Jornal da Universidade

Universidade obtèm êxito na pesquisa da eletroforese capilar
Instituto de Biociências recebe micro-ônibus e equipamentos ópiticos
"Valeu a pena, um ano de espera"

Universidade obtém êxito na pesquisa da eletrosorefe capilar
CARLA FELTEN Jornalista

Pesquisadores e alunos da UFRGS comemoram os resultados obtidos em dez anos de pesquisa da técnica de eletroforese capilar, que rendeu duas patentes, publicações, formação de recursos humanos e aplicações em
trabalhos de colaboração até com universidades de outros estados
.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul tornou-se pioneira no Brasil ao introduzir, há dez anos, a técnica de eletroforese capilar. A idéia partiu do professor do Instituto de Física Hans Peter Grieneisen e teve continuidade com o trabalho de mestrado do professor do Departamento de Biofísica do Instituto de Biociências Tarso Ledur Kist, que foi o primeiro aluno a ser formado nessa técnica na UFRGS. Kist teve a co-orientação do professor do Departamento de Bioquímica e do Centro de Biotecnologia Carlos Termignoni.
A técnica da eletroforese capilar é usada para analisar os íons e moléculas presentes em baixas concentrações em diversas amostras líquidas. Para tanto, bastam alguns microlitros (milionésima parte do litro) de amostra, o que permite ampla aplicação na Química, Bioquímica, Biotecnologia, Agronomia, Farmácia. Além disso, é usada numa das etapas do seqüenciamento do DNA – leitura da seqüência de bases A, C, G e T – ao longo da molécula de DNA.
Um dos principais objetivos da pesquisa básica na eletroforese capilar é agilizar o seqüenciamento do DNA. Para se ter uma idéia do tempo gasto, se um operador seqüenciasse o genoma humano em uma única máquina, levaria mais de mil anos para concluir o trabalho da eletroforese. Segundo Kist, isso mostra o quanto a tecnologia ainda precisa ser desenvolvida.
No momento, o que os cientistas buscam é aumentar a velocidade do seqüenciamento, mas a limitação está justamente na etapa da eletroforese capilar. “O sonho dos pesquisadores é poder realizar o seqüenciamento de um genoma, por exemplo o genoma humano, no período de alguns dias”, diz Kist.
A técnica realizada na UFRGS constitui-se da separação de moléculas em laboratório, por diferença de mobilidade eletroforética, pelas diferentes velocidades de migração num campo elétrico aplicado em uma solução. Esse trabalho envolve esforço e qualificação dos profissionais. Primeiro, porque a tecnologia usada é sofisticada e complexa.
“É necessário várias tecnologias juntas para a detecção florescente de poucas moléculas”, diz Kist. Também é preciso dominar a química de marcação de moléculas. A maioria das moléculas não exibe fluorescência significativa quando iluminadas por luz visível ou ultra-violeta. Por isso, se provoca uma pequena reação química, com a molécula alvo gerando um derivado bastante fluorescente que é facilmente registrado pelos detectores ópticos que podem perceber poucos fótons.
A parte computacional também é importante para a aquisição e processamento de dados. Além disso, os profissionais precisam ter domínio da tecnologia ao manipular em laboratório fontes de alta voltagem, que podem chegar a 30 mil volts. “O trabalho exige alta qualificação, principalmente em Computação, Física, Química, Ciência dos Materiais e Biologia Molecular”, diz Kist.
A vantagem da eletroforese capilar em relação à eletroforese em gel – técnica manual de seqüenciamento – é permitir um seqüenciamento de DNA mais rápido, com menos manipulações e sem o risco de lidar com radioisótopos. Enquanto a eletroforese capilar lê cerca de mil bases por capilar – tubinho de sílica fundida com 40 cm de cumprimento, 150 micrômetros de diâmetro externo e 50 micrômetros de diâmetro interno – entre uma ou duas horas, a eletroforese de gel permite no máximo o seqüenciamento de 500 bases e requer várias horas de trabalho.
Mas, para Kist, a maior vantagem é a diferença de resultados obtidos entre a técnica manual e a automatizada. No método capilar é possível ler 96 amostras simultaneamente, usando 96 capilares. Já no método manual, esse número cai para cerca de 20 amostras. O trabalho consiste em preencher o capilar com solução aquosa, introduzir as extremidades em dois frascos contendo soluções aquosas e aplicar uma diferença de potencial. Com o campo aplicado, as moléculas carregadas começam a migrar ao longo do capilar. À medida que as moléculas chegam ao outro extremo, vão sendo identificadas por um detector, produzindo um gráfico chamado de eletroferograma, que indica o tempo de chegada de cada grupo de moléculas.
Há cerca de um ano, essa área ganhou um grande impulso na UFRGS com a aquisição de um seqüenciador de DNA, avaliado em 300 mil dólares e financiado pelo projeto CNPq/ Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). O trabalho de seqüenciamento de genomas também passou a ter maior incentivo no Brasil, com a criação da Rede Nacional de Seqüenciamento, formada por 25 grupos distribuídos pelo país. No Rio Grande do Sul, existem dois grupos: o da UFRGS, coordenado pelo professor do Centro de Biotecnologia Arnaldo Zaha, e o da Pontifícia Universidade Católica, coordenado pelo professor Sandro Bonato. “Esperamos mais apoio da iniciativa privada e do governo, principalmente nas próximas etapas, que são o estudo dos proteomas (cunjunto das proteínas que ocorrem num organismo) e da Bioinformática”, declara Kist.
O esforço de Kist e da equipe tem resultado em aplicações da eletroforese capilar nas áreas de Química Analítica (análise de herbicidas, cátions e ánions), na Biotecnologia (aminoácidos, peptídeos, proteínas e metabólitos), na Genética (ácidos nucléicos), na Bioquímica (neurotransmissores, hormônios e outros) e na Farmácia (substâncias fisiologicamente ativas extraídas de animais e plantas, antioxidantes, antibióticos e outros fármacos).
Em dez anos, o assunto já rendeu várias teses de mestrado e doutorado, produziu mais de 20 artigos em periódicos internacionais, mais de 30 resumos em congressos e dois pedidos de patente. O primeiro invento, patenteado em 1996, tem o título de Seqüenciador Automático de Proteínas em Microtubo. Em 1997, foi patenteado um Aparelho de Focalizações Isoelétrica em Capilar. “Nossos trabalhos foram um dos primeiros a serem patenteados na UFRGS. Também nisso fomos pioneiros”, comemora o professor.
Depois do trabalho de mestrado, Kist fez doutorado e pós-doutorado no Exterior, onde aprofundou os conhecimentos. Hoje, colabora com vários grupos de pesquisa do Brasil e do Exterior, participa de reuniões e congressos e fornece orientações a pesquisadores e grupos de pesquisa que pretendem usar estas técnicas. “Essa é uma atividade em que dá para interagir muito, discutir e propor novas idéias.”
Para o professor Grieneisen, idealizador do trabalho, a pesquisa e o esforço de seu discípulo têm rendido bons frutos. “Estou feliz pelo fato de Kist ter levado essa idéia adiante. Nesse sentido, ele foi um pioneiro.” Para Kist, a pesquisa básica neste tema permite apreciar a fronteira do conhecimento. Estudando e observando átomos e moléculas fica-se convencido de que, na ciência, o máximo que se consegue é propor modelos aproximados, e que estes estão sempre em constante e permanente evolução. “Não creio que um dia teremos um modelo final. Acredito que estaremos sempre progredindo na busca de uma descrição melhor. Esse é um dos motivos por que a ciência é tão fascinante”, afirma.

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Instituto de Biociências recebe micro-ônibus e equipamentos ópticos de última geração

Esteve presente à cerimônia de entrega o secretário da Sesu, Francisco César Sá Barreto, que estava em visita ao Rio Grande do Sul. O Mercedes 914 será usado para conduzir alunos e professores nas pesquisas de campo.

Os alunos do Curso de Biologia do Instituto de Biociências da UFRGS já
podem ficar descansados: estão garantidas as idas a campo para contato direto com elementos biológicos do ambiente natural, fundamentais para a sua formação. No final da tarde de 12 de junho, em cerimônia simples, a reitora Wrana Maria Panizzi entregou ao diretor do Instituto, professor Jorge Ernesto de Araújo Mariath, o novo micro-ônibus Mercedes 914 adquirido pelo Ministério da Educação através da Capes, por 102 mil reais. Na mesma ocasião, foi anunciado que o micro-ônibus antigo, que estava desativado havia quase um ano, já tinha sido recuperado e também entraria em serviço imediatamente. O conserto custou R$ 8 mil.
Três semanas antes, no dia 23 de maio, o Instituto havia recebido equipamentos ópticos de última geração para complementar quatro laboratórios de ensino em microscopia laboratorial. Os microscópios e lupas, num total de 89 peças, foram repassados à comunidade acadêmica através do Programa de Modernização e Consolidação da Infra-estrutura Acadêmica das Instituições Federais de Ensino Superior e Hospitais Universitários do MEC.

FERRAMENTA DE TRABALHO
Em seu discurso de agradecimento, Mariath disse que o novo veículo era tão imprescindível ao Instituto de Biociências quanto o instrumental de vidraria é imprescindível a um laboratório de análise clínica. “É como se fosse uma ferramenta de trabalho”, comparou. Wrana destacou a importância do ensino universitário nesse processo, dizendo que não haveria indústria pesada – como a que produziu o micro-ônibus do IB – se não houvesse a UFRGS. E que o mesmo se podia dizer com relação à agricultura e outros setores da economia gaúcha.
Depois de cortar a faixa inaugural no interior do veículo, a reitora acompanhada do Secretário Sá Barreto e dos demais presentes visitou os laboratórios de ensino em microscopia do Instituto para conhecer os novos equipamentos. Além de professores, técnico-administrativos, alunos e do vice-diretor Paulo Oliveira, participaram da cerimônia de entrega os representantes dos fornecedores do micro-ônibus Paulo Ricardo Reschke (da Savar S.A.) e André Hilgert (da Marcopeças). Após, foi servido um coquetel no galpão crioulo do Instituto.

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"Valeu a pena, um ano de espera

DIRETOR DO IB:
“Valeu a pena, um ano de espera”


O Instituto de Biociências vinha enfrentando dificuldades de transporte
desde 2000, quando problemas mecânicos e elétricos obrigaram a desativar o micro-ônibus de 23 lugares que levava os alunos a campo. Foi justamente na época em que o Biociências se bipartiu em Instituto de Ciências Básicas da Saúde e Instituto de Biociências propriamente dito.
Um ano atrás, ao assumir a direção do IB, o professor Jorge Ernesto de Araújo Mariath, colocou em seu plano de gestão o projeto de compra do veículo. Enquanto aguardava resposta, gestionava também, junto à Reitoria, o reparo do micro-ônibus destivado.
Desde então, os 92 professores, os 94 técnico-administrativos e especialmente os alunos de graduação e de pós-graduação do IB esperavam pela solução. Mariath conta que, durante a gestão do primeiro diretor do IB, professor Elói Julius Garcia, o Instituto teve uma despesa muito grande porque foi obrigado a contratar um veículo para as excursões a campo.
Para ter uma idéia da importância do micro-ônibus para o IB, basta lembrar que nos 10 mil metros quadrados que o Instituto ocupa no Campus do Vale, há cerca de 500 alunos de graduação, e todos vão a campo desde o primeiro ano e prosseguem nesse trabalho durante o curso. O mesmo acontece com os alunos do pós-graduação, entre 250 e 300. Com isso, a cada mês, o Curso de Biologia tem de 26 a 29 dias de trabalho de campo com alunos.
Acompanhados por professores de disciplinas da área ambiental (departamentos de Ecologia, Botânica e Zoologia) os alunos viajam por todo o Rio Grande do Sul, com algumas incursões em Santa Catarina, em busca de um contato direto com os elementos biológicos do ambiente natural. Esse trabalho de campo é que dá base de conhecimento aos futuros profissionais.
“Eles vão trabalhar a parte ambiental, fazer o reconhecimento de flora e fauna, e atuar até mesmo na parte molecular, com o desenvolvimento de novos organismos”, explica o diretor. E completa, feliz: “Nossos alunos têm excelente vivência laboratorial e de campo, e isso nos distingue como o melhor curso de Biologia do país”. Mariath já começa a fazer gestões para a aquisição de um veículo leve, um Land Rover, que chegue a lugares onde os micro-ônibus não conseguem chegar.
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