Relevāncia
Quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Cotidiano e Educação Musical desenvolve suas ações articulando o ensino, a pesquisa e a extensão desde 1996, com o objetivo de analisar a música e suas relações com a educação na perspectiva das teorias do cotidiano. Os resultados já obtidos mostram que o conhecimento musical produzido é significativo pelo caráter social que adquire: aprende-se música tanto para si, pessoalmente, quanto em situações sociais e coletivas. As investigações já realizadas apontam para a construção de políticas públicas inclusivas que entendem a diversidade cultural como um dos seus pilares básicos para se promover a necessária transformação social.

O diálogo da educação musical com as teorias do cotidiano é muito importante, pois permitir que as ações didáticas propostas procurem reconstruir uma dada realidade, retratando as experiências e vivências musicais concretas dos alunos. Aproximando a aula de música desse “real”, com referenciais teóricos sólidos, introduz-se inúmeros desafios. Um deles é a necessidade de compreender o papel da música para os alunos e de que forma podemos nos aproximar e interagir com esse conhecimento. A importância desse diálogo revela-se, sobretudo, no paradigma da experiência musical como uma experiência social, que somente pode ser compreendida dentro de um sistema de valores, estruturas e organizações que são construídas historicamente.

As escolas da rede de ensino públicas e privadas de todo o Brasil têm até 2011 para incluir o ensino de música em sua grade curricular. A exigência está estabelecida na lei nº 11.769/2008, e determina que a música deva ser conteúdo obrigatório em toda a educação básica cujo objetivo não é formar músicos, mas desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração dos estudantes no cotidiano de sua comunidade.

A música não necessariamente deve ser uma disciplina integrada ao ensino de arte. Antigamente, a música era uma disciplina. Hoje não. Ela é apenas uma das linguagens da disciplina chamada artes, que pode englobar ainda artes plásticas e artes cênicas. Uma das propostas é trabalhar de forma multidisciplinar e, nela, teremos um professor de música ou professores de diferentes áreas devidamente qualificados para o desenvolvimento de projetos e atividades envolvendo a música. É a oportunidade de trabalhar música na escola através do teatro, dança, coral, banda, orquestra, grupos instrumentais, e mais um grande número de ações. E cada escola terá autonomia para decidir como incluir a música na grade curricular de acordo com seu projeto político-pedagógico.

A prática da música na escola há de ser sempre diversificada. A aplicação da prática musical na escola dependerá de circunstâncias que variam com os interesses locais, as aspirações de cada comunidade, enfim, com a realidade cultural e social de cada jovem. O importante é que a música retorne aos currículos escolares, mas principalmente por meio de projetos integrados às diferentes disciplinas, valorizando e fortalecendo a cultura da comunidade. Não necessariamente para formar músicos, mas para formar cidadãos plenos.