Para
demarcar a área ocupada pelo bando, o
macho adulto utiliza seu poderoso ronco, marcando
a posição do grupo. Dessa forma
os grupos evitam confrontos corporais, substituindo-os
por verdadeiras batalhas sonoras. O ronco dos
bugios, que geralmente pode ser ouvido a alguns
quilômetros de distância, acontece
devido ao tamanho exagerado, ou hipertrofia,
do osso hióide (localizado na garganta
dos animais, entre a laringe a base da língua),
que amplifica a vocalização, funcionando
como uma caixa de ressonância. Na
presença de potenciais predadores, como
aves de rapina, cachorros e os seres humanos,
os bugios utilizam sua capacidade vocal para
emitirem sinais de alerta para todos indivíduos
do bando.
Apesar de cada bando de uma floresta
viver em áreas delimitadas, os bugios
se deslocam de um bando a outro, pois a dinâmica
populacional do gênero Alouatta
inclui a dispersão de indivíduos, para manter a
variabilidade genética e a estabilidade demográfica das
populações. Como a consaguinidade gera problemas com a
prole os bugios precisam procriar com indivíduos provenientes de
outros grupos. Assim, ocorre a troca de genes evitando o nascimento de
filhotes com deformações ou doentes. Portanto, é
comum que bugios jovens, tanto machos quanto fêmeas, deixem seu
grupo original ao atingirem a maturidade sexual, por volta dos quatro
anos de idade, para procurarem outro bando que pode ou não
admitir a entrada de um novo integrante.
Infelizmente,
a dispersão de indivíduos está
ameaçada pela ação humana,
que tem reduzido grandes extensões de
florestas a pequenas ilhas de mata nativa, rompendo
assim a continuidade espacial que ao longo de
centenas de milhares de anos garantiu o fluxo
de genes e manteve saudáveis as populações da espécie.
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