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Desempenho
melhor
Nesta edição, o Jornal da Universidade
traz, na página 3, uma reportagem sobre os indicadores de desempenho
que mostram a contribuição das IFES à sociedade
brasileira. Dados referentes ao período de 1995 a 2000 revelam
o desempenho crescente das instituições federais de ensino
superior nos mais variados aspectos. A conversa que a reitora da Universidade
Federal de Juiz de Fora, Maria Margarida Martins Salomão, teve
com pró-reitores e diretores de unidades da UFRGS está
na página 4. Ela nos diz que a “autonomia é a questão-mestra
das universidades federais”. Na página 5, a comunidade universitária
discute anteprojeto de lei orgânica da autonomia, com a presença
do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Rodolfo Pinto da
Luz. A Andifes relança a discussão e quer fechar documento
que sirva de base para a interlocução com entidades representativas
e atuais e futuros governantes.
Na página 6, o Jornal da Universidade traz matéria sobre
a audiência pública realizada na Câmara dos Deputados
para discutir o plano da OMC para reduzir o ensino superior a mercadoria.
No dia 18 de junho a reportagem do jornal esteve cobrindo a audiência
em Brasília. Deputados, dirigentes universitários, professores,
estudantes e sindicalistas do setor de ensino superior discutiram a
intenção da OMC. A reitora da UFRGS, Wrana Maria Panizzi,
presente no ato, afirmou que a educação tem que ser instrumento
capaz de gerar riqueza material e moral e espera ver todos os segmentos
da cidadania discutindo a questão.
O “Modelo econômico e instabilidade financeiras limitam retomada
do crescimento”, é o tema da página 7. A matéria
procura explicar de maneira mais acessível e menos assustadora
assuntos como a disparada do dólar, a argentinização
e o RiscoBrasil. Na página central, o reitor da Universidade
da Costa Rica, Gabriel Macaya Trejos, diz que “se há algo que
dá medo é o desconhecido”. Especialista em Biologia Molecular,
ele fala sobre sua especialidade e sobre o posicionamento dos cientistas
e da sociedade em geral diante dos interesses estratégicos e
econômicos que se abrem e dos interesses sociais que se fecham.
“Crer que, conhecendo a seqüência do genoma humano, vamos
estudar a vida, o funcionamento humano, é uma arrogância
que, muito rapidamente, se revelará falsa”.
Na página 10, em Destaques, “Produtos desenvolvidos com apoio
da Universidade são premiados pela Fiergs”. Pesquisadores e bolsistas
da UFRGS ajudam empresas gaúchas no desenvolvimento de produtos
que são agraciados com o prêmio Distinção
Indústria 2002. Na página 11, está a reportagem
sobre o êxito da Universidade na pesquisa de eletroforese capilar,
ao longo dez anos de trabalho no Departamento de Biofísica do
Instituto de Biociências. Também na página 11, está
a cerimônia de entrega de um microônibus ao Instituto de
Biociências, com a presença do professor Francisco César
Sá Barreto, secretário da Sesu.
Na página 12, “Problemas da citricultura gaúcha são
discutidos em ciclos de palestras”. É o registro de mais um encontro
entre especialistas e produtores na tentativa de ampliar as possibilidades
de informações quanto a práticas culturais do setor
da citricultura. Ainda na 12, a II Semana do Conselho de Saúde
aponta alternativas para a qualidade de vida dos servidores da UFRGS,
reduzindo o risco de acidentes e de doenças ocupacionais. As
“Reformas nos RUs facilitam a vida dos estudantes”, está na página
13.
Em cultura, páginas 14 e 15, “Sérgio Augusto põe
para rodar seu lado B”: a Editora Record lança a primeira coletânea
de textos do erudito e malemolente jornalista carioca. E também
“Anos 60: surge a geração de ouro”, uma entrevista exclusiva
com o jornalista, pesquisador e produtor musical Zuza Homem de Mello,
que fala sobre seu próximo livro, A era dos festivais,em fase
de finalização.
Boa Leitura!
TOPO
CAPA
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Vencendo
o desafio de melhorar e crescer, mas...
WRANA MARIA PANIZZI Reitora
A
Associação
Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
Superior (Andifes) apresentou há poucos dias, ao Congresso Nacional,
o documento “Indicadores de Desempenho das Instituições
Federais de Ensino Superior”. Trata-se de uma avaliação
abrangente do desempenho acadêmico das 52 instituições
do nosso sistema público de ensino superior entre os anos de 1995
e 2000. A leitura dos dados ali criteriosamente reunidos nos mostra que
o sistema venceu o desafio de melhorar e crescer em um contexto marcado
por acentuada redução de investimentos. No período
considerado, apenas para citar alguns dados, o número de vagas
oferecidas em cursos noturnos cresceu quase 100% na pós-graduação
– e o número de professores com doutorado cresceu 56%. Nos mesmos
anos, o sistema dispôs de recursos cada vez menores para investimento
e custeio. No ano 2000, o investimento realizado em nossas universidades,
sem contar os hospitais universitários, representou apenas 55%
do total investido em 1995. O sistema viu diminuir também, de maneira
considerável, seu quadro de professores e de técnicos-administrativos.
A recente abertura de vagas para concursos apenas diminuiu nosso déficit
de professores, estimado hoje em cerca de 7 mil docentes.
Os avanços verificados neste período são portanto,
antes de tudo, uma demonstração do empenho e da qualidade
de nossos estudantes, professores e ténicos-administrativos. Ao
não ceder à tentação das explicações
fáceis para os nossos problemas, eles de fato estreitam os laços
da Universidade com a sociedade.
É de se notar que, apesar do esforço de crescimento desenvolvido
pelo sistema público de ensino superior nos últimos anos,
muitos brasileiros ainda ou não conseguem ingressar numa universidade
pública ou não têm recursos para pagar seus estudos.
Seria este afinal um problema das universidades ou das políticas
públicas? O recente Censo do Ensino Superior (INEP/MEC, 2001) nos
apresenta um dado que, penso, pode nos ajudar a responder tal questão:
do número total de vagas oferecidas pelas universidades privadas
em todo Brasil, cerca de 1/3 não são ocupadas.
Em um país profundamente marcado pela desigualdade social, muitos
de nossos jovens têm encontrado dificuldades para levar adiante
seus estudos até mesmo quando ingressam em uma universidade pública.
A sociedade precisa compreender que, se as restrições hoje
impostas a nossas universidades ainda não as impediriam de melhorar
e crescer, elas têm impossibilitado a realização de
importantes investimentos, que poderiam beneficiar a milhares de jovens,
que hoje estão à margem do ensino superior. Diante deste
quadro, cabe a sociedade analisar o trabalho desenvolvido por nossas universidades
e avaliar se elas, como pensam alguns, de fato são um “fardo” para
o país.
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Autonomia
universitária. Novamente?
Rodolfo Joaquim Pinto da Luz - Reitor da Universidade Federal
de Santa Catarina
Em
5 de outubro de 1988 pensávamos que o tema sairia da pauta de discussões,
pois fora promulgada a Constituição do Brasil, que assegurava
no seu art. 207 a autonomia das universidades. A ascensão ao status
constitucional, preconizada por toda comunidade universitária,
representada pelo CRUB, ANDES, FASUBRA, UNE e tantas outras entidades
representativas, devera-se ao fato de que a legislação educacional
desde 1911, quando ainda nem havia universidade no Brasil - repetida em
1931, inscrita na LDB de 1961, reiterada na Lei nº 5540/68 e em outros
instrumentos normativos - não garantira a autonomia, e esta, a
cada ano, ficava mais restrita. Nos anos seguintes debateu-se a nova LDB,
finalmente aprovada em 1996, cujo projeto aprovado pelo Senado desconsiderou
o que fora largamente debatido e aprovado pela Câmara, mas mesmo
assim lá está, nos arts. 53 e 54, a autonomia. No decorrer
deste período e logo após, foram feitas várias tentativas
de regulamentação em Lei como o PLC – 119/92 e emendas constitucionais,
como o PEC 233/95 e 370/96.
Entretanto, as restrições à autonomia, principalmente,
administrativas, financeiras e orçamentárias somente cresceram
após a Constituição. Hoje, todas as decisões
sobre pessoal são tomadas pelo Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão. Até a definição
da classe em que se permite concurso público de professor, o Ministério
da Educação e o Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão precisam autorizar. Mesmo a autorização
da contratação de um eventual professor substituto depende
de Brasília. No campo orçamentário e financeiro,
o SIAFI controla e limita tudo. Até a inclusão no orçamento
da arrecadação própria das universidades fica dependente
de Brasília. E não é raro que convênios firmados
no final do ano não conseguem ser executados por falta de inclusão
no orçamento. - As restrições são intermináveis,
afetando o funcionamento das universidades, motivando que a ANDIFES aprovasse
em 1/10/96 o Anteprojeto de Lei Orgânica da Educação
Superior, após inúmeros debates, inclusive em reuniões
plenárias integralmente dedicadas ao tema desde a sua criação
em 1990. Após a edição da nova LDB, em dezembro de
1996, a ANDIFES reformulou o Projeto em 1999, direcionando-o para a autonomia
das IFES, e no momento, atualizou-o, para submetê-lo a novo debate
na comunidade universitária, visando discuti-lo com o novo governo.
O Anteprojeto fundamenta-se em princípios que têm sido reiteradamente
aceitos pela maioria dos dirigentes universitários. Nele destacamos,
em primeiro lugar, a instituição legal de ente jurídico
próprio, denominado Universidade Pública Federal, integrante
do Estado Nacional, revestido de personalidade jurídica de direito
público interno, como forma de organização da Universidade
Pública Federal, titular das prerrogativas de autonomia estabelecidas
pelo art. 207 da Constituição Federal. Também, a
instituição legal do Sistema de Instituições
Federais de Ensino Superior, constituído pelas instituições
federais de educação superior criadas, instituídas
ou mantidas pela União, coordenado por um Conselho Superior, integrado
por representantes das administrações das IFES, do poder
executivo federal, da sociedade e do mundo da ciência. É
essencial a manutenção do sistema federal, para assegurar
o desenvolvimento regional do país.
Tais pressupostos implicam, também, o financiamento público,
conforme assegura a Constituição Federal, com garantia de
investimento do Estado na manutenção e desenvolvimento das
universidades públicas. Condição que deve estar acima
da fixação ou não de um percentual de disponibilidade
constitucional de 18% para a educação – admitindo-se o mínimo
de 75% deste montante de recursos. Percentual este que exige muita cautela
na sua fixação, pois as constantes alterações
do sistema tributário nacional, aumentando a arrecadação
por meio de contribuições, ao invés de impostos,
e a desvinculação de receitas - como ocorreu com o Fundo
de Estabilização Fiscal -, podem abalar qualquer vinculação.
Acima de tudo, devemos ter consciência e alertar a sociedade que
as universidades públicas estão sendo estranguladas pela
manietação burocrática-legal a que estão submetidas,
impedidas de crescer, e tornando-se inadministráveis. As fundações
de apoio às universidades constituíram um paliativo necessário,
mas não suficiente para resolver as questões impostas pelas
relações das instituições com o setor produtivo
e o setor público, mas sua intermediação vem sendo
questionada, e o modelo está se esgotando, limitando cada vez mais
a mobilidade das universidades públicas. Assim, sem uma autonomia
calcada em um arcabouço legal que conceda as faculdades e os institutos
jurídicos capazes de permitir maior autonomia e flexibilidade na
gestão de seus recursos, as universidades públicas serão
inviáveis em futuro próximo. Por isso, a autonomia para
as IFES deve assegurar um orçamento flexível, a possibilidade
de contratar pessoal temporário, em regime celetista, para desenvolvimento
de projetos, de contratar e prestar serviços com agilidade, de
investir recursos próprios com autonomia, e a complementação
salarial de seu pessoal por meio de recursos de origem extra-orçamentária.
Principalmente, é necessário que sejamos capazes de mostrar
à sociedade, legítima mantenedora das universidades públicas,
que a autonomia que buscamos deverá reforçar a sua pertinência,
assegurando a sua capacidade de contribuir para o equilíbrio democrático
e social e de investir no futuro da sociedade que a mantém, tanto
no que concerne aos desafios científicos e tecnológicos,
quanto na busca de melhores mecanismos de distribuição do
conhecimento e de justiça social.
TOPO
CAPA
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CARTAS
Penta
Não quero chover no molhado, mas a vitória da Seleção
Brasileira na Copa do Mundo 2002, contra todas as expectativas dos “cronistas
esportivos” do Rio e de São Paulo, foi uma resposta da perseverança,
do trabalho disciplinado e da inteligência tática de Luiz
Felipe Scolari. Ele provou que, acrescentando disciplina e solidariedade
à criatividade e ao talento de tanta gente boa, como Ronaldo, Ronaldinho
Gaúcho, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu e seus irmãos, é
possível chegar ao objetivo final, mesmo que o time não
seja arrasador. Desde que se conheça e saiba usar na hora certa,
o que cada jogador pode oferecer. Felipão teve sucesso na campanha,
em primeiro lugar, por acreditar no apaziguamento da equipe, na generosidade
na hora de passar a bola e no espírito de conjunto. Portanto, fez
bem em não convocar Romário, que, embora seja um jogador
de talento, não se enquadraria nessa equipe por ser indisciplinado
(e indisciplinável). Parabéns Felipão, você
tinha razão. E, como disse Ronadinho, agora é comemorar.
Quem não acreditou, que chore agora, ou faça como alguns
estão fazendo: ajeite a saia e declare que torcia por Felipão
desde o começo.
MÁRCIO DE SOUZA GENTILE
Porto Alegre
Jornal
O objetivo desta carta é o de manifestar minha admiração
pelo Jornal da Universidade. Confesso, não sei a circulação
que o mesmo tem. Mas, salvo melhor juízo, acredito deveria ser
maior, bem maior, pois seu conteúdo traz matérias da maior
importância sobre a instrução superior em nosso Estado
e sobre o quanto o Governo deve ao mesmo, em termos de um apoio mais concreto,
que se expressasse num quantum maior, bem maior de verbas, que ensejasse
à mesma remunerar melhor seus professores e funcionários.
Não apenas para evitar greves, mas também, para aplicar
o dinheiro em investimentos para o setor de pesquisas, à semelhança
dos países de primeiro mundo, nos quais os centros universitários
são os que mais pesquisam em seus extraordinários bem montados
laboratórios. Gostaria, ainda, de destacar temas como “Repúdio
às tentativas da Organização Mundial do Comércio”,
“As Universidades devem se manifestar, fazer pressão, Estamos vivendo
um período de obscurantismo”, “Globalização tende
a empobrecer os povos do Terceiro Mundo” e, no Espaço da Reitora,
o excelente “Os problemas dos outros também são os nossos”,
da reitora Wrana Maria Panizzi. Todos dimensionando a importância
da Universidade.
DJALMA BEYER
Porto Alegre
TOPO
CAPA
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