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Não
estamos sós
De epois do alerta feito durante a III Cumbre, realizada
na UFRGS, em abril, começa a
ampliar-se na América Latina e na Europa a discussão sobre
a comercialização de serviços de educação
superior proposta pela Organização Mundial do Comércio.
Cerca de 60 reitores de universidades latino-americanas e européias
reuniram-se em Lima, no Peru, no dia 5de julho, para opinar sobre o
tema durante a convenção do projeto Columbus. E a opinião
unânime foi de que a educação, sendo um bem público,
não pode ser tratada como mercadoria. A reportagem está
na página 3 desta edição.
Também já começam a aparecer os resultados da campanha
pela recuperação dos prédios históricos
da UFRGS. Dos 12 prédios que compõem o patrimônio
histórico da Universidade, três já estão
prontos e serão entregues neste mês de agosto: o prédio
do Observatório Astronômico, o prédio da Rádio
da Universidade e o prédio Cortumes e Tanantes, agora sede do
Museu da Universidade. Essa entrega – símbolo de conscientização,
colaboração e solidariedade, tanto de pessoas quanto de
órgãos públicos e privados – não teria sido
possível se não houvesse a compreensão da importância
da obra, não apenas para a Universidade, mas para toda a sociedade
gaúcha e por extensão, à sociedade brasileira.
Páginas 4 e 5.
Uma nova droga contra a aids está sendo testada em cinco pacientes
no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. É o T-20, apresentado
durante a 14a Conferência Internacional de Aids, realizada de
5 a 12 de julho, em Barcelona, Espanha. Leia na página 11.
Entre as palavras e expressões que vêm se popularizando
nos últimos meses, está o neologismo risco-Brasil. Mas,
será que é tão arriscado mesmo investir em nosso
país? Leia matéria sobre o assunto na página 7.
Em 1950, a parcela da população brasileira com mais de
65 anos representava 6,2%. No ano 2000 esse percentual já era
de 19,6%. O que vem acontecendo no Brasil também está
acontecendo em outros países. Tanto que, em nível mundial,
desde 1988 o percentual de idosos supera o de crianças. Esse
assunto esteve entre os temas discutidos na 54a Reunião da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada em Goiânia
de 7 a 12de julho. Leia na página 10.
Muita gente não sabia, mas antes de chegar ao mercado externo,
amostras de muitos produtos alimentícios devem passar por laboratórios
especializados, onde são submetidos a análise de radioatividade.
Desde 1989 o Departamento de Biofísica da UFRGS mantém
um laboratório de análise que realiza esse tipo de procedimento,
favorecendo mais de 50 empresas brasileiras. Página 12.
O entrevistado desta edição é o professor titular
de Ética e Filosofia Política da USP Renato Janine Ribeiro,
que esteve em Porto Alegre durante o III Salão de Extensão
da UFRGS. Nas páginas centrais, ele fala sobre o papel da universidade
na produção e difusão da cultura humanística,
critica a programação de TV e sugere o uso da Internet
para a informação dos cidadãos. Na última
página, o perfil do arquiteto e professor Nelson Souza. Boa leitura!
TOPO
CAPA
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Uma
construção coletiva
WRANA MARIA PANIZZI
Reitora
A
Universidade
Federal do Rio Grande do Sul é uma construção coletiva,
é res publica, é obra que atravessa governos e gerações.
Esta definição, que para alguns pode parecer uma sentença
vaga, tem para nós a maior importância e orienta nossas ações
à frente da reitoria.
Temos dito e repetido que a universidade é obra realizada por estudantes,
técnicos-administrativos e professores. Trata-se entretanto de
obra jamais concluída, porque, por natureza, está em permanente
construção.
Nossa universidade deita suas raízes no século XIX, época
em que foram criadas a Escola de Engenharia e as Faculdades de Farmácia,
Medicina e Direito. Em 1908, quando o Brasil ainda não contava
com universidades, era inaugurado o Observatório Astronômico
da Escola de Engenharia. Anos depois, pertencentes a mesma Escola, dois
novos edifícios se integravam à paisagem da cidade, um destinado
à sessão de Meteorologia do Observatório Astronômico,
outro ao Laboratório de Ensaio de Materiais – prédios que
um pouco mais tarde abrigariam a Rádio da Universidade e o curso
de Curtumes e Tanantes. Chegou então o dia em que estes edifícios
tornaram-se parte do patrimônio da Universidade do Rio Grande do
Sul. E esta, por falta de recursos ou por descaso, ou porque eram considerados
prédios “antigos”, parecia condená-los ao abandono.
As construções coletivas são, entre todas, as de
mais difícil execução. São também as
mais sólidas e duradouras. E isto não por causa da imponência
dos prédios que cada geração pode erguer, mas precisamente
pelo que existe de “construção coletiva” em cada edifício
que sabe construir e conservar.
E então chegou também o dia em que uma geração
de estudantes, técnicos-administrativos e professores soube valorizar
e recuperar prédios que pareciam destinados à demolição.
Esta geração, além de procurar os recursos financeiros
indispensáveis para a realização de tal empreitada,
pode fazer muito mais. Ela soube mostrar à sociedade que a Universidade
Pública não pertence apenas aos que freqüentam suas
salas de aula, laboratórios e bibliotecas. E assim todos compreendemos
melhor que, como as gerações que nos precederam, somos modestos
artesãos desta formidável construção que chamamos
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A entrega à comunidade universitária e à cidade de
Porto Alegre dos primeiros prédios recuperados no contexto do Projeto
de Resgate do Patrimônio Histórico e Cultural da UFRGS, testemunha
o nosso respeito pela obra das gerações que nos precederam.
E é também um momento de reafirmação de nosso
compromisso com a Universidade Pública, esta construção
coletiva que atravessa governos e gerações.
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A
porposta da OMC em debate
JOSÉ RUBENS REBELATTO- Ex-Reitor da Universidade Federal de São
Carlos e Representante brasileiro na direção do Columbus
Perguntar
Perguntar se a educação superior é um bem comum ou
uma mercadoria já é, em si, uma provocação
e tende a suscitar argumentos fortes destinados a defender posições
geralmente antagônicas, tanto de indivíduos, expondo sua
posições pessoais, quanto de autoridades investidas de suas
respectivas representações institucionais.
A polêmica implícita no tema não só é
legítima como também adquire característica contemporânea
por conta das propostas apresentadas no texto do Acordo Geral sobre Comércio
e Serviços, gerado no âmbito da Organização
Mundial do Comércio - OMC. Ao lado da intenção de
liberar em escala planetária o comércio de todos os tipos
de serviços, há também ações destinadas
a defender a tese de que os governos devam aceitar o princípio
de que a educação, em especial a educação
superior, pode ser tratada como um serviço comercial. Tal entendimento
implicaria que o desenvolvimento da educação superior poderia
ser regulamentado no contexto da OMC, com todas as decorrências
que tal ato usualmente gera a todos e a cada um dos países membros.
A simples remissão à definição estabelecida
na Conferência Mundial sobre Ensino Superior, realizada pela Unesco
em Paris, em outubro de 1988, já elucida a magnitude das divergências
entre as concepções existentes sobre o assunto. Nessa ocasião,
a Declaração de Paris explicitava seus compromissos “com
o conhecimento como patrimônio social, com a educação
como serviço público, com a qualidade, a liberdade e a autonomia
acadêmicas, com a diversidade cultural, com a investigação
como fator essencial para o progresso do conhecimento, com a cooperação
internacional, com a busca da pertinência entre a educação
e as demandas sociais”.
Divergências postas, o caminho lógico é a implementação
de fóruns legítimos nos quais os diversos pontos de vista
possam ser debatidos e as diferentes posições sejam objeto
de um exame acurado. Nesse contexto, o Columbus, uma associação
de universidades da Europa e da América Latina, promoveu em 5 de
julho de 2002, um encontro em Lima (Peru) com a finalidade de que reitores
e representantes governamentais pudessem expor as posições
de governos e de instituições sobre a questão.
O Columbus, na realidade, se constitui em uma ponte entre universidades
européias e latino-americanas, criado em 1987, caracterizando um
programa de cooperação universitária entre instituições
de educação superior. É hoje composto por 58 universidades
da Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Chile, Colômbia,
Costa Rica, Espanha, França, Itália, México, Países
Baixos, Perú, Portugal, Reino Unido, Uruguai e Venezuela sendo
uma rede de redes que promove a organização de grupos de
universidades que atuam conjuntamente para a consecução
de seus objetivos.
O evento organizado em Lima, além de ter sido uma oportunidade
privilegiada para a discussão do tema, evidenciou não só
uma relativa homogeneidade na reação dos representantes
universitários, na direção de não concordarem
com o enfoque comercial dado às questões educacionais pelo
AGCS, como também fez emergir a necessidade de tomada de posições
em relação aos aspectos educacionais afetos ao inevitável
processo de internacionalização. Um outro fator que saltou
aos olhos foi o desconhecimento que as instituições universitárias
têm da posição de seus governos em relação
ao problema. Mesmo os representantes governamentais presentes foram extremamente
reticentes nas suas falas e exposições, cabendo destaque
para o fato de que, muitos governos, embora convidados, não tenham
enviado representantes para o debate.
Em síntese, dois aspectos parecem merecer destaque. O primeiro
é que o Columbus foi um agente importante e cometeu um inegável
acerto ao reunir todas essas instituições em torno de um
assunto que urge estar em pauta, se as universidades não quiserem
ser surpreendidas em pouco tempo. O segundo se refere á constatação
de que a importância daquilo que é produzido pela instituição
universitária e a sua própria atuação como
agente privilegiado na determinação da evolução
social de cada país, são aspectos que gradativamente vêm
sendo desconsiderados em nome de uma visão economicista das relações
internacionais.
TOPO
CAPA
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CARTAS
Prioridade
Este leitor sentiu-se honrado com a publicação de matéria
remetida (carta) na edição de junho-2002. Em que pese ser,
hoje, um professor aposentado e mal remunerado da rede estadual de ensino,
como todos os demais professores, só permaneceu em sua escola porque
conseguiu formar-se advogado, exercer a profissão e outros bicos.
Se fosse continuar apenas um docente estadual, estava “ralado”. Tudo porque,
em nosso país, educação nunca foi prioridade, embora
em períodos eleitorais aqui, ali e acolá, os candidatos
afirmam-se como tal. Prioridade de palanque, portanto. No ensino universitário,
ficamos estarrecidos com a informação da reitora Wrana Maria
Panizzi: “No ano 2000 o investimento realizado em nossas universidades,
representou apenas 55% do total investido em 1995” (Jornal da Universidade-2000,
in “Vencendo o desafio de melhorar e crescer, mas...). Para não
ser demasiado extenso: fatos como os citados, explicam o “mar de lama”
no qual estamos chafurdados. Lamentável, mas verdadeiro.
DJALMA BEYER
Porto Alegre
Seleção
Gostaria de saber os critérios para prova de seleção
do DAD. Falo isto porque algumas pessoas fazem o teste, passam num e no
outro rodam. Espero esclarecimentos.
CARLOS SOUZA
LIMA
Porto Alegre
Nota do
editor - Segundo o Departamento de Arte Dramática, os aspectos
a serem considerados na avaliação das provas de interpretação
e entrevista são: presença cênica, imaginação,
clareza e objetividade, expressividade corporal, expressividade vocal,
percepção espaço-temporal.
TOPO
CAPA
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