pretende-se problematizar as práticas e as representações da violência através da história abordando as memórias dos diferentes grupos sociais sobre o urbano expressas em narrativas e imagens.

2- TÍTULO: IMAGEM E SENSIBILIDADE: A VIOLÊNCIA SIMBÓLICA ATRAVÉS DAS ARTES, LITERATURA E ESTÉTICA
COORDENADORAS: DRA. CLÁUDIA MUSA FAY (PUCRS) E DRA. NÁDIA MARIA WEBER SANTOS (FEEVALE/RS)
EMENTA: Ao refletirmos sobre o significado histórico da violência a partir de um olhar contemporâneo, não podemos deixar de encarar seu significado simbólico. A noção de símbolo, representação imagética e sensível, presente nas mais variadas expressões da humanidade, é fundamental para que possamos compreender a forma com que estas surgem. Tornar visível o invisível, através de um aparato simbólico e sensível, num processo pleno de significado, é uma das principais características das artes, nas suas mais variadas expressões, da literatura e da estética, guardando as devidas especificidades de cada um de seus campos de atuação e reflexão. Colocar emoções, sentimentos, pensamentos, enfim, sensibilidades de toda ordem, em imagens, seja qual for sua linguagem - plástica, corporal, musical, linguagem escrita, fotografada e filmada - e narrativa, significa também um processo [em imagem] de criar, dar forma, aos conteúdos que, por serem inconscientes e indizíveis de outra forma, clamam por aparecer na consciência. Pensar a violência sob este prisma, através de suas manifestações simbólicas e também estéticas (por exemplo, na "racionalidade" da moda em um período de guerra) - isto é, através de suas representações - nas várias sociedades e épocas, seria profícuo para compreendermos o quanto esta atitude impregnou o mais fundo da psique humana e suas manifestações, e deu origem às mais variadas fontes para interpretação deste imaginário. Se "a violência tornou-se um elemento essencialmente negativo e destruidor" no mundo contemporâneo, e "se ela pode tornar-se um elemento revelador dos estados de exceção de toda a história", é mister que ela também surja nestes campos da expressividade humana: imagens e sensibilidades, da arte, da literatura e da estética, e tenha a abordagem deste viés da história cultural para sua interpretação. Este mini-simpósio propõe-se, assim, a agregar pesquisas que discutam representações sobre violência produzidas ao longo do tempo, e que possam ser analisadas a partir de imagens e sensibilidades.

3- TÍTULO: PATRIMÔNIO IMATERIAL: PERSPECTIVAS E POSSIBILIDADES
COORDENADORAS: Me. MARLISE GIOVANAZ (ULBRA-Canoas); Me. MARA PÉRES
EMENTA: Os debates acerca do patrimônio imaterial têm-se avultado na última década, promovendo o envolvimento de vários setores da sociedade em torno da difusão e proteção de manifestações culturais representativas de memórias sociais. De acordo com a UNESCO (1993), patrimônio imaterial consiste no "conjunto das manifestações culturais, tradicionais e populares, ou seja, as criações coletivas, emanadas de uma comunidade, fundadas sobre a tradição, transmitidas oral e gestualmente, e modificadas através do tempo por um processo de recriação coletiva", incluem-se aí as línguas, as tradições orais, os costumes, a música, a dança, os ritos, entre outras. Considera-se, então, que o patrimônio imaterial designa a "porção intangível da herança cultural dos povos". Assim, o presente simpósio almeja congregar estudos de caráter acadêmico, em desenvolvimento e/ou concluídos, que versem direta ou transversalmente sobre questões relativas ao Patrimônio Imaterial, com o intuito de promover discussão a respeito: das aproximações entre história e patrimônio imaterial; da diversidade que envolve a temática, e o próprio conceito, e as implicações desta em estudos de história; das ações de preservação que vêm sendo implementadas, pelo poder público e pela iniciativa privada, tendo como norte o conceito da UNESCO e do IPHAN; dos estudos de caso, da história e de áreas afins, do ponto de vista conceitual e metodológico.

4- TÍTULO: ASSOCIATIVISMO E CULTURA POLÍTICA
COORDENADORES: DR. ADHEMAR LOURENÇO DA SILVA JR.(UFPEL) e DR. RICARDO DE AGUIAR PACHECO (COLÉGIO DE APLICAÇÃO - UFRGS)
EMENTA: O presente simpósio pretende acolher estudos concluídos ou em andamento acerca da História das formas de associação voluntária. Uma lista não exaustiva destas incluiria entidades de caridade ou filantrópicas, fraternidades e irmandades, associações culturais, educacionais ou desportivas; associações religiosas ou laicas; sindicatos e associações classistas, entre outras. Entidades desses tipos podem estabelecer uma série de práticas e representações sociais definidoras de formas de sociabilidade próprias. Independente do debate teórico e das diferentes abordagens metodológicas possíveis, subjacentes ao estudo das associações, este simpósio quer agrupar estudos sobre as entidades associativas e sua relação com a cultura política de seu tempo espaço. Desejamos reunir estudos que tenham interesse: a) pela transformação da prática associativa ao longo do tempo; b) pelas formas de sociabilidade destes espaços; b) pelas ações que transcendem seu universo interno; c) por estudos comparativos entre elas; d) pelas as ações e manifestações de caráter político destas entidades. O simpósio não prioriza marcos temporais nem espaciais porque acreditamos que a diversidade das experiências associativas que vierem a ser trabalhadas nos debates é capaz de ensejar interessantes comparações como caminho necessário para uma melhor definição dos tópicos que pretendemos debater.


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