O
Programa Macacos Urbanos (PMU) é um grupo
multidisciplinar de pesquisa científica
e de ativismo político e comunitário
para a conservação do bugio-ruivo
e de seus hábitats naturais na região
metropolitana de Porto Alegre (RS). Vinculado
à organização não -governamental
InGá - Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais,
está sendo executado pelo Departamento
de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS).
Suas origens remontam ao ano de 1993, quando
um grupo de estudantes de biologia da UFRGS,
sob orientação dos professores
Helena Romanowski (Depto. de Zoologia-UFRGS)
e
Luis Flamarion de Oliveira, da Seção
de Mamiferos do Museu Nacional da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), elaborou o projeto
de pesquisa denominado Projeto Macacos Urbanos,
com os objetivos de identificar a ocorrência
e distribuição do bugio-ruivo no
município de Porto Alegre, fornecer subsídios
para a preservação e manejo das
populações na região e levantar
dados sobre a situação da espécie
frente ao processo de expansão urbana em
curso no município.
Na
medida em que as
pesquisas de campo localizavam os principais
hábitats, diversos problemas de degradação
ambiental também eram identificados:
desmatamentos, caça, queimadas, extrações
de saibro, granito, terra fértil e de
plantas ornamentais, e, principalmente, urbanização
– clandestina ou regularizada –
de áreas naturais sem critérios
relativos à preservação
da vida silvestre e de recursos como nascentes
e cursos d`água.
A
realidade encontrada pelos pesquisadores levou
à expansão dos objetivos e das
atividades originais do projeto, já que
a necessidade da realização de
estudos mais amplos e de iniciativas para conscientizar
cidadãos e administradores públicos
sobre a importância da conservação
do bugio-ruivo e de seus hábitats era
evidente. Nesse contexto, as pesquisas começaram
a abranger temas variados, incluindo, ecologia,
botânica, genética e etologia,
enquanto intervenções no planejamento
de políticas públicas de desenvolvimento
urbano e atividades de educação
ambiental junto a comunidades humanas próximas
aos hábitats do bugio-ruivo também
começaram a ser praticadas pelos membros
do grupo.
Desse
modo, o Projeto Macacos Urbanos ultrapassou
a esfera da pesquisa biológica convencional,
justificando outra denominação
para se adequar à nova realidade de atuação.
Assim, foi consolidado o Programa Macacos Urbanos,
que, colocando o bugio-ruivo como espécie-bandeira
para a conservação dos ecossistemas
naturais remanescentes, alia conhecimento científico
com atuação política e
comunitária para cooperar localmente
no estancamento da onda global de extinção
de espécies, subsidiando e incentivando
atitudes que busquem harmonizar a satisfação
das necessidades humanas atuais com a conservação
da diversidade biológica, propiciando
dessa forma, a continuidade dos processos vitais
da biosfera.