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Jornal
da Universidade
– Na área das ciências biológicas o conhecimento do
genoma está se tornando um ponto central?
Gabriel Macaya Trejos – Sim, e esta pergunta admite duas respostas.
Primeiro: poderia se pensar que está sendo tocado o essencial do
ser humano. Segundo, porque conhecendo o genoma pode-se começar
a fazer perguntas que, até muito recentemente, não poderiam
ser feitas. Então, para mim, são duas questões: algo
que o classificaria como quase místico e, outro, muito real. Pode-se
fazer perguntas relativas a doenças, ao desenvolvimento e a temas
mais complexos.
JU
– De que maneira o senhor vem direcionando seu trabalho de pesquisa?
Macaya - Durante meu doutorado, em 1972, comecei a trabalhar e
a testar a estrutura cromossômica de mamíferos. Foi um período
de estudante muito apaixonante, porque tive a oportunidade de ser testemunha
do nascimento do que chamam engenharia genética, em Paris, a partir
de 1970. Participei de reuniões onde todas as descobertas eram
apresentadas. Nesse mesmo período, me sensibilizou o nascimento
da oposição à engenharia genética que, no
meu grupo, foi tão forte, que fez com que fosse mudada a orientação
da minha tese. Inicialmente estava orientado mais para este setor, mas
resultou em um trabalho mais descritivo, já que, no Instituto em
que estudava, em Paris, as tensões provocadas pela engenharia genética,
e por seus possíveis riscos, eram muito fortes. Esse momento foi
muito importante e eu gostaria de vê-lo repetido: a comunidade científica
se detéve, refletiu, discutiu e tomou decisões. Atualmente,
parece que diante de temas tão complexos como clonagem com fins
reprodutivos, veríamos repetida a mesma situação
vivida em 1970 pela comunidade científica quando, durante um ano
completo, os cientistas disseram: “Não faremos nada”. E esta decisão
se cumpriu. Foi feita um reflexão e veio a famosa Conferência
de Asilomar onde se definiu o que seria, ou não seria, feito pelos
cientistas.
JU
– Como o senhor vê a evolução do sentimento da comunidade
científica em relação à engenharia genética,
ou seja, quais eram os temores na década de 70, e quais são
os temores de hoje relativos a questões mais atuais como, por exemplo,
a clonagem humana?
Macaya - Em 1972, os resultados da ciência estavam avançando
muito rapidamente e deixando para trás a sociedade, que não
se preparara para os avanços e que não entendia os novos
conceitos. Fiz parte de um grupo nos anos 80, que se chamava Comitê
de Experimentação Genética, ligado ao Conselho Internacional
de Uniões Científicas. Esse comitê começou
a propor ações importantes num esforço da comunidade
científica por divulgar, não vulgarizar, e formar opiniões
sobre os problemas éticos e científicos, e sobre as perspectivas,
sobre a tecnologia. Foi feita uma campanha de formação de
jornalistas, para que soubessem informar e entender os debates. Agora,
estamos de novo, exatamente, com os mesmos problemas e não estamos
preparados para enfrentá-los. Quando lemos as barbaridades que
são publicadas na imprensa nos assustamos porque estamos tratando
de temas muito complexos. Os medos não mudaram, são os mesmos
de sempre, ligados ao desconhecimento. Se há algo que dá
medo é o desconhecido.
JU
– Este medo afeta somente a sociedade em geral ou também a comunidade
científica? Há uma distinção entre os medos
de alguém que conhece, ou que detém a informação,
mas pode ainda não ter refletido sobre este temor, e o medo de
quem conhece pouco ou nada a respeito do assunto?
Macaya - Se alguém conhece o tema, a reação
que terá não é a de medo. É de precaução,
de risco. Se não conhece, bem, aí sim será uma reação
de medo. Por isso, eu acho que o “Princípio da Precaução”,
muito importante para a ética na pesquisa, é muito sólido,
mas muito manipulado também. Lucidamente, em 1972, por exemplo,
usando este princípio de precaução, se dizia: “Sobre
este tema não há conhecimento suficiente. Não se
trabalha nele até que se consiga este conhecimento.” E, apesar
deste conhecimento ter sido obtido, não se trabalhou, até
o momento. Com este argumento, adiou-se por mais de 20 anos a construção
de híbridos de oncogenes e bactérias. Só muito recentemente
se começou a fazer isto. Para mim, há uma diferença
entre risco e medo.
JU
- A imprensa não especializada difundiu que com o estudo do genoma
estava sendo decifrado o livro da vida e que o homem passava a brincar
de Deus. Até que ponto estas expressões são verdadeiras
ou, ao contrário, facilitam a mistificação de que
os cientistas estão descobrindo um segredo proibido?
Macaya - Tratar de entender a vida ou o funcionamento de um ser
vivo parece ter sido uma aspiração da humanidade durante
toda a história dos seres humanos. Sempre se buscou entender. Hoje,
não vamos pensar diferente. Crer que conhecendo a seqüência
do genoma humano vamos entender a vida, o funcionamento do ser humano,
é uma arrogância que, muito rapidamente, se revelará
falsa. O trabalho que existe pela frente para poder se entender como funciona
um ser vivo é gigantesco. Só que, agora, as bases são
mais sólidas para fazê-lo. Temos aí uma peça
a mais do quebra-cabeças, mas ainda faltam muitas.
JU –
Então o senhor diria que o “mistério” está só
começando?
Macaya - O problema não é um mistério, e aqui
entramos num campo muito complexo. Para mim, a vida não é
mais que uma série de processos físicos e químicos.
Não é nada mais. Nem antes, nem depois.
JU
– Qual será o grau do impacto que o conhecimento do genoma humano
terá na medicina do século XXI e de que forma será
sentido este impacto?
Macaya - A medicina do século XXI não será
como se acreditava – a medicina que se chama genômica, ligada ao
conhecimento da seqüência do genoma humano – mas estará
ligada a outro campo, mais novo, que se chama proteômica – que é
a organização e o funcionamento das proteínas. Talvez
isto seja o mais apaixonante, porque não há, até
este momento, uma relação entre a seqüência gênica
e a estrutura tridimensional da proteína, o que faz, finalmente,
com que a proteína funcione de uma forma e não de outra.
Estamos dando um primeiro passo, que é o de conhecer o fenômeno.
Vamos conquistar grandes avanços em diagnóstico, suscetibilidades
de doenças, etc. Porém, enquanto não avançarmos
na proteônica, não avançaremos em tratamentos, mas
apenas em diagnósticos. Esta é uma diferença fundamental.
Em algumas doenças se poderá chegar a uma possível
correção.
JU
– Isto agrega um outro tema: o do desconforto de conhecer sem poder fazer
nada. Por exemplo: ter que se dizer a um paciente que ele está
acometido de uma tal enfermidade, mas que ainda não podemos lhe
oferecer nada para encaminhar a cura. Isto não causa ao cientista
um desconforto muito sério?
Macaya - Tenho uma posição ética, não
compartilhada por muita gente. Eu preferiria saber acerca dos riscos e
preparar-me, do que desconhecê-los. Se tiver uma doença no
futuro, mesmo que os médicos não tenham o que oferecer em
tratamento, prefiro preparar-me psicologicamente, a simplesmente desconhecer
o fato.
JU –
Na sua opinião a engenharia genética e a genômica
têm permitido, ou facilitado, um maior interesse pela ética
do que pela ciência?
Macaya - Eu esperava mais interesse pela ética na ciência
através da engenharia genética e da genômica. O exemplo
mais importante é que no orçamento do projeto Genoma Humano
norte-americano havia uma porcentagem de 5% a 6 % dedicada aos problemas
chamados sociais. Diante da importância que teriam esses problemas,
5% a 6% do orçamento do projeto eram ridículos. Creio que
faltou um esforço internacional para trazer maior clareza aos problemas
da sociedade ligados ao Projeto Genoma Humano. Por muitas razões,
um jogo comercial muito forte criou uma expectativa maior do que realmente
se poderia esperar: a Engenharia genética passou a ser um negócio
fantástico. Porém, é muito delicado criar essas expectativas.
Podemos dizer qual é a doença, sua cura, não. Nem
sequer entendemos porque se adoece. Então, aí faltou um
esforço maior de fazer com que esses problemas e debates se tornassem
mais aparentes e mais claros. Por isso há pessoas, entre as quais
eu me incluo, e há outras dentro desta universidade que, quando
há uma reunião como esta dentro de uma universidade, querem
ouvir sobre o genoma humano. Com muito prazer, me disponho a falar sobre
o que sei sobre o assunto para desmistificar e demitificá-lo para
que entendamos os seus temas e problemas centrais. Tenho esta pretensão.
JU
– Como o senhor vê a questão das patentes?
Macaya - As patentes são um tema que já não
se discute mais. Porque, se há algo que é um fracasso, é
a concepção de patente. A patente era um sistema para quê?
Poderias compartilhar um conhecimento, guardando os direitos sobre a utilização
deste conhecimento. Hoje, não se patenteia mais porque não
se quer mais compartilhar conhecimento. Então, se usa o que se
chama segredo comercial. As patentes continuam a ser importantes. Mas
mais importantes são os segredos comerciais, os segredos industriais,
os segredos de processo. Isto levou ao fato de que muitas informação
deixou de circular. E isto é muito ruim, porque passamos a ir às
reuniões científicas, onde se apresentavam resultados, e,
de repente, havia um vácuo de informação. Perguntava-se
“por quê”? E a resposta era: “Não posso comentar. Isto tem
valor estratégico, comercial e o contrato não permite que
falemos”. É impressionante. A informação começou
a reduzir-se. E continua sendo assim. É um problema cada vez mais
complicado. Existem muitos resultados que sabemos que existem, mas não
são publicados nem compartilhados.
JU
– Como a comunidade científica pode refletir a respeito disso?
Uma comunidade que sempre trabalhou com produção de conhecimento
e com a sua discussão imediata para um avanço, agora não
discute mais nada, não apresenta mais nada. Quer dizer: poucos
conhecem um resultado, e isto não é exposto a novas opiniões
ou examinado por outros ângulos. Além da humanidade, a própria
ciência não perde com isso?
Macaya – Esse é o problema central. Concordo plenamente
com esta análise. A ciência perde com isso. Justamente a
única garantia que se tinha a respeito do avanço da ciência
era esse escrutínio aberto. No momento que esse escrutínio
aberto começou a desaparecer, deveríamos ter buscado mecanismos
para substituí-lo. Mas não é o que está acontecendo.
E isso é muito grave.
JU
– Como é o financiamento da pesquisa científica na Costa
Rica, e como se faz para trabalhar em genômica?
Macaya - A pesquisa científica está num percentual
muito alto nas universidades da Costa Rica. Foi o que revelou um estudo
feito pela Fundação Internacional para a Ciência –
IFS, com sede na Suécia, sobre a ciência na América
Central, que cobria as ciências básicas – Ciências
da Saúde, Medicina, Agronomia e outras. Da produção
científica centro-americana, 70% vêm das universidades da
Costa Rica.Desses 70%, a metade é originada na Universidade da
Costa Rica. Como é o financiamento? Um terço dos recursos
para pesquisa científica é financiado pela Universidade
e 2/3 são provenientes de recursos externos. A genômica na
Costa Rica é resultado de um trabalho feito por uma rede de grupos
estabelecida graças a um esforço de um núcleo fundamental,
que é o Centro de Pesquisa em Biologia Celular e Molecular, criado
em 1977, pela Universidade. Naquele momento, isso era um luxo para um
país como a Costa Rica, mas houve alguém, ou um grupo, com
audácia e clarividência para encará-lo. Foi um movimento
antecipatório. Aliás, esta é uma das funções
da universidade que está sendo esquecida. A universidade tem duas
responsabilidades, mas geralmente se exige uma e não se vê
a outra. Ela tem de responder às necessidades e ao desenvolvimento
do país; porém, também tem de manter uma base genérica
de conhecimentos, de atividades que não têm relação
direta com a conjuntura e que é uma preparação ao
futuro. Isso é fundamental, e se tem esquecido. A Universidade
da Costa Rica, em 1977, investiu em biologia celular e molecular e, então,
quando vieram os processos de seqüenciamento, a genômica etc.,
pudemos, com as colaborações adequadas, nos inserir e trabalhar.
E já temos resultados que, para um país como a Costa Rica,
eram impensáveis, como sítios genômicos patenteados.
JU
– O senhor poderia citar um exemplo?
Macaya - A Costa Rica deu um exemplo único, que gosto de
citar, porque continua sendo único. No início dos trabalhos
sérios de genética molecular e genômica, em 1976,
descobriu-se um tipo de surdez hereditária numa população
muito concentrada, em que o número de surdos era muito alto. O
trabalho iniciou-se pela genética tradicional, a fisiologia, a
medicina, e foi avançando até chegar aos genes. Este foi
o instrumento para desenvolver toda a tecnologia até se chegar
a reconhecer o gene, isolá-lo, reconhecer a proteína mutada,
e descobrir um modelo diferente de surdez. Porém, mesmo com todo
este desenvolvimento, mantinha-se uma situação catastrófica:
ter de dizer a um jovem que, aos 16 anos, ele ficará surdo. Este
é um tipo de surdez muito interessante, porque tem uma aparição
tardia, ao final da adolescência. Então, os afetados aprendem
a falar corretamente; isso se chama surdez pós-lingüística.
Aprende-se a falar corretamente e logo depois deixa-se de ouvir. Mais
tarde, fizemos um trabalho muito mais completo, estudando a genética
do maníaco-depressivo, ou enfermidade bipolar, sempre em associação
com grupos norte-americanos com financiamento do NIH; mas o essencial
era feito na Costa Rica. Neste trabalho da enfermidade bipolar, localizou-se
o sítio cromossômico para a doença maníaco-depressiva
e se patenteou a descoberta. Os doentes que contribuíram com o
trabalho fazem parte de uma associação que é beneficiária
de 1/3 da patente. Esse é o único caso no mundo. Assim,
um patenteamento bem pensado pode ser positivo, por isso sempre o cito
como exemplo. Beneficia a empresa, a universidade e os doentes. Eu mesmo
entreguei à associação de doentes, cheques provenientes
de royalties. Agora, o mesmo grupo está trabalhando com esquizofrênicos
e já tem resultados.
JU
– Como a Costa Rica maneja a parte de ética da pesquisa que envolve
seres humanos?
Macaya – Esse é um trabalho enorme. E, novamente vem “de
baixo”. Um grupo pequeno de pesquisadores que estudava esse tema decidiu
criar seu próprio grupo de bioética. Convidamos professores
de filosofia e começamos a construí-lo. E antes de sair
a lei, já tínhamos um comitê funcionando. Depois foi
muito fácil de participar na regulamentação e na
elaboração dos projetos de lei. O Senado e a Assembléia
Legislativa tardaram muito em concordar sobre uma lei, de modo que as
instituições desenvolveram seus próprios regulamentos.
Foi o primeiro comitê auto-regulamentado.
JU
– Como o reitorado afetou a vida do pesquisador?
Macaya – Apesar de ocupar um cargo administrativo, ainda produzo
trabalhos científicos. Claro, do total da minha produção
científica, 75% foi antes de ser reitor, e 25% desde então.
Como manter o pesquisador ativo? Primeiro, participando de, ou organizando,
colóquios internacionais. A cada dois anos fazemos na Costa Rica
um simpósio com a Sociedade Internacional de Evolução
Molecular (já fizemos cinco), sempre incluindo, direta ou indiretamente,
temas sociais. Outra atividade é participar dos conselhos editoriais
de algumas revistas especializadas. Espero voltar ao laboratório
dentro de uns dois anos.
JU – E como é, para a Universidade, ter um cientista como
reitor?
Macaya – É muito complicado. Procuro, como reitor, ser o
mais equilibrado possível, não privilegiando uma área
em detrimento de outra, já que a universidade tem de avançar
em todas as frentes.
JU
– A Universidade da Costa Rica está trabalhando numa cultura de
desenvolvimento sustentável como uma coisa formal ou isto é
uma coisa de poucas pessoas?
Macaya - Há um trabalho em várias frentes na Universidade
da Costa Rica para promover uma nova cultura entre os alunos. Certos temas
fundamentais se introduzem horizontalmente em toda a formação.
Durante o primeiro ano de estudo, todos os alunos recebem um mesmo programa
de Humanidades em todos os cursos, com disciplinas como Filosofia, História,
Linguagem. A seguir, também estudam ciências básicas:
Ciências Sociais, Física, Química, Biologia, Sociologia,
Antropologia. Esse é o primeiro momento para introduzir temas transversais,
como direitos humanos, bioética, igualdade de gênero, integração
de deficientes e desenvolvimento sustentável. Com se faz isso?
Fazemos bem? Não sei. Mas se faz. Temos outro mecanismo, único
na universidade. A partir do terceiro ano do curso escolhido, quer dizer,
mais ou menos a partir da sua metade, os alunos participam de trabalhos
comunitários-universitários, com uma carga horária
de 300 horas/aluno, em um projeto interdisciplinar. Alunos de todos os
cursos fazem isto, são mais ou menos 800 mil horas/estudante por
ano de trabalhos dedicados à comunidade. Esse trabalho sempre termina
com um Seminário de Realidade Nacional. Isto é feito desde
1974 e a atividade foi, recentemente, avaliada por um comitê externo,
da UNICEF. A avaliação foi estupenda. Foram apontadas muitas
coisas boas, e algumas erradas, que estavam sendo feitas.
JU
– Como a população vê essa prática?
Macaya - Depende muito. Porque tem uma parte da população,
tanto fora como dentro da universidade, que tem uma tendência a
vê-la como mão de obra barata. E aí há um conflito
permanente quando não se aprovam trabalhos comunitários-
universitários que são mão de obra barata. Por exemplo:
um órgão do Estado necessita fazer uma grande pesquisa.
Então, convoca os estudantes universitários como mão
de obra barata para trabalhar nesta pesquisa sobre qualquer coisa. A partir
daí, criamos um projeto que prepara o estudante e paga o professor.
É um projeto que também traz dinheiro para a universidade,
e assim todos ganham.
JU
– Dessa forma a universidade participa e está inserida na sociedade
que, afinal, é quem paga para que os estudantes e os professores
possam prestar esses serviços, concorda?
Macaya – Há uma coisa que ainda não está bem.
Trabalho comunitário-universitário é uma via de mão-dupla.
É a universidade atuando e aprendendo. No momento há mais
ação do que aprendizado.
JU
– Por quê? O que falta?
Macaya – Maior preparação. Não há uma
conscientização suficiente desse trabalho nas próprias
comunidades. Quase sempre é uma interação comunidade-universidade
muito embasada nos interesses da universidade. A universidade precisaria
ir mais longe, precisa aprender as necessidades da comunidade e desenvolver
seus programas.
JU – Qual o principal desafio da universidade pública?
Macaya - O principal desafio da universidade pública é
continuar sendo pública. Se pensamos que a universidade é
apenas um mecanismo de formação de profissionais, estamos
mal. A universidade pública é mais do que isso. Primeiro,
eu acredito que ela é fundamental para o que eu chamo de uma reserva
para o futuro. É a instituição que tem de garantir
a possibilidade das mudanças necessárias à sociedade.
Não me pergunte quais são elas. Porém, temos que
ter a capacidade de reagir adequadamente no momento oportuno, e não,
como dizem alguns, para prever o futuro. Há um interesse e um compromisso
que vão além da conjuntura, do governo e do reitor. É
o compromisso de criar mecanismos para obter respostas adequadas em momentos
adequados a problemas que sequer imaginamos agora. Isto é o que
faz uma universidade pública.
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