Linhas de Pesquisa


Análise de polimorfismos de eNOS em pacientes com anemia falciforme

Lúcia Silla (Serviço de Hematologia, HCPA)
Prof. José Artur Bogo Chies (PPGGBM, UFRGS)

A anemia falciforme resulta de uma mutação pontual no gene da beta-globina, a qual origina a molécula de hemoglobina mutante HbS. Quando submetida a baixas tensões de oxigênio, a HbS polimeriza e promove a deformação dos eritrócitos. Os eritrócitos falcêmicos são mais rígidos que os normais, tendo dificuldade para atravessar vasos de pequeno calibre como artérias e capilares, e por isso acabam obstruindo o fluxo sangüíneo nestes locais. Atualmente, propõe-se que a vaso-oclusão (VO) seja o resultado da interação de eritrócitos falcêmicos, leucócitos e células endoteliais. Em nosso laboratório, testamos a hipótese que tal interação entre eritrócitos e endotélio provoca, além da vaso-oclusão, uma resposta inflamatória crônica. O óxido nítrico (NO) é produzido a partir da L-arginina pela enzima óxido nítrico sintetase (NOS), sendo utilizado como vasodilatador para manutenção de fluxo sangüíneo adequado no organismo. Os níveis de NO poderiam interferir nos processos de VO e inflamação, já que o NO interfere na adesão plaquetária e na adesão de eritrócitos ao endotélio vascular em regiões onde há reparo de vasculatura danificada, a exemplo do que ocorre devido à VO. Considerando o exposto, os objetivos deste trabalho são estabelecer a freqüência dos polimorfismos de eNOS já descritos T-786C e E298D, em um grupo de 80 pacientes com anemia falciforme, e verificar se há relação entre estes polimorfismos e o quadro clínico apresentado por estes indivíduos. O DNA dos pacientes é extraído a partir de sangue perifèrico e submetido a reações de PCR com primers específicos. Os produtos da amplificação são clivados com enzimas de restrição e os fragmentos resultantes, visualizados em gel de agarose 3% para genotipagem dos indivíduos. Resultados preliminares em 59 pacientes já genotipados, indicam uma baixa freqüência do genótipo homozigoto mutante para o polimorfismo T-786C (3,39%) e uma freqüência de 71,19% e 25,42%, respectivamente, para os genótipos TT e TC. Estas freqüências não diferem daquelas descritas na literatura em geral para indivíduos saudáveis Afro-americanos. Um aumento no número amostral, bem como a estratificação da amostra de acordo com sua origem étnica e quadro clínico, são necessários para o estabelecimento do real envolvimento destas variantes polimórficas na expressão clínica da anemia falciforme.

Análise do polimorfismo T-786C do gene da óxido nítrico sintetase endotelial em pacientes com artrite reumatóide

Ricardo Xavier (Serviço de Reumatologia, HCPA)
João Carlos Brenol (Serviço de Reumatologia, HCPA)
Prof. José Artur Bogo Chies (PPGGBM, UFRGS)

O óxido nítrico endotelial é sintetizado a partir da L-arginina pela ação da enzima óxido nítrico sintetase endotelial (eNOS) cujo gene NOS 3 encontra-se no cromossomo 7. Variantes polimórficas já foram descritas para este gene, e determinados alelos foram associados como fatores de risco para a Doença Coronariana Arterial e Esclerose Sistêmica. Entre os polimorfismos descritos para o gene da eNOS encontra-se o polimorfismo T-786C, localizado na região promotora. Esta mutação causa uma diminuição na expressão da enzima. A artrite reumatóide é uma doença auto-imune inflamatória caracterizada por um infiltrado composto principalmente de células T CD4+, plasmócitos e macrófagos no líquido sinovial. Considerando que uma síntese reduzida de óxido nítrico poderia levar a um acúmulo de alterações oxidativas, conseqüentemente predispondo ao desenvolvimento de inflamação, cabe perguntar se existe correlação entre os polimorfismos descritos para eNOS e o quadro clínico de artrite reumatóide. Cabe salientar que o óxido nítrico inibe a adesão de leucócitos, podendo apresentar efeito sobre as populações celulares que migram para o sinóvio, na artrite reumatóide. Assim, este projeto tem como objetivo investigar este polimorfismo em pacientes com artrite reumatóide. Amostras de DNA extraídas do sangue periférico de pacientes com artrite reumatóide foram submetidas à amplificação através de PCR, com primers específicos que flanqueiam a região onde é encontrado o polimorfismo. O produto do PCR foi clivado com a enzima de restrição MspI, originando fragmentos de 140pb e 40pb para o alelo T e 90, 50 e 40pb para o alelo C, os quais foram visualizados em gel de agarose 3%. Até o momento foram analisadas 44 amostras, das quais 21 se apresentaram homozigotas T/T ; 19 heterozigotas (T/C) e 4 homozigotas C/C. A freqüência dos alelos foi de 0,693 para o alelo T e 0,307 para o alelo C. Estas freqüências não diferem estatisticamente das encontradas em populações caucasóides normais, no entanto, um aumento no número amostral, bem como uma análise comparativa dos genótipos e variáveis clínicas dos pacientes com artrite reativa são necessárias para o estabelecimento da possível correlação com estas variantes alélicas.

Polimorfismos do gene de resistência a múltiplas drogas

Profa. Dra. Marion Schiengold (Depto de Genética, UFRGS)
Prof. Dr. José Artur Bogo Chies (PPGGBM, UFRGS)
Colaboração:
Dr. João Carlos Brenol (Serviço de Reumatologia, HCPA)
Dr. Ricardo Xavier (Serviço de Reumatologia, HCPA)

A glicoproteína P (Pgp) é uma proteína de transporte transmembrana envolvida na detoxificação celular e associada ao fenômeno da resistência a múltiplas drogas. Os genes que codificam a Pgp pertencem a uma família conservada detectada nos mais diversos organismos. Em humanos, são descritos dois genes desta família, MDR1 e MDR2. Diversos polimorfismos moleculares foram detectados no gene MDR1. Três deles, C1236T no éxon12, G2677T/A no éxon 21 e C3435T no éxon 26, têm sido relacionados com variações na expressão e funcionamento da Pgp, além de apresentarem freqüências diferentes em populações humanas de acordo com sua origem étnica. Encontram-se em andamento: (1) análise dos polimorfismos de MDR1 em uma amostra de pacientes com Lupus Eritematoso Sistêmico (cedida pelo Serviço de Reumatologia do HCPA), onde procura-se relacionar dados clínicos sobre o tratamento e o desenvolvimento da doença com os genótipos individuais; (2) determinação das frequencias alélicas em índios Kaingang do Rio Grande do Sul. Este é o primeiro estudo de caracteriazação de MDR1 em indígenas; (3) genotipagem de pacientes com Artrite Reumatóide - colaboração com o Laboratório de Imunologia Celular e Molecular (IPB, HSL), onde estes indivíduos estão sendo analisados quando à atividade de Pgp; e (4) caracterização de uma amostra de indíviduos euro-descendentes obtida em Porto Alegre, utilizados como grupo controle para diversos estudos.

Células tronco e terapia celular

Pedro Cesar Chagastelles (Pós-Doutorando, PPGBM UFRGS)
Tiago Dalberto (Doutorando, PPGBM)

Isabel Cristina Giehl (Mestranda, PPGBM UFRGS)
Bruno Bellagamba (Mestrando, PPGBM UFRGS)
Profa. Nance Beyer Nardi

A célula tronco mesenquimal (MSC) é encontrada primariamente na medula óssea e gera ossos, tendão, cartilagem, tecidos adiposo e muscular, estroma medular e células neurais, colocando-se assim em evidência para procedimentos de terapia celular e gênica. A MSC tem sido obtida basicamente por cultivo das células aderentes da medula óssea em placas plásticas, e sua expansão em cultura através das técnicas convencionais tem sido difícil. Temos realizado projetos envolvendo o cultivo e análise destas células, bem como transferência gênica em diferentes situações experimentais. Esta linha experimental tem fornecido informações sobre a origem e distribuição das MSCs, a expressão de marcadores de superfície e sua aplicação em terapia gênica e celular.
Nosso grupo tem ainda colaborado com o Instituto de Cardiologia do RS nos protocolos clínicos de terapia celular para cardiopatias, realizando a purificação e caracterização das células tronco da medula óssea dos pacientes tratados.


Estresse e Gestação

Priscila Vianna (Pós-Doutoranda, PPGBM UFRGS)
Gabriela kniphoff (PPGGBM UFRGS)
Mauricio Busatto (PPGGBM UFRGS)

Imunorregulação da gestação: Papel da carga emocional, imunidade celular e polimorfismos em genes do estresse no desenvolvimento da pré-eclampsia. A gestação pode ser influenciada por inúmeras alterações imunológicas e endócrinas que ocorrem no corpo materno durante este período, desta forma, torna-se de grande importância conhecer os parâmetros imunológicos e a cronologia destas alterações ao longo de uma gravidez. Doenças afetivas são comuns em mulheres e durante a gestação ocorre uma maior vulnerabilidade devido às constantes flutuações de hormônios gonadais.Este projeto visa avaliar o efeito do estresse e ansiedade no desfecho favarável ou não de uma gestação através da análise de polimorfismos em genes relacionados a manutenção do estresse do organismo em conjunto com a análise de marcadores imunológicos (como citocinas e marcadores de superfície celular). Visamos avaliar o efeitos do estresse no desenvolvimento de complicações gestacionais como a pré-eclampsia.


  Página Inicial
Laboratório de Imunogenética - UFRGS