|
Jornal
da Universidade No atual modelo de universidade pública, qual
o lugar que a cultura ocupa e o que precisa mudar?
Renato
Janine Ribeiro O atual lugar ocupado pela cultura, não só
na universidade pública, mas na sociedade, é o do beletrismo,
das belas letras, da coisa bonita que divulga. Nós temos a idéia
de que as artes, a cultura, são uma coisa alegre, uma coisa agradável,
um enfeite, um adorno. No começo do governo Fernando Henrique a
cultura se inseria em 0,5% no orçamento do governo federal, a ciência
e tecnologia em 0,35%, ou seja, sete vezes mais, e ainda assim esse 0,35%
da ciência e tecnologia eram menos do que a margem de erro com qual
elaboraram o orçamento da União. Nós temos hoje uma
situação em que, socialmente, a cultura aparece como um
primo muito pobre das atividades estatais e sociais. Temos que indagar
de que maneira a cultura pode ser dinâmica, como escora a cidadania
e o conhecimento criativo.
JU
Para que isso aconteça é preciso que haja uma mudança
de orçamento ou de mentalidade?
Ribeiro De mentalidade. O orçamento é apenas uma
indicação disso, apenas um sinal. É preciso tirar
a cultura simplesmente do papel de enfeite, do papel de adorno que ocupa,
sobretudo para as classe dominantes, que a vê como um fator de distinção
de classe. É preciso mudar esse papel, para que a cultura seja
capaz de introduzir o seu dinamismo na própria pesquisa.
JU
Qual o papel dos clássicos dentro dessa idéia?
Ribeiro Os clássicos não são lições
eternas, mesmo porque o de uma época não é o de outra.
Não creio que haja algum clássico que faça parte,
em todos os tempos e de todas as épocas, de todos os lugares. É
simplesmente uma obra que tem uma permanência maior, muda de sentido
conforme o tempo, mas que é importante porque tem uma qualidade
tal que permite a pessoa que está lendo, está trabalhando
com ele, ter outras dimensões humanas. O clássico permite
abrir janelas maiores para o mundo no sentido que a pessoa, dessa maneira,
consiga captar outras oportunidades de vida, outras perspectivas. É
esse o papel.
JU
E prepara para outras mudanças, outras oportunidades?
Ribeiro Nós estamos numa sociedade em que o encontro de
sua individuação, o processo de descobrir, de construir
quem eu sou é complexo, exige que a aparência de figuras
sociais sejam maiores do que as sociedades anteriores tiveram. Então
quanto mais tem abertura para as obras de qualidade, outras informações,
maiores as chances de você encontrar seus caminhos.
JU
Para descobrir quem eu sou é preciso uma série de informações
que são dadas no ambiente universitário. Não é
preciso uma base cultural sólida para colocá-la nesse patamar
na universidade?
Ribeiro Essas formações informações
são dadas de maneiras diferentes. O que mais me inquieta são
aquelas pessoas que não chegam a receber. A cultura pode ser um
instrumental muito positivo. Para isso lida com outros imaginários,
abre outros espaços. Perguntar se são dadas as informações?
Não são. As informações ainda são muito
insuficientes, mesmo numa sociedade de tantas informações
quanto a nossa.
JU
A cultura deveria fazer pesquisa nas ciências humanas. Mas a nossa
maior fonte de informação, hoje, não é a televisão
que introduz costumes, dita regras e moda, elege e derruba governos, molda
a língua e os hábitos?
Ribeiro
Eu não concordo. A televisão mexe dentro de certas possibilidades.
A televisão tem uma potencialidade muito grande, é um meio
de comunicação, um meio cultural, por assim dizer, mais
forte na nossa sociedade, mas não acho que seja onipotente.
JU
E quanto à Universidade, ela corre atrás do prejuízo
ou não? Os alunos chegam despreparados, apenas com a formação
social doméstica, com a má formação do ensino
básico, informado pela ótica ou pelos interesses dos meios
convencionais de comunicação de massa. Ele chega sem preparo,
sem a base cultural sólida. Qual a alternativa?
Ribeiro Eu não vejo chance. Quando houve a degradação
do ensino médio, vários colegas meus defenderam a tese que
a Universidade não deveria compactuar com isso e, portanto, deveriam
reprovar maciçamente os alunos que não tivessem preparação
para, assim, forçar a melhoria do ensino médio. Mas não
houve condições de fazer essa chacina de alunos. Seria antidemocrático.
Não há muitas alternativas, a não ser a Universidade
tentar, de alguma maneira, compensar isso. Politicamente não há
muita alternativa. Como a Universidade faz muito bem a parte da pesquisa
e, como a graduação passa a lidar com alunos despreparados,
o risco é grande, porque você investe mais e mais na pesquisa
e deixa os despreparados despreparados, ou então a graduação
perde em destaque dentro de uma universidade boa.
JU
E quanto ao espaço para experimentação na Universidade?
O aluno está sendo suficientemente estimulado?
Ribeiro Tem muito que se fazer experimentação em
novas formas de cursos, novas formas de relações e, quando
os recursos são escassos, é necessário multiplicar
os contatos. Um exemplo são os museus da Universidade de São
Paulo. Nós temos quatro museus principais, sendo o Museu do Ipiranga
o mais conhecido. O Museu do Ipiranga é um museu que tem uma das
maiores visitações do Brasil, mas são de escolares.
Em compensação tem os outros museus, o Museu de Arte Contemporânea,
que é um bom museu. A maioria esmagadora dos professores, estudantes
e funcionários da USP nunca pisou nele. É uma coisa absurda,
ter no Campus um museu que é pouco conhecido da própria
comunidade universitária. Se se conseguisse que todos os professores,
funcionários e alunos, visitassem esse museu uma vez que fosse,
conseguiríamos, de alguma forma, um vínculo maior deles
em vários sentidos: com obras de arte de qualidade, com a própria
universidade, com sentimento maior de pertencer a universidade, enfim,
uma troca afetiva maior.
Quando dirigi a Cooperação Internacional da USP obriguei
as pessoas, que recebiam recursos nossos, a divulgar via e-mail, quando
ia falar, a conferência que ia dar, isso circula pouco. A comunicação
circula pouco. Não estou falando no sentido jornalístico
só. Estou falando no sentido dos pesquisadores se comunicarem entre
si, dos ambientes se comunicarem e do desperdício extraordinário
que se tem com a falta disso.
JU
O senhor não acha que pode ser uma questão de mentalidade,
de se entender educação como um aluno sentado e o professor
ensinando, só com transmissão de informação?
A informação não faria parte da educação,
da formação do aluno?
Ribeiro Isso é uma qualidade brasileira que poderia chamar
por duas palavras: individualismo e falta de diálogo. Vivemos numa
sociedade onde o individualismo é muito forte. Primeiro, a agregação
de esforços sociais para fazer alguma coisa é muito menor
em nosso país e, segundo, o diálogo no Brasil é muito
precário. É muito mais freqüente as pessoas ficarem
somente no seu espaço e conversarem pouco. Aceitar a postura monológica,
o monólogo, que é adotada por muitos professores, convém
a muitos alunos.
JU
A que o senhor atribui esta ausência de diálogo?
Ribeiro Isso é um fenômeno histórico. Tem
haver com vários elementos, com uma formação ibérica
que, por sua vez, passa pela Inquisição, pelo Catolicismo
mais hierárquico, no qual a liberdade de expressão é
contida e por causa disso as pessoas se acostumaram a repetir o que o
poderoso disse, muito mais do que a discutir. Encontrar uma sociedade
como a norte-americana, ou a francesa, na qual a experiência do
diálogo e a discussão é muito mais antiga, para nós
é incomodo. No Brasil, não gostamos que discordem da gente,
ao passo que existem sociedades em que uma discussão de freqüente
desacordo é normal e saudável. Acho até que no Rio
Grande do Sul o desacordo é vivenciado melhor que em outros Estados.
JU
Então isso seria uma coisa atávica no Brasil?
Ribeiro Eu não usaria o termo atávico, porque aí
se naturaliza a questão, se diz que é da nossa natureza.
Eu diria que é histórica, que é um elemento que vem
do nosso passado, do qual não conseguimos ainda nos desfazer.
JU
E conseguiremos nos desfazer disso?
Ribeiro Uma alternativa é incentivando o próprio
diálogo. Acho que essa idéia de colocar em contato as áreas
dentro da universidade, dentro da sociedade, favorece isso. Disponibilizar
mais informação, fazer com que se cuidem as obras de arte,
que a produção seja conhecida. Com a Internet é possível
se colocar um volume extraordinário de textos no site da universidade.
Está aumentando a informação diversificada, ocorrendo
discussões, habituando-se as pessoas a discutirem.
JU
Mas aí estamos considerando um ambiente muito restrito, um ambiente
universitário. Fora dele, como grandes temas de discussão
da imensa maioria da população temos Big Brother, Casa dos
Artistas, novelas, vida particular de artistas, assim fica difícil...O
público que tem acesso à Internet e à informação
que lá está é muito pouco.
Ribeiro Vamos ser realistas. É provável que tenha
mais gente com acesso a Internet do que comprando jornal. Já é
significativo. Se for falar em termos sociais, a primeira questão
que colocaria, e é decisiva para os pesquisadores da Universidade,
é que o seu trabalho e os autores importantes com que trabalha,
chegue ao povo. E vai chegar ao povo? Essa questão é fundamental.
Teríamos êxito se conseguíssemos que essas idéias,
que são as grandes contribuições da ciências
humanas, chegassem à sociedade. A área do pesquisador acadêmico
é muito tímida no tocante a isso.
JU
O que fazer para conseguir com a difusão cultural o mesmo resultado
obtido em comparação com a ciências exatas e biológicas,
que têm uma aplicação mais prática?
Ribeiro O que não passa pela consciência das pessoas.
Para chegar e dizer: olha sua roupa, provavelmente tem nela uma tecnologia
de menos de cinco anos de idade. O brinco, a roupa, a pochete, alguma
coisa disso é muito nova, mas disso se desfruta porque não
precisou mexer com as cabeças. Isso tudo é mecânico.
Quando passa pela cabeça é bem mais difícil. Mas,
por outro lado, se você examina os jornais e vê que o que
eles publicam, acha um débito extraordinário em relação
às ciências humanas. O que acontece é que esse débito
vai surgindo sozinho. O que eu não vejo é pesquisadores
universitários se reunirem e dizerem: qual é a nossa mensagem
essencial para passar para a sociedade? Qual o efeito relevante do que
eu estudei? Que fizemos em antropologia? Fizemos algo em alguma coisa?
Em que isso pode modificar nossa vida? Se houver esse tipo de discussão,
conseguiremos dar um salto. É preciso comunicar o que se está
fazendo. O que chega a sociedade é muito pouco.
JU
Como é possível a difusão das humanidades e dos
valores culturais ao mesmo tempo em que há alta evasão escolar
no ensino básico e superior?
Ribeiro Primeiro, vamos falar da crise no valor da cultura. Eu
começaria dizendo que no Brasil a cultura não é um
valor, pelo menos, não tanto quanto poderia ser. Estamos numa sociedade
que está valorizando muito o prazer imediato, que dá muito
pouco espaço para o próprio conhecimento que, de modo geral,
não é muito valorizado. Esse tipo de valorização
do qual Big Brother, Casa dos Artistas, novelas etc. têm, é
uma dificuldade muito grande, porque debilita qualquer projeto de construção
das pessoas com o sujeito. Há algum tempo atrás, quem fazia
uma operação plástica ocultava o fato. Hoje, o que
nós temos é uma narrativa, o orgulho de ter feito a cirurgia
plástica. É a cultura do making off. Em vez de reduzir o
valor de mercado, aumenta. Isso é uma novidade fantástica.
O assustador é a significação cultural disso para
a sociedade como um todo. É a desqualificação do
cultural e isso é muito inquietante.
Em relação à evasão do ensino básico
e do superior, eu diria que são duas evasões muito diferentes
entre si. A evasão do ensino básico tem muito a ver com
miséria, pobreza, dificuldades econômica. No ensino superior
a evasão tem a ver com uma dificuldade de localização
de seu espaço na realização pessoal. Está
muito difícil hoje, para quem tem um pouco mais de sensibilidade,
encontrar seu espaço de realização pessoal sem passar
por tramites. As opções se tornaram mais fáceis,
e a sociedade está tão dura que fica difícil mesmo
essa seleção. A evasão se torna o caminho de quem
está tentando encontrar o seu caminho. Uma pessoa que estuda 4
ou 5 anos de engenharia, um curso extremamente puxado, e depois descobre
que quer ser cantor ou nutricionista, desperdiçou o seu tempo,
desperdiçou uma vaga na faculdade que outro poderia ter cursado.
É um fenômeno bem mais complicado do que apenas se mudar
os currículos.
JU
Qual a sua opinião sobre a Universidade treinar mão de
obra para o mercado de trabalho.
Ribeiro Eu sou contra treinar mão de obra para o mercado
de trabalho, não só porque é imoral mas porque é
inútil. Imoral porque a Universidade não deve se colocar
a serviço do mercado, e inútil porque o mercado fará
isso muito melhor que a Universidade. Além disso, modificará
suas rotinas muito mais velozmente.
JU
Há setores segundo os quais a universidade não prepara
o aluno para o mercado de trabalho, pois ele já vem despreparado.
Ribeiro Aí vamos identificar um acordo muito claro a que
as lideranças acadêmicas e empresariais têm que chegar.
A Universidade não está a serviço do mercado. A universidade
tem um tempo básico, e que não pode ser efêmero. Porque
não fazer uma cooperação, um convênio e, no
caso do jornalismo, por exemplo, com os jornais pagando devidamente os
profissionais da Universidade, e estes dando melhores cursos de treinamento
dentro do próprio jornal?.
JU
Essa cooperação ou esses convênios não ficariam
inviabilizados em um sistema que quer ter os menores custos, investindo
o mínimo possível, para auferir o mais alto lucro? Não
ficaria difícil este tipo de relação da Universidade
com o mercado.
Ribeiro A Universidade tem subtilizado os seus instrumentos para
intervir na sociedade. A Universidade deveria pensar mais, tematizar mais
internamente como ela vê a sociedade. Quando se pensa na aplicação
prática da ciência, exata e biológica, é muito
simples: o intermediário para chegar as pessoas é o mercado,
são bens e, eventualmente, serviços que elas produzem. No
caso das ciências humanas, a relação delas não
é tanto com o mercado mas com o público, e aí passa
pela mídia. O nosso relacionamento principal com a sociedade é
a mídia. Nós temos que esquematizar mais o que a mídia
incorpora do saber acadêmico e científico, ligando para Universidade,
consultando os artigos, mas também de maneira muito mais ampla,
na formação do pessoal de trabalho etc. O que incorpora
e o que não incorpora. A Universidade poderia meditar melhor sobre
essa pauta acadêmica e dizer o que não nos convém
disso. Além disso, podemos eventualmente, colocar novas questões.
JU
Temos potentes redes de televisão aberta, comerciais, lutando
por altos índices de audiência com programas semelhantes,
de baixíssimo nível, consistência cultural e nível.
Não poderiam aproveitar esse público certo e cativo para
transmissões que trouxessem alguma programação cultural
e informativa para o crescimento das pessoas?
Ribeiro A televisão no Brasil está em péssimas
mãos. A imprensa escrita no Brasil está praticamente toda
comprometida com setores da sociedade. Não tem uma imprensa escrita
diária de esquerda no Brasil. Em todos os países da Europa
tem. Se tivesse uma imprensa diária de esquerda, pela Internet,
você acessaria. Com o rádio, por exemplo, cujo custo de manutenção
é muito baixo, dá-se o mesmo. No entanto, não se
tem rádio de esquerda no país.
JU
As concessões são dadas pelo governo...
Ribeiro Sim, mas também as pessoas não vão
à luta. Não precisa de concessão para abrir um site
na Internet. Por que praticamente não tem um site informativo de
esquerda na Internet? Não é o poder que está inviabilizando
isso. É a falta de iniciativa dos interessados. Podia se ter um
site de esquerda mais atuante, sem ser faccioso, só que ninguém
faz. Não vamos confundir com isso o site do PT, ou dos demais partidos.
Estou falando de um site de informações, que use bem a batalha
da mídia. Estou achando que essa batalha da mídia pode ser
travada a baixo preço com a Internet. Não vejo os motivos
de não se usar este canal
JU
A difusão do conhecimento gerado na Universidade, tudo o que realiza,
propõe, constrói, produz, está, praticamente, dependendo
dos meios de comunicação convencionais. Que outro meio,
e qual a possibilidade de a Universidade tem de, por seus próprios
meios, fazer esta difusão?
Ribeiro A Universidade é lugar de formação
mais que de difusão. Formação é muito mais
intenso, muito mais profundo, mais demorado. Existe uma parte substancial
desse conhecimento que vai, depois, sendo apropriado socialmente de maneiras
bem diferenciadas. Quando se procura um dentista, por exemplo, vamos utilizar
as capacitações que ele aprendeu na Universidade para ganhar
dinheiro. Isso é uma apropriação privada do conhecimento.
O mais delicado é o caso do conhecimento gerado nas ciências
humanas que não é apropriado de maneira tangível,
de uma forma física, mas na consciência das pessoas. Uma
vez saindo o processo dos muros da Universidade você não
está controlando mais nada. Você está formando profissionais
sem se perguntar para quem está indo o investimento público
nesse feito. Da mesma forma não se está perguntando das
descobertas de ponta das ciências humanas, o que isso está
alterando e fazendo incorporar pela sociedade. O fundamental é:
como se pode fazer em relação à pesquisa e na formação
de recursos humanos que há dentro da Universidade para que seja
apropriada socialmente? Para que sociedade estamos construindo isso? Nessa
sociedade a apropriação privada prevalece de longe. Na Universidade,
muita gente está descontente com essa desigualdade social. E cabe
à Universidade discutir isso.
JU A Universidade deveria cobrar algum tipo de retorno desse
profissional que saiu de uma instituição pública?
Se ele está ou não, de alguma maneira, retribuindo para
sociedade a formação que ela lhe proporcionou, financiando
seus estudos gratuitos?
Ribeiro Não vejo como legalmente se poderia fazer isso.
Mas se pode formar esse profissional para habilitá-lo mais para
isso do que para outra coisa. Você pode ver quais são os
nichos de enriquecimento pessoal de apropriação privada
do meio público e, não digo acabar com eles, mas incentivar
o que vai no sentido da apropriação mais social, e isso
pode-se fazer mexendo nos currículos. Se pode e deve incutir nos
alunos de graduação, desde o início, a percepção
que a Universidade é paga pela sociedade, e sobretudo, por gente
mais pobre do que eles. E a partir disso tentar montar um senso de responsabilidade
social, que sinto extremamente inexistente nos nossos formandos.
JU
Todo esse sentimento humanista, de responsabilidade da nossa sociedade,
só poderia se dado pela Universidade Pública. Mas o que
se vê são tentativas para o seu enfraquecimento, cortes de
cada vez maiores de verbas e a proliferação de instituições
privadas com características empresariais e objetivos lucrativos.
Ribeiro Estou pensando basicamente nas universidades públicas
que, de modo geral, são as melhores. A Universidade tem que começar
a se preocupar com o destino do que ela faz. Tem que começar a
se preocupar com quem se apropria e de que maneira se apropria dos bens
públicos que gera e geriu. Estamos lidando com vagas, formando
gente, pesquisando, fazendo ciência, encontrando saberes, e a maneira
como tudo isso é apropriado é pelo simples jogo do mercado.
A Universidade poderia ter um papel mais ativo em considerar qual é
o conhecimento relevante que está gerando, qual é a formação
relevante e de que maneira isso interfere na sociedade.
|
|
|