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Jacintho Godoy Gomes - (1883 - 1959)

Médico psiquiatra formado em 1911 pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Dedicou-se à medicina legal assumindo, dois anos depois de formado, as funções de médico legista da Chefatura de Polícia. Entre 1919 e 1921 estudou na França com os psiquiatras Pierre Marie (1865 - 1934), Joseph Babinski (1857 - 1932), Ernest Dupré (1962- 1921) e Laignel Lavastine (1875-1953), todos da Salpêtrière. Na França, estudou a situação dos alienados criminosos, freqüentando a Enfermaria Especial de Depósito da Prefeitura de Polícia. Voltando ao Brasil, foi encarregado pelo governo estadual para organizar e dirigir o Manicômio Judiciário. Sua condução ao cargo foi motivada pelas boas relações com Borges de Medeiros, governador do Estado, de quem havia sido secretário particular, ainda nos tempos de estudante de medicina. Em seu discurso de posse como diretor do Manicômio Judiciário, em 1924, referiu-se a Ata da Sessão de 29 de abril de 1907 da Sociedade Medicopsciológica de Paris, para ressaltar a relevância do empreendimento:


A Sociedade Medicopsicológica de Paris, considerando que, no interesse dos alienados tratados nos asilos e a fim de que estes hospitais de tratamento das moléstias mentais possam se aproximar, na medida do possível, dos hospitais ordinários, formula o voto de que sejam os mesmos desembaraçados dos doentes particularmente perigosos, em razão de suas tendências às reações violentas, assim como de alienados difíceis, que contam muitas vezes várias internações e cujo caráter indisciplinado e tendências perversas são uma causa permanente de perturbação para os outros doentes e para o funcionamento dos serviços (Godoy, 1955, p. 62).

O hospital, de acordo com Godoy (1955) não deveria ser um manicômio criminal, mas um laboratório para pesquisas psiquiátricas. Para tanto, seguiu o modelo do Criminal Lunatic Asylum of Broadmoor da Inglaterra, fundado em 1892, já incorporando os aperfeiçoamentos introduzidos pelos americanos quando da instalação do Danemora Hospital for Insane Convicts em 1902 (Godoy, 1955).

Grandes reformas no Hospital São Pedro foram empreendidas por Godoy, como a construção de pavilhões independentes para atender diferentes tipos de pacientes, modernização das técnicas de tratamento de acordo com os recursos da época, desenvolvimento de atividades de pesquisas e de intercâmbio científicos com médicos de Paris. Preocupou-se com a contratação de médicos especializados em psiquiatria e criou a primeira escola para enfermeiros psiquiátricos no país.

Entre as realizações da administração Godoy de interesse para a história da psicologia destacou-se o curso de Biopsicologia Infantil oferecido a professoras das escolas públicas, com o objetivo de desenvolver uma psiquiatria preventiva. Os itens do programa trazem várias questões básicas da psicologia.

O Curso de Biopsicologia Infantil repercutia, em Porto Alegre, o movimento internacional de Higiene Mental. Para o movimento, as síndromes mentais ou afecções cerebrais com expressão psíquica eram determinadas por perturbações orgânicas ou funcionais, produzidas por toxi-infecções adquiridas ou hereditárias (Godoy, 1955). Os professores primários, por estarem próximos ao dia-a-dia das crianças, poderiam tanto prevenir as doenças quanto reconhecer as crianças que já apresentavam sintomas e mereciam cuidados médicos. A lista de professores do curso impressiona pela qualidade dos docentes. Nela aparecem aqueles que serão os primeiros professores universitários de psicologia e que marcaram profundamente os rumos da área no estado: Décio Soares de Souza e Victor de Brito Velho vieram a consagrar-se com os primeiros professores universitários de psicologia e Mario Martins será, mais tarde, o primeiro psicanalista de Porto Alegre.

Godoy, juntamente a José Luiz Guedes e Fábio Barros formam a primeira geração de psiquiatras do estado e ficaram conhecidos como kraepelineanos. Quando Godoy assumiu a diretoria do Hospital São Pedro, Luiz Guedes já era médico do hospital exercendo as funções de diretor técnico.