| Jornal da Universidade |
| Janeiro-Fevereiro 2002
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Opinião
O prazer de viver
Avram Noam Chomsky, um dos mais importantes intelectuais contemporâneos,
conhecido mundialmente por seu longo ativismo contra a política externa
norte-americana. Chomsky respondeu perguntas formuladas por intelectuais,
professores da UFRGS e pela repórter Laís Chaffe, do Jornal
da Universidade. Páginas 8 e 9. Contrato, assinado em janeiro e com
duração de 5 anos, entre a Universidade Federal do Rio Grande
do Sul e a Cooperativa Agrária Mista Entre Rios Ltda, ajudará
agricultores do Paraná a clarearem manchas em grãos e sementes
de aveia, trigo e soja. Pagina 3. Na página 4, matéria mostra
como vestibulandos portadores de algum tipo de deficiência ou com necessidade
de atendimento especial recebem tratamento diferenciado, nas dependências
da Escola Técnica da UFRGS.
Leia também: alunos da UFRGS pesquisam sítios arqueológicos
de povos que viveram há mais de 1.500 anos, nos Campos de Cima da Serra.
O trabalho, além de fins acadêmicos, contribuirá para
a preservação e valorização do patrimônio
cultural da região e na criação de um parque histórico.
Página 5. Na página 7 lembramos a professora Isolda Paes, falecida
em 26 de janeiro corrente. O artigo da professora Tania Franco Carvalhal,
traça um perfil da mulher empreendedora, amante da boa leitura, de
viagens e vinhos. Reencontrar o prazer da vida. É isto que um grupo
de pessoas da terceira idade vêm buscando através do Centro de
Lazer e Recreação do Idoso (Celari), um projeto de extensão
desenvolvido desde 1999 pela Escola de Educação Física
(ESEF) da UFRGS. Página 10.
A professora russa Nina Lyubimova desembarcou em solo gaúcho, com o
apoio do CNPq, como professora visitante, graças a um convênio
firmado entre a UFRGS, através do Instituto de Letras, e a Universidade
de São Petersburgo, pela Faculdade de Filologia, página 11.
A comunidade de Porto Alegre terá a oportunidade de conferir eventos
de peso na UFRGS. O 13o Salão de Iniciação Científico
e a 10a Feira de Iniciação Científica se realizam de
11 a 15 de março, na Escola de Educação Fisica da UFRGS.
Ainda em março, o 3o Salão de Extensão, leia na página
12.
O tema que ganhou espaço na imprensa e nas novelas brasileiras sobre
quantas mulheres e concubinas um mulçumano pode ter, você pode
ler na página 14. Elis, imortal desde os 20 anos você encontra
na página 15. A perfilada deste mês é Angela Mendes, professora
do NIEE e cadeirante. Um exemplo de força e auto-estima. Angela fez
parte do grupo de fiscais que facilitou o desempenho de 33 vestibulandos com
necessidades especiais. Página 16.
Boa leitura!
Opinião
Um verão diferente
Wrana Maria Panizzi - Reitora
Os professores, técnico-administrativos e estudantes da
UFRGS vivem um início de ano diferente: neste verão de 2002, além das atividades que normalmente se desenvolvem nos meses de janeiro e fevereiro (relacionados particularmente à pesquisa e à extensão), também nossos cursos de graduação e pós-graduação estão em pleno funcionamento. Como todos sabemos, depois de um longo período de greve, neste “verão diferente” estamos recuperando as aulas do segundo semestre letivo de 2001. O que talvez seja importante sublinhar é que esta situação um tanto excepcional para a comunidade da UFRGS vai se repetir nos próximos anos, pois nosso calendário acadêmico somente voltará à normalidade em 2004.
A comunidade da UFRGS é numerosa. Assim, o fato de nossa Universidade estar em pleno funcionamento nestes meses dedicados às férias contribui também para tornar o verão de Porto Alegre diferente, sobretudo no momento em que a cidade recebe os milhares de participantes do II Fórum Social Mundial. Centenas de professores e estudantes da UFRGS participam das conferências, seminários e oficinas do II Fórum Social Mundial, do Fórum das Autoridades Locais, do Fórum dos Parlamentares e de outras atividades que ocorrem em Porto Alegre neste “verão diferente”. Concordemos ou não as propostas sustentadas pelos organizadores destes eventos, parece não existir dúvida que, para nossa cidade e para a nossa UFRGS, esta é uma grande oportunidade para o debate crítico e aberto, para o exercício de nosso papel como Universidade comprometida com a reflexão sobre a realidade e os problemas que desafiam a humanidade em todos os continentes.
O ambiente de debate, a troca de experiências entre pessoas das mais diferentes regiões do mundo, as festas e celebrações culturais que ocorrem na cidade de Porto Alegre, nada disso nos parece contraditório com o que acontece hoje na UFRGS, nas suas salas de aula, laboratórios e bibliotecas. Se, em todos os cursos de nossa Universidade, neste verão e em todas as estações do ano, nosso compromisso primeiro é com o desenvolvimento de nossas atividades acadêmicas, a participação nas atividades do Fórum Social pode fortalecer tal compromisso, e deve contribuir para a construção de uma universidade cada vez sintonizada com as profundas transformações que acontecem em escala planetária
Opinião
Fórum Social Mundial - a festa que está començando
CARMEM MARIA CRAIDY
Professora da Faculdade de Educação
Li na manchete de um jornal da grande imprensa a expressão “Fim de festa”, referindo-se ao Fó-
rum Social Mundial. Nada me soou mais falso. Não por terem chamado o Fórum de festa – ele foi isso também (felizmente as forças progressistas de esquerda descobriram o direito à alegria e superaram a visão do militante, necessariamente, heróico e sofredor) – mas por terem afirmado seu fim. O sentimento de quem dele participou intensamente e participou também do anterior, realizado no ano passado, é de que a “festa” está apenas começando.
O Fórum transcendeu seu caráter de evento. Hoje, ele é um movimento mundial, nascido das entranhas da sociedade, das mais diversas organizações sociais, daqueles que teimam em ter esperanças e sonhos, dos que não desistiram de lutar e sabem que a história não acabou. Mesmo os poderosos do mundo, que talvez se sentissem mais a vontade pensando que o Fórum tivesse acabado, já não podem ignorá-lo.
Reconhecem sua existência, recuperam nos seus discursos as preocupações do Fórum e falam mais que nunca em combate à pobreza e em superação das injustiças (pelas quais, certamente, são os principais responsáveis) e mesmo em democracia e participação. Ainda que empreguem métodos fascistas e tenham colocado o mundo em estado de sítio, desrespeitando seus próprios princípios “liberais”, bombardeando nações contra as quais não declararam guerra, implantado o terrorismo de Estado e suspendendo direitos individuais universalmente afirmados.
O Fórum Social Mundial é com certeza um fenômeno novo na história universal. É o primeiro movimento social de caráter planetário, é a resistência que se globaliza, é a nova Internacional do Terceiro Milênio. Já não uma internacional comunista, como as outras que a história registrou, mas mais ampla, mais plural, mais mundial e, nesse sentido, mais internacional. A velha palavra de ordem “Povos do mundo uni-vos” começa a ser respondida.
O caráter profundamente democrático, não partidário e plural do Fórum talvez tenha produzido em alguns militantes mais ansiosos a sensação de “despolitização”. Nada mais falso. Ele corresponde a uma nova forma de fazer política que não se esgota no evento nem na ação partidária, mas se desdobra em processo e em pluralidade. Nesse sentido é impressionante constatar a quantidade de organizações e de eventos surgidos a partir do Fórum, desde aqueles marcados por um caráter mais formal – como o Fórum dos Juízes e o Fórum das Autoridades Locais – até os mais informais, como o Acampamento da Juventude. A busca é de encontro, de debate, de novos caminhos que conduzam a um novo mundo em que a solidariedade, a justiça, o direito à igualdade e o respeito à diferença sejam a marca das novas relações sociais e que encontrem sustentação em novas formas de organização econômica e política.
Há dois desdobramentos visíveis do Fórum: um que se consolida a partir de unidades territoriais ou nacionais, como os fóruns já existentes em 17 estados brasileiros e no projeto de um Fórum Nacional do Brasil; outro que tem caráter setorial, que se consolida em movimentos como o de ecologistas ou de mulheres, ou de populações indígenas, de luta pela paz.
Diante desse, quadro que lugar ocupa a educação? Esta pergunta esteve na origem do Fórum Mundial de Educação, promovido por iniciativa da SMED (Secretaria Municipal de Educação), com o apoio de organizações civis, sindicatos e universidades, em outubro de 2001. Esse evento reuniu mais de 15 mil pessoas e recebeu representações de 70 países, segundo dados oficias. O Fórum Mundial de Educação teve um espaço no Fórum Social Mundial através de uma conferência especial.
Nessa conferência, o professor Bernard Charlot, da Universidade de Paris, que foi um dos principais conferencistas do Fórum Mundial de Educação, apresentou uma síntese do mesmo. Estava na mesa também Marta Maffei, que participou do Fórum Mundial de Educação como painelista. Os outros palestrantes da mesa, ainda que tenham feito apresentações interessantes, não representavam o Fórum Mundial da Educação por nele não terem tido participação. A própria coordenação da mesa não foi feita por quem coordenou o Fórum. Tudo indica que o fato de o Fórum Mundial de Educação ter sido iniciativa de um órgão oficial e não de um fórum de entidades civis, como é o Fórum Social Mundial, limitou sua expressão dentro do FSM.
Além dessa conferência houve várias mesas sobre educação, muitas delas promovidas pela Faced/UFRGS. Essas atividades conseguiram colocar a educação na agenda do Fórum, mas ainda de forma tímida. Houve mesmo quem afirmasse na mesa da conferência especial que a educação está presente em todas as mesas e atividades do Fórum Social Mundial, sugerindo indiretamente que não se faz necessário que ela tenha um espaço próprio. Isso me parece muito grave. Há um desafio para que ampliemos o espaço da educação, que sem dúvida representa um campo de ação e reflexão específico mesmo se indissociável de todos os outros. Conforme as palavras de Bernard Charlot em sua fala sobre o Fórum Mundial de Educação, temos que construir “Uma educação democrática para um mundo solidário e uma educação solidária para um mundo democrático”.
Opinião
Cartas
Questão Palestina
Foi com desgosto e tristeza que li a carta enviada por Osvaldo S. Araújo e publicada por este jornal na edição de dezembro de 2001, na qual o autor referia, nas entrelinhas, que Israel, atuando como o “forte” estaria massacrando os palestinos, que seriam os “fracos”. Que fique claro que considero que ambos os lados cometem erros; porém, os palestinos não podem ser encarados apenas como vítimas – o que dizer dos atentados terroristas, onde civis israelenses são mortos? E os tantos soldados israelenses que são mortos cruelmente também pelos palestinos? Que fraco é esse, que tem atiradores de elite, que coloca suas crianças no front para matarem e morrerem e, assim manipular a mídia para o seu lado?Será realmente, que os palestinos são tão indefesos e coitadinhos como querem se fazer parecer?
Renata Faerman
Acadêmica de Medicina/UFRGS
Professores
Excelente o comentário da professora Merion, no Jornal de dezembro, sobre a ameaça na formação de professores.O assunto não deve sair da pauta e deve ser uma constante também na luta das entidades do movimento estudantil e dos docentesO DCE certamente terá que pauta-la num período próximo.Parabéns ao jornal, vem cumprindo bem sua missão institucional.
Edsel Ferri
Coordenador do DCE da UFRGS
Clonagem
Não concordamos com algumas afirmações do professor Francisco Salzano. Entre elas, quando diz que um conjunto de células que segue instruções químicas não é um indivíduo. Conforme pesquisas de Lejeune e outros, o zigoto, embrião unicelular, resultado da fusão do espermatozoide e do óvulo, já tem definida sua identidade e todas as características que o fazem uma pessoa, única e irrepetível. Em um processo irreversível, em cerca de 24 horas já está organizado um novo genoma, que contém todas as informações necessárias ao desenvolvimento desse novo ser humano. Sobre instruções químicas, elas são características também dos indivíduos adultos, e continuam aparecendo em muitos de seus processos, como, por exemplo, a memória.
Joaquim Blessmann
Professor aposentado da UFRGS
Armindo Trevisan
Sou professor aposentado da FMPA e acabei de ler no Jornal da Universidade a excelente entrevista feita pelo repórter Ademar Vargas de Freitas com o nosso caríssimo Armindo Trevisan. Cumprimentos pela maneira inteligente como foi conduzida, trazendo, inclusive, alguns fatos pouco conhecidos da vida do nosso caro professor.
Oly Lobato - Porto Alegre/RS
Opinião
Charge
"ELIS REGINA"
estrela já aos 20 anos
Era essa a idade dela ao tornar-se uma estrela
e mostrar que era a maior cantora
do Brasil.