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OIX Ciclo de Palestras sobre Ci-
tricultura, de 19 a 21 de junho,
no município de Liberato Salzano, teve mais de 400 participantes,
a maioria produtores. Segundo o diretor da Faculdade de Agronomia, Gilmar
Marodin, este foi o diferencial do encontro, habitualmente freqüentado
por técnicos. Além dos produtores, participaram extensionistas,
técnicos, empresários e pesquisadores do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e Paraná. “É um importante momento para aproximar
setores”, diz Gilmar.
Durante o Ciclo foi debatido, entre outros assuntos, problemas sanitários
referente às frutas de produção gaúcha. No Rio
Grande do Sul há ocorrência de cancro cítrico, causado
por uma bactéria que permanece no suco da fruta mesmo depois de industrializado,
inibindo sua comercialização no mercado.
De acordo com dados da Emater, há cerca de 20 mil citricultores no
Estado, a maioria em pequenas propriedades. Mesmo assim, a produção
gaúcha ainda não cobre a demanda local, havendo necessidade
de importar o produto de outros estados, como é o caso da laranja
de São Paulo, maior produtor nacional, com mais de 600 mil hectares
de plantação. Por outro lado, a citricultura no Estado se
caracteriza pelas frutas de mesa e, não fossem os problemas do cancro
cítrico, comenta Gilmar, a laranja do produtor gaúcho seria
uma forte concorrente no mercado.
Gilmar destaca outra característica do setor que está em franca
expansão e tem boas perspectivas de dar certo. É a cultura
da bergamota montenegrina, espécie particularmente encontrada no
Estado devido a sua identificação com climas frios. Por suas
características, a montenegrina atinge o mercado depois que suas
concorrentes já deixaram de ser colhidas, além de ser mais
tolerante ao cancro cítrico. Abrindo assim espaço para o produtor
gaúcho.
O diretor da Faculdade de Agronomia salienta que uma da formas do produtor
gaúcho enfrentar as dificuldades de um mercado cada vez mais exigente
é através da organização em associações
ou cooperativas. Neste sentido, os ciclos de palestras têm cumprido
não só este papel de mobilização como também
de importante momento de aprendizagem.
Segundo Gilmar, a carência do produtor quanto a informações
básicas de práticas culturais deve-se ao fato do vazio quanto
ao trabalho dos extensionistas. Ele comenta que os alunos da Agronomia,
quando deixam a faculdade e vão trabalhar na extensão da Emater
ou em outros órgãos, acabam envolvidos por questões
burocráticas, o que dificulta cada vez mais o contato com o agricultor.
O ciclo anual de palestras sobre citricultura é uma iniciativa da
Faculdade de Agronomia, através do Departamento de Horticultura.
Este teve a participação da Prefeitura de Liberato Salzano,
da Fepagro, da Emater, e da Associação de Produtores. Seu
caráter itinerante traz dificuldades para a coordenação
centrada na UFRGS, mas permite maior contato com os produtores. O próximo
encontro deve acontecer em São Gabriel, conforme solicitação
de diferentes setores da cidade.
referência nacional
A UFRGS, através do setor de pesquisas da Faculdade de Agricultura,
tem sido referencia nacional quanto a desenvolvimentos no setor. Embora
as verbas venham diminuindo e a Estação Experimental tenha
sofrido nos últimos anos um corte brutal de pessoal, de 85 funcionário
em 1988, hoje a fazenda conta com menos de 40, o Rio Grande do Sul ainda
é marco nacional em pesquisas para agricultura.
Entre as dez pesquisas específicas do setor frutífero, Gilmar
destaca a relevância do banco de gemas isentas de moléstias.
Este projeto visa a prover o viveirista com a gema que vai ser enxertada,
proporcionando material limpo de bactérias. O financiamento é
do CNPq e do Ministério da Agricultura, coordenado pelo professor
Paulo Vitor Dutra de Souza.
Outra pesquisa do departamento e que terá grande influência
no plantio e comercialização da bergamota é a coordenada
pelo professor Sérgio Francisco Schwarz. Depois de dois anos de doutoramento
em Valência (Espanha), ele continua desenvolvendo na Estação
Experimental o melhoramento da bergamota, buscando seleção
para frutas sem semente. Por estranho que pareça, numa sociedade
de refeições rápidas, a demanda do mercado é
por frutas cada vez mais fáceis de serem consumidas, onde não
há espaço para cascas ou sementes.
Já há mais tempo, o professor Otto Carlos Koller, idealizador
dos ciclos de palestras, tem realizado estudos sobre o espaçamento
em pomares de laranja. Usualmente, no Estado, o cultivo da laranja é
realizado em canteiros com espaçamentos muito grandes. Os resultados
da pesquisa, apontam para a redução de espaços entre
as mudas e nas trilhas de circulação, para um melhor aproveitamento
da área de plantio e, conseqüentemente, maior produtividade.
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Conselho
de saúde debate melhoria da qaulidade de vida dos servidores da
UFGRS
O
Conselho de Saúde e Ambiente de Trabalho (Conssat) promoveu no
mês de junho, nas unidades dos campi Saúde e Central, a II
Semana do Conselho de Saúde e Ambiente de Trabalho na Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. Foram discutidas questões para melhorar
a qualidade de vida dos servidores e dos acadêmicos da Universidade,
reduzindo o risco de acidentes e doenças ocupacionais. Dessas discussões
resultou um documento, encaminhado à administração
Central, com propostas que garantam as condições para a
obtenção do conceito “A” do Ministério de Educação
e Cultura (MEC) a todas as unidades acadêmicas, dotando-as de ambientes
de trabalho salubres e seguros.
Uma das preocupações levantadas pelos participantes foi
a necessidade do estabelecimento de um programa de coleta de lixo para
toda a Universidade. Grande parte deste lixo contém produtos químicos
que foram usados nos laboratórios para pesquisa. Como esses resíduos
não podem ser depositados na natureza, acabam estocados, colocando
em risco a segurança da comunidade acadêmica.
“É uma situação bastante complicada”, avalia José
Luis Machado, representante da Assufrgs junto à Conssat. “Algumas
unidades, como a Faculdade de Farmácia, estão saturadas
com esse lixo químico e não sabem o que fazer com ele.”
A presidente do Conselho de Saúde e Ambiente de Trabalho do Campus
da Saúde, professora Dagmar Kaiser, diz que é necessária
a determinação de um local para acondicionar e fazer o respectivo
descarte, conforme as normas regulamentares”, diz
Outra questão levantada no encontro foi a importância de
os servidores se beneficiarem com práticas e conhecimentos gerados
pela UFRGS, como os cursos extensionistas promovidos pela Escola de Educação
Física (Esef) que oferecem aulas de hidroginástica, natação
e ginástica laboral. Outro exemplo é um melhor aproveitamento
da Faculdade de Farmácia, que faz exames para a rede pública,
mas cobra este serviço dos seus trabalhadores. “Sabemos que isso
envolve custos, mas existe essa geração de serviços
prestados na UFRGS, que não está beneficiando os servidores.
Essa cultura precisa ser revista”, diz Dagmar.
A segurança dos prédios da Universidade também foi
discutida. Foi proposta a elaboração de programas de controle
e combate a incêndios. A presidente lembra que já existe
uma normatização específica, mas que nem todos os
prédios estão inseridos no programa .
Para Machado, ainda falta informação aos profissionais relativa
às exigências de um bom ambiente de trabalho. Diz ser importante
que os fatores físicos e psicológicos sejam levados em conta,
resultando daí uma boa produção sem ônus à
saúde. “Só vamos nos preocupar se a iluminação
é ruim ou a cadeira é incômoda quando já estamos
adoecendo. Não temos a cultura da prevenção”, alerta
Machado. Uma das propostas resultantes do encontro é a de incrementar
o número de cursos na gradução, pós-graduação,
ensino básico e fundamental, abordando questões relacionadas
à saúde no trabalho. “Queremos desenvolver uma visão
crítica e ter a participação dos docentes nesse contexto,
através da inserção de conteúdos de saúde
e segurança nas diferentes disciplinas”, diz Dagmar.
A vice-presidente da Adufrgs, Marilene Schmarczek também aposta
na inclusão das questões de segurança e saúde
nos cursos. “Acredito que, quando o egresso da Universidade tiver associada
à sua formação a saúde e a segurança
do trabalho como algo inerente a sua profissão, o respeito dos
profissionais revelerá que o Brasil leva a sério os seus
cidadãos, pois boa parte da sua atenção será
chamada a verificar se as condições de trabalho viabilizam
segurança e qualidade de vida.”
A partir de 1997, quando a reitora Wrana Maria Panizzi assinou uma portaria
criando as comissões e os conselhos de saúde, a UFRGS deu
um passo à frente na questão de saúde. Hoje, são
12 comissões atuando em diferentes unidades, supervisionadas por
um Conselho de Saúde. O objetivo é que no futuro haja um
conselho para cada Campus. Todos os meses, as comissões se reúnem
para discutir problemas e buscar soluções. Dependendo do
caso, o assunto é levado às pró-reitorias, à
administração ou à direção. “A conquista
da criação da Cosat e do Conssat se deve ao apoio da Reitoria
a esta reivindicação legítima e importante da comunidade
universitária, relativa à saúde e segurança
no trabalho”. Para Dagmar, a Universidade vem avançando nessa questão
no decorrer dos anos. “Essa é uma discussão coletiva, democrática
e emana das necessidades do servidor.”
Na intenção de suprir essas necessidades, a UFRGS tem adotado
uma série de normas e resoluções auxiliada pelas
Cosats, Conssat, sindicatos, Câmara de Pesquisa e Câmara de
Extensão. “Em termos de normatização, a Universidade
está muito à frente, com propostas bastante avançadas”,
avalia Machado. Uma delas é a resolução da Câmara
de Pesquisa, criada em 2001, que faz com que as pesquisas realizadas na
Universidade levem em conta questões relativas à segurança,
antecipando danos à saúde.
Em 2002, uma nova resolução na Câmara de Extensão
também passou a exigir que os projetos extensionistas comportem
práticas que atendam à saúde e segurança,
não expondo os extensionistas e a comunidade a riscos ou acidentes.
“Essas resoluções representam um grande avanço. Com
elas, haverá uma redução sensível de danos
à saúde dos pesquisadores, dos alunos envolvidos, da comunidade
e dos servidores”, diz Dagmar.
O registro do acidente e incidente em serviço através de
formulário próprio, o Fais (Formulário de Acidente
ou Incidente em Serviço), foi outro ganho para os servidores. Este
registro possibilita melhor acompanhamento das condições
de trabalho do servidor e do ambiente onde o acidente ou incidente acontece.
“O Fais representa um ganho muito grande para o servidor”, comemora Dagmar.
Até a sua criação não havia, na Universidade,
uma definição clara quanto ao atendimento em saúde
do servidor em caso de acidente ou incidente no serviço. Agora,
o servidor acidentado deve procurar assistência em saúde
inserindo-se no fluxo de atendimento ao acidentado, ou seja, seu primeiro
atendimento deverá ser junto aos ambulatórios do Campus
do Vale ou da Divisão de Saúde/Dacom/ProRH, se o acidente
for classificaido como “leve”. Em situações mais graves,
deverá ser atendido no Hospital de Pronto-Socorro Municipal (HPS).
Se no HPS houver indicação de internação hospitalar
superior a 24 horas, esta internação será realizada
pela Universidade, esgotando-se todas as possibilidades de baixa hospitalar
através da Central de Vagas do SUS (Sistema Único de Saúde).
Entretanto, se não houver a possibilidade de internação
pelo SUS, a Universidade arca com as despesas, o que é previsto
no artigo 213, do Regime Jurídico Único.
Participaram do evento servidores de unidades, alunos e servidores que
atuam nas áreas de saúde e segurança, Administração
Central, Comissões de Saúde (Cosat), Câmara de Ensino,
Pesquisa e Extensão (Cepe), Departamento dos Assuntos da Comunidade
Universitária (Dacon), Associação dos Docentes da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Adufrgs), Associação
dos Servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Assufrgs),
Divisão de Segurança do Trabalho (DST) e Pro-reitoria de
Recursos Humanos. (CF)
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