PSICO


Volume 12-- 1986 -- p 127-144

 

 
INFLUÉNCIAS DA FENOMENOLOGIA E DA
SEMIÓTICA NA PSICOTERAPIA

*WiIIiam B. Gomes
RESUMO

O estudo indica brevemente influências da fenomenologia e da semiótica nas terapias de Binswanger, Boss, Frankl, Mav, Ruesch, Shands, e Lacan. Fenomenologia é definida como o estudo da estrutura da consciência, enquanto semiótica é definida como o estudo das relações dos signos num sistema ou estrutura. O estudo apresenta fenomenologia e semiótica como uma relação combinatória através da qual podem ser estudadas as manifestações essencialmente humanas. O estudo conclui que apesar da receptividade que as terapias em tela apresentam para temas fenomenológicos, semiáticos, ou ambos, estes temas são recebidos mais nas suas dimensões existenciais do que nas suas implicações empírico metodológicas.

Fenomenologia é definida por Merleau-Ponty (1971) como uma filosofia e um método. É filosofia porque nos oferece um modo de pensar e é um método porque nos ensina como compreender esta interfusão emergente e contínua entre corpo e mundo, e que constituiu a significação de um corpo situado enquanto sujeito. Fenomenologia é, portanto, o estudo da estrutura da consciência e caracteriza-se por uma sucessão sinérgica de reflexões, onde a experiência enquanto consciência é descrita, reduzida em unidades. significativas, e desvelada hermenêuticamente em significações (Gomes, 1985).

Do mesmo modo que a fenomenologia, a semiótica também preocupa-se com a significação que emerge de um determinado sistema de signos, tendo como base as relações destes signos[p.127] entre si, e entre aqueles que os utilizam. Na condição de humanos estamos num processo contínuo de percepção e expressão, e nossa percepção enquanto consciência estrutura-se numa articu(ação de signos que, se manifesta na nossa expressão enquanto comportamento. Logo, se consideramos a psicoterapia um processo comunicativo, e nossa condição humana essencialmente inter- pessoal, pode-se ver o interesse dos semiálogos neste processo compreensivo e elucidativo de comunicação.

Este estudo pretende identificar entre as muitas psicoterapias aquelas que poderiam ser consideradas mais próximas, ou que receberam maior influência da fenomenologia, da semiótica, ou de ambas. Ressalte-se que o estudo preocupa-se, pelo menos como pano de fundo, com a função da fenomenologia, semiótica, e a sua combinação (fenomenologia semiótica) enquanto procedimento operacional ou de descrição e análise. Como método, a fenomenologia semiótica caracteriza-se por uma seqüência de três passes, onde existência é descrita, definida, e interpretada, enquanto articulação da relação lógica de signos (semiótica), e que se constituiu em significações enquanto consciência da experiência e experiência da consciência (fenomenologia).

A primeira dificuldade que se defronta no estudo da influência da fenomenologia na psicoterapia é a distinção entre fenomenologia e existencialismo. Por exemplo, Misiak e Sexto (1973) ao relacionar as maiores figuras da psicologia fenomenológica, que aliás incluem fenomenólogos e existencialistas, preferem tratar os terapeutas inspirados na tenomenologia na seção dedicada ao existencialismo. Valle e King (1978) na instrodução do livro "Existeritial ,4lternatives te Psycho/ogy" relacionam quais seriam os aspectos existenciais e fenomenológicos da psicoterapia. Contudo, quand passam aos exemplos, o que apresentam é uma lista de seis terapias existenciais, a saber, as psicoterapias de Frankl, Van Den Berg, May, Perls, Biswanger, e Boss. Na verdade, é Weckwicz (1981) quem melhor distingue a teoria fenomenológica da existencial na psiquiatria e na psicoterapia. Para o Autor, fenomenologia "descreve e classifica o fenômeno consciente para ser investigado cientificamente", enquanto o existencialismo é "uma elucidação da existência e das preocupações últimas dos homens" (p. 65).

O estudo limita-se, contudo, à discussão da influência da fe-[p.128] nomenologia nas psicoterapias de Binswanger, Boss, Frankl, e May. Binswanger e Boss são incluidos por representarem as pi-imeiras tentativas de aplicar a fenomenologia para a psicoterapia. Frankl é incluído pelo crescente interesse nas idéias deste autor e a necessidade de diferenciar seu existencialismo de uma metodologia fenomenolôgica. May é incluido por ser o primeiro a divulgar a fenomenologia entre terapeutas americanos. No caso da semiótica o universo de escolha é restrito e os trabalhos de Ruesch e Shans representam raras tentativas neste sentido. Finalmente, será considerado a presença da semiologia e da fenomenologia no trabalho do psicanalista francês Jacques Lacan.

A Fenomenologia de Ludwig Binswanger


Binswanger (Spiegelber, 1972; Wayss, 1973; Brice, 1978; Binswanger, 1958) é um psiquiatra e ex-aluno de Bleufer que no principio de sua carreira seguiu a psicanálise de Freud. Influenciado pela psicopatologia de Jaspers, o "Dasein" de Heidegger, e em grau menor, a fenomenologia de Husserl, Binswanger elabora uma fenomenologia antropológica que ele chama de "Daseinsanalyse". Binswanger não vê na sua "Daseinsanalyse" um novo sistema terapêutico, mas uma abordagem científica para estudar o ser humano enquanto existência. Ele critica a psicanálise como sendo uma doutrina do homo-natura, que simplifica a realidade humana, e modifica a ontologia existencial de Heidegger (a análise do sentido do Ser em geral) numa análise antropológica e tenomenológica, onde o ser humano é abordado na sua existência concreta: (1) num mundo biológico (Unwelt); (2) num mundo social ("Mitwelt"); e (3) num mundo existencial ("Eigenwelt").

A fenomenologia antropológica de 8 inswanger preocupa-se com o estudo do ser humano "em sua totalidade normal e anormal enquanto ele experiencia a si mesmo em relação ao mundo" (Spiegelberg, 1972, p. 103). Quanto à intervenção psicoterapêutica, Binswanger é consistente com sua visão tridimensional do ser-no-mundo. Assim, na "Daseinasanalyse": (1) a história do paciente não é o preenchimentç de qualquer teoria a priori, mas a descrição de um modo de existir; (2) a intervenção terapêutica não é a aplicação de determinadas técnicas, mas uma trajetória comum entre dois seres humanos, que reconstroem juntos o pro-[p.129] cesso de afastamento e volta a um mundo comum; (3) os sonhos não são tratados como uma manifestação simbólica do desejo, mas como uma expressão do ser-no-mundo; e (4) a prática terapêutica está aberta para recursos complementares vindos de diferentes orientações.

Como um pioneiro, Binswanger é uma figura controversial. Seu trabalho não foi aceito por Freud, Husseri, Heidegger, e Jaspers. Spiegelberg pensa que houve um mal entendido entre eles. Binswanger não entendeu completamente as posições dos autores mencionados e, por sua vez, não foi bem entendido por eles. Contudo, a contribuição da "Daseinsanalyse" é o ponto de partida para aqueles que querem explorar as possibilidades de uma fenomenologia aplicada à psicoterapia.

A fenomenologia de Medard Boss

Boss (Spiegelberg, 1972; Boss, 1963; Rychlak, 1981), como Binswanger, é um psicanalista. Ele aceita e elogia as técnicas de Freud como efetivas quando empregadas para ajudar o paciente ouvir a si mesmo, mas rejeita a teoria de Freud sobre a natureza humana. Volta-se, então, para Jung impressionado tanto com a proposta do relacionamento face a face durante a análise, quanto com o respeito desta teoria para a dignidade humana. Contudo, Boss não aceita as posições de Jung sobre a interpretação de símbolos, e sobre a formulação da teoria dos arquétipos. Através de Binswanger, conhece o trabalho de Heidegger e se impressiona com as possibilidades desta filosofia para o estudo da psicopatologia. O relacionamento deste Autor com Heidegger foi, na verdade, intenso. Boss foi influenciado, não somente pela obra de Heidegger, mas também pela forte amizade que se desenvolveu entre os dois. Fizeram longas viagens juntos e Heidegger chegou a participar nos seminários de Boss em Zurich para psiquiatras e médicos (Boss, 1978/79).

Binswanger, é bom lembrar, preocupava-se primordialmente com o ser e sua relação com o mundo. Boss, ao contrário, preocupa-se com o ser e sua relação consigo mesmo. Esta preocupação é evidente na psicoterapia de Boss. Assim, o terapeuta não está interessado em interpretações, mas procura encorajar o paciente a ouvir a si mesmo.[p.130] Boss não reclama para si o desenvolvimento de uma nova terapia. Admite usar técnicas de Freud, mas numa concepção não naturalista e mecânica do homem. Sua principal preocupação é permitir a expressão do ser. A esta atitude, o Autor chama de "Daseinsanalytik". Com efeito, esta psicoterapia constitui-se num tipo de encontro onde, numa relação de permissividade, o paciente pode liberar sua experiência fenomenal. A "Daseinsanalytik" encoraja a expressão de sentimentos e usa o corpo como forma de comunicação. Para Boss, a memória e a expressão verbal não são suficientes para a libertação total do ser, sendo assim encoraja a prática do contato corporal. Boss (1977) também preocupa.se com sonhos: "andar e sonhar, como dois modos diferentes de realização da mesma histórica existência humana, estão fundamental. mente juntos na mesma existência" (p. 190), ou, "nós não temos sor'ios, nós somos nossos sonhos" (Boss, 1963, p. 261). O sonho, para Boss, não é um conteúdo simbólico, como diziam Freud e Jung, mas uma contínua existência que encontra explicação na continuidade das essências do estado consciente, O que é evidente na fenomenologia de Boss é a possibilidade do fenômeno poder aparecer, sem a distorção das interpretações teóricas.

A Fenomenologia de Viktor Frankl

Frankl é um psiquiatra preocupado com a complexidade das tónicas de Freud a Adler, e que sofreu os horrores da Segunda Guerra Mundial como judeu prisioneiro em campo de concentração. Seu interesse é encontrar uma maneira simples de fazer análise, que dê atenção a uma neurose negligenciada, que é a necessidade de se encontrar sentido para a vida. A fenomenologia dá para Frankl, através de Max Scheler, um aluno de Husserl, o apoio para o afastamento das teorias de Freud e Adler. Com efeito, Frankl desenvolve uma abordagem preocupada com a exploração da experiência imediata, e baseada no valor atitudinal do desejo para a liberdade, do desejo para o encontro do sentido, e do desejo para viver. A psicoterapia, que é chamada de "Looterapia", preocupa-se, então, em ajudar o paciente a encontrar o significado para sua existência. Contudo, apesar da ênfase existencial,[p.131] sua terapia não pode ser considerada uma fenomenologia em seu sentido mais técnico (Spiegelberg, 1972).

A Fenomenologia de Roilo May


De acordo com Spiegelberg (1972, p. 158) May é um "dos mais influentes americanos a falar sobre fenomenologia existencial". May, inicialmente um Adleriano cauteloso, conheceu o existencialismo através dos professores alemães Kurt Goldstein e, principalmente Paul Tillich. A fenomenologia aparece no trabalho de May como um complemento ao existencialismo. May (1964) sugere que o relacionamento entre psicoterapia e fenomenologia é indireto, que os psicoterapeutas ainda estão para descobrir como aplicar a fenomenologia para a psicoterapia, e que ainda não chegou o tempo de se formular uma psicoterapia fenomenológica.
Para Mav, fenomenologia é uma disposição atitudinal para com o ser humano. Esta disposição manifesta-se em psicoterapia qa nocão de "encontro", que é, a qualidade do relacionamento entre o terapeuta e o cliente.

May não dá direções explícitas para a intervenção psicoterapêutica, principalmente, para evitar possível rigidez técnica. Contudo, ele adianta que a intervenção será sempre relativa e vai depender do paciente, da situação, e do momento. May não se preocupa com mecanismos de defesa tais como regressão ou resistência, mas ele vê o desenvolvimento da liberdade como parte das potencialidades do paciente. Para May, a qualidade do relacionamento diático é relevante e ele não enfatiza interpretações, mas dirige o paciente para o questionamento da sua experiência.

Fenomenologia como Método e Psicoterapia


Smith (1979) afirma que "nós não estamos ainda no momento de saber exatamente o que seja uma psicoterapia fenomenoló. gica" (p. 33). O Autor não parece interessado em propor uma psicoterapia fenomenológica, mas preocupa-se com o reconhecimento da fenomenologia enquanto um procedimento metodológico que pode vir elucidar a natureza da psicoterapia. Ainda, Smith nos lembra: (1) que, como teoria e praxis, a condição atual da psicoterapia é caótico; (2) que existe, como informam pesquisas[p.132] recentes, uma diferença negligenciável entre resultados de psicoterapias diferentes; e (3) que não existe um consenso entre psicoterapêutas do que venha a ser uma intervenção psicoterapêutica. Smith vê na descricão, redução, e interpretação fenomenológica uma base empírica onde estas diferentes podem ser esclarecidas.

Kruger (1979) oferece um exemplo interessante de aplicação do método fenomenológico para a psicoterapia. O Autor refere-se a uma tese de mestrado de M.D. Eppel ("A phenomenological explication of a client's retrospective experiênce of psychotherapy", Rhodes University, 1978) onde o processo psicoterapêutico é estudado através de um procedimento fenomenológico. O trabalho de Eppel inicia-se com uma entrevista a uma mulher que havia encerrado recentemente a psicoterapia. Esta entrevista constitui-se, então, numa narrativa onde as três reflexões fenomenológicas eram aplicadas. Este procedimento permitiu determinar quais fatores promoveram as mudanças. Neste caso, alguns dos fatores foram: (1) o "insight como uma ocorrência em-sessão e entre-sessões que resultou em mudanças comportamentais devido ao esforço e coragem da cliente; (2) a qualidade do relacionamento, que foi permissivo e não julgamental, e (3) a assimilação e generalização de valores relacionais como vivenciados no encontro terapêutico. No momento, esta breve nota é suficiente para mostrar a viabilidade empírica do método fenomenológico. Voltarei ao assunto posteriormente em um outro trabalho (Gomes, 1985). A seguir, será apresentada a contribuição dos semiólogos.

A Semiótica de Jurgen Ruesch

Jurgen Ruesch (1972) reconhece no trabalho de Freud um marco decisivo na história dos modelos teóricos que procuram explicar o ser humano. Freud foi "o último a oferecer um modelo compreensivo do psiquismo humano e o primeiro a usar analogias mecânicas para explicar o comportamento humano" (p. 466). Contudo, para Ruesch, Freud vai tão longe com seu sistema mecanicista que chega a negar o componente humano da psicanálise. Sobre a psicanálise o Autor ainda diz que:[p.133]

As relações humanas foram analisadas
de uma forma técnica, e o que passou entre o doutor
e o paciente não chegou a existir no seu próprio direito,
mas foi visto como uma repetição de experiências passadas
e foram denominadas de transferência e contratransferência. (p. 466).


Para Ruesch, a fraqueza da psicanálise como contribuição humanista é acentuada por causa de sua aliança com a medicina. Esta aliança, diz o Autor, "trouxe afluência para a psicanálise mas empobreceu seu desenvolvimento teórico" (p. 480). Assim, o Autor vê o futuro da psicanálise, não no convívio com as ciências naturais, mas na associação contínua com as ciências sociais através de um cooperativsmo interdisciplinar.
A colocação de Ruesch é importante para este estudo: (1) por sua ênfase numa abordagem interdisciplinar para o estudo do comportamento humano; (2) por causa do seu reconhecimento da insuficiência de uma abordagem médica para a psicanálise, O enfoque interdisciplinar para o estudo do comportamento é viável através do elemento comum a todas as disciplinas, que é a comunicação. Comunicação é uma modalidade transacional que interliga todo o processo social e fornece os meios para que informações psicanalíticas e comportamentais possam ser abordadas conjuntamente.
Ruesch entende a comunicação como sendo uma influência interpessoal, que através da combinação de signos, constitui-se numa mensagem. A comunicação engloba, para o Autor, a percepção e expressão de eventos intrapessoais e interpessoais, e determina o "status" de uma relação social. Com efeito, o relacionamento social constitui-se num contexto que determina a formação do significado individual, e por extensão, o significado interpessoaI; Em suma, a percepção expressa-se por um processo comunicativo, que por sua vez, veicula um mundo que é percebido. Por exemplo, minha comunicação materializa minha percepção, que é, meu pensamento ou meu julgamento. Em conseqüência, as limitações e distorções da minha percepção podem comprometer os movimentos da minha ação.
Ruesch, embora fortemente interessado em informática, engenharia, e computadores, não perde de vista, nem a relevância das relações humanas, e nem a primazia da comunicação humana[p.134] como percepção e expressão (significação). O Autor usa a teoria de sistemas como base para observação e descrição rigorosa do comportamento humano, O comportamento humano, enquanto i sistema, constitui-se numa estrutura dinâmica que funciona dentro de determinados limites. Esta estrutura é mantida por mudanças reversíveis (qualquer forma de realimentação), e é alterada por mudanças irreversíveis (o crescimento ou o processo de envelhecimento). Enquanto sistema, o individuo tem a propriedade de relacionar-se com outros sistemas, semelhantes ou diferentes.
Ruesch (162) sugere o seguinte roteiro para a observação rigorosa do comportamento enquanto comunicação:


1. Aposição do observador no contexto pertinente; -
2. As escqlas de tempo e espço do observador e suas relações com as escalas de tempo e espaço do sistema observado;
3. A posição teórica do observador;
4. Os métodos e instrumentos do observador,
5. O propósito do observador;
6.0 viés do observador (Ruesch, 1972, p. 126)

Como se nota, Ruesch coloca a comunicação no centro do processo terapêutico e usa tipos específicos de comunicação como técnicas terapêuticas para reabilitar o doente. Ele critica as psicoterapias por confiarem exclusivamente na comunicação verbal. A expressão verbal, diz o Autor, não é capaz de veicular o espectrum total da ação individual. Ruesch codifica a comunicação em duas formas de sinais que devem funcionar em sincronia, a saber: (1) a codificação analógica (ou comunicação não verbal), e (2) a codificação digital (ou comunicação verbal). A codificação analógica é a representação contínua de sinais, por exemplo, a gesticulação. Já a codificação digital é a representação discontínua ou arbitrária de sinais, por exemplo, palavras ou números.
O distúrbio da comunicação é conseqüência da: (1) falta de domínio da comunicação não verbal (analógica); (2) falta de domínio da comunicação verbal (digital); ou (3) a deficiência de sicronizaçã entre estas duas formas complementares de comunicação. A deficiência de comunicação é causada por vários fatores tais como, relacionamento consigo mesmo, relacionamento com outros, problemas genéticos, ou doenças físicas. O Autor diz:


Termos tais como transferência, contratransferência,[p.135]


regressão, dissociação, delírios, ilusões, introversão, e muitos outros fatores, referem-se aos distúrbios de percepção, avaliação, papel social, ou linguagem (Ruesch, 1972, p. 692)


Para Ruesch, a prática psicoterapêutica não é uma atividade com características definidas. Csta, talvez, seja a razão que leva psicoterapêutas de orientações distintas discordarem do que venha constituir-se numa intervenção terapêutica. O Autor vê como terapêutico qualquer atividade que restaure a circularidade entre comunicação e ação. A intervenção terapêutica está na habilidade de se manipular sinais que possam ser decodificados pelo paciente. Sendo que a comunicação deteriorada conduz o indivíduo para o uso de formas de expressão primitivas, aconselha-se ao terapeuta o uso da comunicação não verbal.
Em resumo, o aspecto principal da contribuição de Ruesch está na ênfase dada à significância da comunicação. A descrição de um sistema de signos estruturado numa codificação analógica e digital permite o estudo da comunicação como um ato circular no processo de ação. Em outras palavras, a comunicação, embora manifeste-se por palavras, é significada através de gestos. Esta é a circularidade (palavras e gestos) de que fala Ruesch.


A semiótica de Harley Shands

 

Shands (1970) remete-nos para John Locke a fim de justificar o uso do termo semiótica, O Autor diz que Locke entende semiótica como "o estudo de esquemas comunicativos em qualquer modalidade" (p, 311). Assim Shands concentra-se no estudo de esquemas de comunicação, que para ele, constituem-se na base da intervenção psicoterapêutica.
Shands resume sua abordagem num pequeno livro de 80 páginas que ele escreve juntamente com Meltzer em 1983. Neste trabalho, Shands abre sua exposição discutindo o conceito de cultura, Cultura, ele diz, é um sistema arbitrário ou idiosincrático de crenças e rituais, e é uma organização estrutural compreensiva tão somente aos seus membros. Uma compreensão externa de uma cultura é possível quando manifestações desta cultura são inter-[p.136] pretadas com base em suas relações estruturais. Este posicionamento sobre cultura denota claramente a influência da semiótica no pensamento do Autor, desde que, ele compreende cultura como um sistema de signos cuja interpretação é possível unicamente através do estudo de suas relações.
Shands (1973) é influenciado pelos trabalhos de Saussure, Freud, Jakobson, Lévi-Strauss, Piaget, e mesmo Lacan. Assim, é compreensível que ele coloque a linguagem como o componente unificador da cultura. Para o Autor, psiquiatria é um ramo da filosofia natural e psicoterapia é uma antropologia clínica. Ele distingue antropologia cultural de antropologia clínica nos seguintes termos:


Antropologia cultural busca encontrar esquemas estruturais subjacentes ao comportamento do grupo. - . e antropologia clínica tem como tarefa o entendimento do comportamento que diferencia e aliena o indivíduo daqueles com quem era esperado que mantivesse relações sociais e de amizade. (Shands, l9]3,p. 11)

Shands diz, "o veículo da antropologia clínica é aquele da palavra, e a função da psiquiatria é o estudo da linguagem em ação" (p. 11).
Para Shands, na psicoterapia usa-se a linguagem como base para uma comunicação relacional onde o paciente revela seus esquemas comunicativos. Estes esquemas comunicativos aparecem na "transferência" e são tematizados e transformados através da interpretacão. A função da interpretacão é dirigir o paciente para "insights" que possam modificar formas anteriores de comunicação. Ele diz: "A capacidade para aliviar ansiedade através de meios puramente verbais é a maior característica da condição humana" (Shands, 1973, p. 28). Para Shands, a psicopatologia é um desvio cultural ou uma nova linguagem que tem de ser decodificada pelo terapeuta. Deve-se dizer que Shands, embora dando primazia a palavra,vê uma continuidade de sinais verbais e não verbais na comunicação simbólica.
Seguindo a tradição dos semiólogos, Shands rejeita os mecanismos de defesa de Freud e não vê progresso no estudo da psico[p.137] terapia em termos de uma ciência objetiva. Nestes termos, preocupa-se com o paradoxo dos resultados terapêuticos. De um lado, existe um pessimismo sobre pesquisas baseadas em análise estatística do tipo "antes e depois". E do outro lado, ele diz:
Todo este criticismo falha em avaliar o óbvio "sucesso" da psicoterapia em determinado tempo e em certo lugar quando este sucesso é estimado em termos de prestígio acadêmico, salários, e a capacidade de atrair pacientes e seguidores. (Shands e Meltzer, 1973, p.74)

Shands não propõe uma nova técnica, mas suas observações, exemplificam a importância da semiótica no estudo da psicoterapia.

Semiótica e Fenomenologia na Psicanálise de Jacques Lacan

A revisão da influência da fenõmenologia nos trabalhos de Binswanger, Boss, Frankl, e May foi grandemente facilitado pelas indicações oportunas de Spiegelberg (1972). Com respeito a Lacan, Spiegelberg fala somente que ele começa com a fenomenologia mas posteriormente volta-se para o estruturalismo. Ainda Spiegelberg (1972) identifica uma confluência entre a psicanálise de Lacan e a fenomenologia de Merleau-Ponty no sentido de que ambas as posições apoiam-se na teoria dos signos de Saussure.
Lacan é um psicanalista francês que através de uma "releitura" de Freud (1900, 1901, 1905) transforma a psicanálise usando uma fértil infusão da linguística geral de Saussure, das teorias dos dois eixos de linguagem de Jakobson (contigüidade e seleção) e do estruturalismo de Lévi-Strauss. Lacan também recebe influências do existencialismo (Kiekegaard) e fenomenologia (Heidegger). Para Richardson (1981), Lacan é uma exceção entre os psicanalistas por causa de sua abertura para a filosofia, principalmente a feriomenologia. O contato com existencialismo e fenomenologia precede historicamente aos contatos com lingüi'stica e estruturalismo.
Para uma melhor compreensão do relacionamento entre[p.138] fenomenologia e a psicanálise sugere-se o trabalho de Richardson (1981) "Phenomenology and Psychoanalysis". Para a relação entre psicanálise e semiótica sugere-se o livro de Wilden (1980) "System and Structure" Para uma breve esquemática das teorias de Lacan sugere-se o livro de Lemaire (1977, pp. 7-8).
Para Lacan o sujeito "infant" entra num mundo onde pré- existe uma estrutura sócio-cultural e lingüística. Esta estrutura constitui-se numa interrelação de signos que são unidos por leis
específicas. Esta interligação de signos é um relacionamento com-
plexo de significantes e significados mediados pela linguagem. Assim, a experiência imediata ganha sentido no relacionamento entre o significante (o som acústico) e o significado (o conceito) Contudo, esta relação imediata muda-se continuamente, e ocorre por conta de uma transformação simbólica no relacionamento entre percepção e expressão. Quando não existe mais esta continuidade entre o que é percebido e o que é expresso ocorre a neurose (Lemaire, 1977). Neste caso, o discurso manifesto em lin- 2 guagem, ou seja a expressão, não corresponde mais à percepção enquanto uma reflexão de si e do outro. Então a palavra falada distancia-se progressivamente da expressão da experiência imediata, que é a verdadeira essência da percepção. O inconsciente é uma micro estrutura que assimila uma estrutura macro-social e lingüística. Opera ao n(vel do simbólico e é estruturado como uma linguagem (Lemaire, 1977).
A estrutura do inconsciente é explicada em termos da teoria de Jakobson (1956) dos dois eixos. Richardson (1981) oferece o seguinte sumário desta teoria:

Um dos eixos é de contiguidade onde um elemento relaciona-se com outro por razão de proximidade e associação. O outro, é o eixo de seleção onde um elemento relaciona-se com outro por causa da similaridade/dissimilaridade entre eles.
O primeiro eixo estabelece o relacionamento entre os significantes que a retórica tradicional chamou de "metonímia". O segundo eixo estabelece o relacionamento entre os significados o que a retórica tradicional chamou de "metáfora". (pp. 7-9)

A teoria dos dois eixos pode ser exemplificada da seguinte[p.139] forma. Tome-se os termos 'Estádio Beira Rio' e 'Catedral de Saber'. No caso do termo 'Estádio Beira Rio' dois significantes (Estádio e Beira Rio) combinam-se para denominar uma praça de esportes pela razão física da proximidade, quer dizer através do eixo da contigüidade, e é chamado de metonímia. No caso do termo 'Catedral do Saber' dois significados (Centro Universitário e Catedral) combinam-se por razão de similaridade de tal maneira que o último substitui o primeiro. Na teoria esta substituição se dá no eixo da seleção e é chamado de metáfora.
Para Lacan, o conceito freudiano de condensação é uma forma de substituição fundamentada no princípio de similaridade/ dissimilaridade, então, para ser localizado linguisticamente no eixo de seleção (metáfora). Já o conceito de deslocamento funciona por razão de contiguidade, e é para ser localizado linguisticamente no eixo de combinação (metonímia) (Richardson, 1981).
É bom lembrar que esta breve apresentação do trabalho de Lacan tem por objetivo identificar suas raízes semióticas e fenome. nológicas. Assim, Wilden (1980) informa-nos que Lacan não usa uma terminologia semiótica por causa de uma "errônia tendência na França de subordinar a terminologia da semiótica à terminologia da lingüística" (p. 19). Wilden diz que nos últimos anos "Lacan havia dito que 'para o inferno com a lingüística' e estava trabalhando para desenvolver, o que ele chamou, 'uma lógica do significante" (p. 19). Esta preocupação com a "lógica do significante", como apresentada em análise na pontuação do sentido que emerge no fluxo do significante, é em si mesmo um projeto semiótico.
Richardson (1981) distingue três aspectos na psicanálise de Lacan que apresentam similaridades com a fenomenologia de Heidegger. A primeira similaridade, talvez em estado latente, refere-se a funcão da fala na análise de Lacan e a hermenêutica ontológica do "Dasein" em Heidegger. A aproximação entre as duas teorias estaria na concepção de que é através da fala que alguém se dá a uma compartilhação com outro, O único problema que Richardson vê nesta similaridade é a questão da transferência, que segundo ele, não é compatível com a hermenêutica de Heidegger. Uma segunda correlação sugestiva refere-se a polaridade da "fala vazia" (discurso imaginário) e da "fala cheia" (discurso simbólico) de Lacan, com os modos inautêntico ("IdIe talk" ou Gerede) e autêntico (talk" ou Rede) do "Dasein" de Heidegger.[p.140] Esta similaridade é também indicada por Wilden (1980, p. 21). A mesma polaridade está também presente na fenomenologia de Merleau-Ponty (1971) como fala falada (parole parlée) e fala falante (parole parlante):

Já distinguimos a fala empírica, a palavra como fenômeno sonoro, o fato de que tal palavra seja dita em tal momento por tal pessoa, que pode se produzir sem pensamento - e a fala transcendental ou autêntica, aquela pela qual uma idéia começa a existir. (p, 394)

Finalmente, Richardson vê uma inconfundível influência heideggeriana em Lacan, em três premissas básicas de sua psicanalise:

1. Em psicanálise o sujeito assume sua própria história;
2. A constituição da história do sujeito toma lugar através da fala dirigida ao outro;
3. Esta articulação da história, da verdade da experiência passada para o outro, constitui-se na base do que Freud chama psicanálise, isto é, a cura pela fala ("the talkingcure").
Lacan (1966) apresenta o relacionamento entre a fala e a análise de uma forma concisa e elucidativa:

O sujeito começa a análise falando sobre si mesmo
sem falar com você (o analista) ou falando para você
sem falar de si mesmo. Quando ele pode falar para
você sobre si mesmo, a análise está terminada. (p.313)

Curiosamente, esta mesma temática aparece em Rogers (1961, cap. VII) onde ele descreve as mudanças na fala durante o processo terapêutico.
Richardson conclui seu artigo mencionando uma breve colocação de Lacan no final de um congresso na "L'Ecole Freudienne" em Paris (julho, 1978). Nesta ocasião, Lacan admite que "nós ainda não sabemos porque acura pela fala cura". Contudo, Richardson vê na fenomenologia, principalmente nã hermenêutica heideggeriana, uma possibilidade metodológica muito atrativa para o estudo da cura pela fala. Para concluir esta breve discussão entre[p.141] as possíveis aproximações entre fenomenologia e psicánalise, é oportuno lembrar uma citação de Merleau-Ponty. Diz o Autor:

A fenomenologia oferece à psicanálise certas categorias, certos meios de expressão que ela necessita para uma afirmação própria. A fenomenologia permite a psicanálise reconhecer a realidade psíquica sem equívocos, a essência "intrasubjetiva" das formações mórbidas, a operação fantástica que reconstrói um mundo à margem e contra um verdadeiro mundo, uma história vivida sob uma história efetiva
- um mundo chamado doença. O pensamento freudiano, por sua vez, confirma a fenomenologia em sua descrição de uma consciência que não é apenas conhecimento ou representação enquanto investimento; ela traz para a fenomenologia uma riqueza de exemplos concretos que reforçam o que se tem dito sobre a relação do homem com o mundo e os laços interhumanos. Fenomenologia e psicanálise, num encontro mútuo, poderiam nos conduzir para um "verdadeiro humanismo" sem metafísica. (Merleau-Ponty, 1969, pp. 81-82)

Conclusão


Existe uma temática convergente entre as psicoterapias semióticas e fenomenológicas. Todas elas rejeitam as reformulações mecanicistas de Freud sobre a natureza humana e visionam uma intervenção psicoterapêutica livre de teorizações. Os fenomenólogos concentram-se no aparecimento da experiência imediata na consciência e os semiólogos concentram-se na linguagem enquanto um sistema de signos em cuja estrutura o sentido é entendido.
A teoria de Freud é vista como uma referência comum onde os novos modos de intervenção são constituídos. O trabalho de Freud é portanto um marco histórico. Freud foi um produto de um tempo particular e falou a linguagem do seu tempo. Este é O ponto principal da releitura de Freud por Lacan. Baseando-se em uma concepcão de ciência humana, Lacan atualiza as teorias[p.142] de Freud, e proporciona-nos um retorno as bases do freudismo. Este retorno foi possível por causa das contribuições da fenomenologia existencial e semiologia. A fenomenologia existencial forneceu um novo conceito de ser humano onde a psicanálise é reformulada em: "Daseinanalyse" (Binswanger), "Daseinsanalytik" (Boss), ou análise existencial (May). A semiologia aponta para a linguagem enquanto a unificadora da inter e intra.comunicação humana. A relevância da comunicação verbal é uma temática comum em Boss e Ruesch. O conceito de ser-no-mundo (Binswanger) correlaciona-Se com o conceito de sistemas sociais (Ruesch) no sentido que a espécie humana é um ser situado.
A fenomenologia é usada por estes psicoterapêutas enquanto um conceito (o fenômeno tal como aparece) e não enquanto um método para a descrição sistemática da experiência imediata na consciência. Contudo, quando a fenomenologia é vista como uma metodologia (Smith; e Richardson), ela correlaciona-se (mais a proposição de Smith do que a de Richardson) com as observações semióticas enquanto uma descrição rigorosa (Ruesch). Ambas, fenomenologia e semiótica concentram-se na observação do dado (signo) que ganha significância numa estrutura relacional (sistema) excluido desta observação os possíveis julgamentos ou preconceitos (viés).
Tanto os fenomenólogos (Smith e Richardson) quanto os semiólogos (Ruesch e Shands) abandonam a metodologia da ciência natural por causa de sua incompatibilidade com a natureza humana. Ruesch diz que somente um esforço interdisciplinar pode estudar a informação psicanalítica juntamente com a informação comportamental.
A conexão interdisciplinar que se propõe neste presente estudo é a da fenomenologia semiótica. A discussão da fenomenologia enquanto método é tarefa para um próximo trabalho. (Vide, Gomes, 1985)


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