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Elis:
imortal aos
20 anos

JUAREZ FONSECA Jornalista

Era essa a idade dela ao tornar-se uma estrela e mostrar que já era a maior cantora brasileira

Rio de Janeiro, março de 1964.
A cidade centraliza a agitação política que varre o país, ânimos exaltados à esquerda e à direita. Piquetes de greve e militares em estado de alerta dão o tom. A agitação cultural é grande também, causa polêmica o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol e vive-se o auge da expansão da bossa nova, que chegara para decretar a aposentadoria da música velha e fazer a cabeça dos jovens do país do futuro. Shows multiplicam-se pelas casas noturnas da Zona Sul mas há um lugar especial em Copacabana: o Beco das Garrafas.
O Beco é o quartel-general da bossa viva, na rua estreita um bar ao lado do outro, muita fumaça e cuba libre. Um desses bares inscreverá seu nome na história, o Bottle’s, por causa de uma garota estrábica e quase assustada que uma noite aparecerá por lá para nunca mais ser esquecida. No início ela causará estranheza por causa da voz forte, metálica – e com sotaque gaúcho. O oposto do canto de bossa, macio, intimista, carioca. Pior: por não fazer parte da turma, ela será era considerada uma forasteira. Mas cantará demais. E carimbará seu passaporte para a imortalidade.
Quando desembarcou na rodoviária do Rio, acompanhada pelo pai Romeu, no dia 31 de março de 1964, Elis Regina tinha 19 anos recém feitos. Nem prestou atenção à incomum movimentação de soldados, queria instalar-se logo na nova casa – um apartamento de quarto-e-sala alugado numa rua interna de Copacabana – para começar a cuidar da nova vida. O pai, 45 anos, estava desempregado. Trazia uma carta de recomendação do PTB de Porto Alegre, o partido do presidente João Goulart e do deputado Leonel Brizola. Com ela, esperava conseguir trabalho.
Um dia depois a carta do PTB já não valia nada, pois o PTB fora tirado do poder. Na verdade Romeu estava desempregado há anos, fazia apenas bicos. Desde os 13 anos Elis ajudava a sustentar o apartamento em que vivia com o pai, a mãe Ercy e o irmão caçula Rogério, num dos primeiros conjuntos residenciais populares (tipo BNH) de Porto Alegre, que deu origem ao bairro do IAPI. Agora, no Rio, não seria diferente. Enquanto Romeu ficava fazendo a comida e arrumando a casa, Elis partia para a luta, percorrendo as indicações de sua caderneta.
Afinal, embora no Rio parecesse, ela não era qualquer coisa. Tinha três LPs gravados e uma história de sucesso em Porto Alegre. Tinha mais, além da voz preciosa: uma garra infernal, uma determinação invencível e uma ambição bem nutrida. Elis tinha certeza do que podia, sabia que o público brasileiro poderia ser conquistado como fora o público gaúcho. E cada vez mais gostava de cantar, de estudar de música, de se informar a respeito de tudo. Quando completou 18 anos, decidiu despregar-se da saia possessiva da mãe, deu um tempinho e encarou o desconhecido.
Se ainda hoje essas decisões são difíceis, imagine-se 35 anos atrás. Porque Elis era uma menina normal, nenhuma rebelde, nenhuma punk antes do tempo. Aos sete anos a família descobriu que ela cantava afinadinho. Então a avó sugeriu: “Por que não a levam para cantar no Clube do Guri?”. Transmitido nas manhãs de domingo pela Rádio Farroupilha, o Clube do Guri era líder de audiência apresentando cantores mirins. Depois de uma primeira tentativa desastrada, em que não conseguiu abrir a boca, cinco anos depois Elis transforma-se na estrela do programa.
E surgem os primeiros problemas. Cantar no rádio não era coisa para meninas de família, pensavam os professores e as colegas do Instituto de Educação, onde ela fazia o ginásio. Houve muita ida da mãe à escola, muita discussão e até sessões de tapas, até que a deixaram em paz para estudar. E ela precisa estudar de verdade, precisava apresentar o boletim sem manchas, caso contrário dona Ercy não a deixaria cantar no Clube do Guri nem faria seus vestidos. Esse era o trato: primeiro o estudo, depois a liberação para freqüentar o Clube.
Quando fez 13 anos, grande e famosa demais para um programa infantil (era a garota sensação de Porto Alegre), Elis assinou seu primeiro contrato profissional com a Rádio Gaúcha. Seria uma das atrações do Programa Maurício Sobrinho, líder absoluto das tardes de sábado, e de outros programas da Gaúcha (com o primeiro salário ela comprou um toca-discos). Aos 14 anos vem a estréia no disco, um compacto puxado pela música Dá Sorte, sucesso instantâneo no Sul. Aos 15, o primeiro LP, Viva a Brotolândia, repleto de versões de músicas juvenis americanas.
Olha só: a autoridade de dona Ercy, que fazia marcação cerrada, só permitiu que a filha pintasse as unhas e usasse sapatos de saltinho aos 15 anos. E já fazia tempo que ela praticamente sustentava a casa. Depois dos 15, por causa disso, Elis começa a criar asas e a fazer vale cada vez mais sua vontade. O segundo LP para a Continental, em 1962, chama a atenção da Colúmbia (depois CBS, hoje Sony), para a qual ela faz o terceiro disco, gravando não mais versões mas autores como os gaúchos Túlio Piva e Sérgio Napp, como Baden Powell. Música brasileira moderna.
No final de 1963, Elis resolve abandonar no segundo ano o curso normal, que fazia na escola Diogo de Souza. A teórica carreira de professora estava defintivamente suspensa. E é com o dinheiro economizado dos salários da Rádio Gaúcha que Elis e o pai chegam ao Rio em março de 1964. Os trocados estavam quase no fim quando dois meses depois ela consegue enfim um contrato com a TV Rio. Começou a cantar (e a impressionar) no programa Noites de Gala, um dos melhores da emissora. Na TV Rio, conheceu o baterista Dom Um Romão, que tocava no Beco das Garrafas.
A partir do sucesso dos shows no Beco, Elis (sempre sustentando o pai no Rio e o resto da família em Porto Alegre) recebeu um convite para se apresentar em São Paulo, onde se aconteciam muitas mostras de bossa nova promovidas no meio universitário. Em São Paulo, ganhando dinheiro, foi ficando e fazendo fama, cantando bossa e música dos autores de mais sucesso e prestígio do movimento. Veio daí o convite para interpretar a música Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, no I Festival da MPB, realizado pela TV Excelsior, em abril de 1965. E ela ganhou.
A interpretação dada por Elis a Arrastão, tanto musical como cenicamente (os braços para o alto lhe valeram o apelido de eliscóptero), são um marco de antes e depois na popularidade da música brasileira pós-bossa nova. No mesmo ano, ao lado de Jair Rodrigues, ela estréia na TV Record como apresentadora de O Fino da Bossa. O programa, semanal, conquista o Brasil instantâneamente e Elis conquista a posição de estrela número um. “Você sabe lá o que é, com 20 anos, sair pra rua e ser reconhecida? Você fica louca, se achando Deus”, disse, muito mais tarde.
Aí está: aos 20 anos, meses depois de ter saído de Porto Alegre em busca de seu destino, Elis Regina cravou fundo o alicerce de uma carreira que faria dela a maior cantora brasileira de todos os tempos e uma das maiores do mundo em sua geração. Lançou compositores e mais compositores, brigou, fez discos memoráveis, fez discos não tão bons, fez shows definitivos, viajou pelo país inteiro e pelo exterior, polemizou, casou, descasou, teve três filhos, levantou bandeiras, sofreu, discutiu, mas sobretudo cantou. Dos 11 aos 36 anos, cantou.
Cantou até sua morte – por overdose de cocaína – tornar-se manchete de toda a imprensa brasileira em 19 de janeiro de 1982. Uma morte por ingenuidade, típica dos não-viciados, dos que desconhecem o poder letal da droga. Os fãs entenderam isso, pois dias depois começou a aparecer nos muros das cidades a inscrição “Elis vive”.

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O harém como ele era


PEDRO ANTUNES FILHO Jornalista

Quantas mulheres e concubinas um
muçulmano rico pode ter? O tema, que agora ganhou espaço na
imprensa ocidental, chegando até as novelas
brasileiras, não é o que parece, como mostra este texto sobre a antiga
instituição do harém

Oharém mais luxuoso, mais
desenvolvido, mais bem do-
tado em mulheres e eunucos de que se tem noticia é certamente o harém dos sultões turcos. O império otomano foi uma das grandes potências econômico-militares que o mundo já conheceu, e os sultões que governavam esse imponente complexo de etnias diferentes e costumes legendários, algumas vezes bem, freqüentemente muito mal, eram homens que dispunham de poderes inimagináveis. Apesar de não ser uma instituição turca, o harém floresceu e funcionou 100% em Constantinopla, capital do império turco. Daí sua fama se alastrou pela Europa, onde o harém se tornou um mito romântico, sustentado pelas novelas das Mil e Uma Noites, pelas narrativas de Théophile Gautier e pelos painéis de Ingres. Da Europa, a imagem fabulosa do harém percorreu o resto do mundo.
Hoje, quando se fala em harém, imagina-se logo um palácio arejado e aquático, dentro do qual mulheres lindas e despidas fumam narguilés coloridos, enquanto eunucos bonachões e risonhos abanam leques emplumados. Era de se esperar que, depois de tantos anos, a imagem do harém estivesse um pouco deturpada, mas essa comumente badalada está tão longe da realidade que um viajante moderno que acreditasse nesse harém, se fosse de repente transportado no tempo e no espaço para o verdadeiro harém dos sultões turcos, não acreditaria jamais estar no lugar de seus sonhos.
Até 1558, o Palácio Real só alojava homens. A lei muçulmana permitia que os ricos desposassem quantas mulheres pudessem sustentar, e os sultões possuíam, logicamente, centenas de mulheres, mas todas elas viviam num palácio bem distante do seu real marido. Assim, não atrapalhavam as affaires d’état, nem distraíam os ministros e grão-vizires. Até que uma concubina de Suleimão o Magnifico (no Oriente, o termo concubina não encerra conotações negativas e significa apenas mulher não-oficial), que também devia ser magnífica e que se chamava Roxelana, conquistou tão completamente o velho Suleimão que obteve licença de se mudar, com todas as suas escravas e todos os seus eunucos, para o palácio do marido.
A partir dessa data e dessa fraqueza masculina, todas as mulheres do sultão, concubinas, sogras etc, exigiram também morar no palácio, e o harém se agregou definitivamente à vida política dos turcos. O número de mulheres variava de 300 a 1200, e assim, novos aposentos tiveram de ser construídos junto à sede da Divina Porta. Além das mulheres, ainda havia os eunucos. Os eunucos, invenção chinesa, eram no início todos brancos. Mas os brancos suportavam muito mal a terrível operação que os eunucava (havia quatro modos de castração: total, corte dos testículos, corte do pênis, esmagamento de tudo – poucos sobreviviam), e aos poucos foram sendo substituídos por pretos, mais robustos e resistentes. O chefe dos eunucos pretos, o Kislar Agha, era um dos principais administradores do palácio, e aos poucos se tornou urna figura política das mais influentes.
Governava o harém a mãe do sultão no poder, ou seja, a sultana Validé, e, em segundo lugar, o Kislar Agha. Este, como aliás todos os outros eunucos influentes, era uma pessoa frustradíssima, das mais recalcadas, cheia de uma agressividade violenta em relação ao sistema e aos homens que tinham feito dele o que ele era. Casos de crueldade do Kislar Agha com escravas e concubinas são conhecidos, e sempre cheios dos maiores requintes de sadismo. Por sua vez, a mãe do sultão, governando um pequeno império, freqüentemente aspirava a ter maior poder e a estender seu mando para fora do harém, englobando o próprio império. Assim, o harém era um palco de intrigas e de politicagem, em que o Kislar Agha, a sultana Validé e a primeira esposa estavam sempre batalhando por privilégios e influências.
Roxelana foi uma das primeiras a conseguir tudo isso. Depois de se instalar no palácio, manobrou várias pessoas até conseguir que o sultão mandasse executar seu grão-vizir Ibrahim (que odiava Roxelana). Depois disso, várias outras pessoas poderosas da corte começaram a desaparecer, e a mão de Roxelana certamente deve ter estado por trás desses crimes. Em pouco tempo, o verdadeiro rei da Turquia era esta antiga escrava de origem russa. Depois de Roxelana, outras esposas ambiciosas tentaram alcançar o poder, mas quando perdiam, ou para o sultão ou para a sultana Validé, uma morte violenta era o seu prêmio imediato. Jogavam-lhe o cadáver dentro do Bósforo num saco cheio de pedras. Conta uma narrativa popular que, certa vez, um mergulhador vislumbrou, no fundo do rio, inúmeros sacos oscilando, como bambus, à correnteza – e parece que eram mais de cem.
Aliás, afogamentos em massa ocorriam ocasionalmente, quando um sultão descobria um grande complô que tramasse o seu assassinato. Houve até um deles, Ibrahim, que mandou jogar todas as suas 300 mulheres dentro do rio, simplesmente para ter o prazer de arranjar, mais tarde, um harém inteiramente novo. Uma das mulheres conseguiu escapar, foi capturada por um navio pirata, e finalmente chegou a Paris, onde contou toda a história. Uma veneziana, Safia de Baffa, teve muito mais sorte, e usando charme, intriga, e armas chegou ao lugar cobiçado de primeira esposa e até a sultana Validé, quando seu filho assumiu o trono. A primeira coisa que fez foi fazer de seu próprio filho um bêbado debochado, que só se interessava pelas orgias do seu harém, enquanto a mãe efetivamente governava o império. Safia de Baffa foi dessas rainhas poderosas e cruéis que, entretanto, conseguem influenciar o curso da História: durante os vinte anos que governou, se aliando com várias nações européias, evitou guerras com Veneza e outras cidades mediterrâneas.
Uma reviravolta política derrubou Safia, e um novo sultão ascendeu ao trono. Ministros e povo esperavam um reinado mais ponderado, mas Ibrahim se revelou um tarado dos mais despóticos. Aumentou o harém, onde praticamente vivia, sempre coberto de óleos perfumados e peles raras. Mandou instalar centenas de espelhos no harém, e o número de orgias tornou-se incontável. Cada sexta-feira Ibrahim fazia questão de levar para a cama uma virgem – e sua mãe, muito obediente, fazia-lhe todas as vontades. A Turquia sofreu muito enquanto o sultão governava com todos os poderes, e até à instituição dos grão-vizires, ou primeiros-ministros, que colocaram mais ordem nos negócios estatais, o império otomano viveu sob a inflação e a miséria, o que, em última análise, foi uma das causas imediatas do seu fim.
Mas nem sempre os sultões eram tão desordeiros ou tarados. Normalmente, a não ser por um alto índice de lesbianismo, os costumes do harém eram bastante calmos. O sultão passava a maior parte do tempo com suas esposas, se dedicando de vez em quando a uma ou outra favorita. O processo de escolha de uma parceira noturna seguia um ritual cerimonioso e longo. Em nenhuma hipótese, nesses tempos normais, o sultão apontaria para uma mulher do harém, e ela logo iria para a cama com ele. O protocolo era complexo e, sobretudo, lento.
Numa de suas visitas à mãe ou a uma esposa, o sultão poderia reparar na beleza dos olhos de tal escrava, ou então no café que estava tão bem preparado. A mãe ou a esposa tomaria nota do nome da escrava olhada, ou da cafezeira, e fariam o possível para que ela estivesse presente na próxima visita real aos aposentos femininos. Se o sultão continuasse dando bola para a mulher, a escrava era imediatamente promovida a kadin guzdeh, o que significa literalmente favorita que o sultão está de olho em cima. A condição de guzdeh trazia um aposento luxuoso, dez escravas que a serviriam fielmente, alguns eunucos e, sobretudo, muito cartaz. Caso o sultão se mantivesse interessado, um belo dia a ex-escrava seria banhada, esfregada com óleos e perfumes, penteada, vestida na mais fina e sexy lingerie, adornada com jóias e berloques e, à noite, introduzida discretamente na alcova de seu rei e senhor.
Se o sultão gostasse da sua maneira de beijar, tocar alaúde, ou fazer café, ela poderia permanecer uma favorita oficial, o que trazia toda sorte de regalias. Mas, em certos casos, o sultão não gostava, ou, então, nem tinha pensado em levá-la para a cama. Estava honestamente elogiando o café ou os olhos da criada sem nenhum pensamento oculto. Nessas ocasiões, a mulher poderia estar ali toda preparada perfumada e cheirosa e esperançosa, e o sultão não querer nada com ela, mandá-la dormir e ir dormir também. Nesse caso, a pobre infeliz, se sentindo rejeitada, ainda era maltratada pela mãe ou pelas esposas legais, que a culpavam de tudo, e ainda por cima retiravam seu aposento luxuoso, botavam-na de volta no dormitório comum, e, claro, adeus escravas, eunucos, boas comidas, jóias, deferências e favores. Lá voltava ela para o seu cantinho para preparar café ou para exibir seus lindos olhos.
É claro que a alternativa era gloriosa, e fazia valer a pena correr esse risco. O sultão podia vibrar, ela podia até ter um filho dele (era mantido um registro cuidadoso de cada mulher que passava a noite com o sultão – de manhã, burocraticamente, o sultão rubricava a folha), e quem sabe, chegar até à posição de sultana Validé, um belo dia.
Assim, a vida do harém se dividia em dois tempos radicalmente opostos. Se o sultão era maluco, as orgias e bebedeiras entravam na ordem do dia, e todas as mulheres aproveitariam os delírios reais para intrigar, na busca de mais poder, e ao mesmo tempo procurando maneiras de cativar o augusto soberano do harém e da Turquia. Os eunucos estariam alertas para qualquer bobeada feminina, e aí eles é que assumiriam o poder. Ou então o sultão era calmo e contemplativo, só escolheria uma favorita uma vez por ano, para não romper a tradição, e passaria o resto do tempo longe dos aposentos femininos, só indo ao harém para visitar sua mãe e esposas. Nesse caso, a vida do harém tornava-se insuportavelmente tediosa.
A monotonia reinava, apenas interrompida por um ou outro caso de homossexualismo entre os sexos que ali se encontravam. E não havia absolutamente nada a fazer. A não ser dar uma espiada por uma fresta no visitante europeu que o sultão estava recebendo, que nem chegava perto do harém, mas que, quando voltava para a Europa, maravilhava as platéias com suas descrições minuciosas de mulheres nuas, afrodisíacos e repuxos, numa atmosfera lânguida e sensual.


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