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Os sentidos do sacrifício na religiosidade afro-brasileira

cravo-mario-netoO NER vem acompanhando e debatendo um projeto de leique tramita no legislativo gaúcho e pretende submeter os rituais afro-brasileiros que envolvem animais às mesmas regras que presidem o chamado "abate humanitário". José Carlos dos Anjos, professor do Departamento de Sociologia da UFRGS, desenvolve sua crítica a tal concepção. Confiram também o texto em que Cauê Fraga Machado, doutorando em Antropologia, reflete sobre o tema

Foto: Mario Cravo Neto

Os sentidos do sacrifício na religiosidade afro-brasileira, José Carlos dos Anjos

Olhando-se para a religiosidade afro-brasileira pelo mesmo ângulo que se promoveu o tráfico de milhões de africanos através do atlântico na condição de escravizados e se aniquilou milenares culturas indígenas nas Américas, se pode, sim, concluir que são bárbaros os rituais de sacrifícios de animais realizados nos terreiros. O olhar arrogante que de forma intolerante vem, há mais de um século, policiando, segregando e confinando na temeridade uma forma milenar de religiosidade tem mostrado que pode decretar o fechamento definitivo das casas de religião afro-brasileira do país. Decretar que não é mais legal o sacrifício religioso de animais é o mesmo que banir o culto aos orixás por puro preconceito.
Sob a mesma arrogância colonialista com que no passado se procedeu ao tráfico, escravização, catequese forçada, os religiosos afro-brasileiros estão, hoje, sendo acuados. Serão, os religiosos afro-brasileiros, levados a acatar o que a cultura dominantemente ocidental define como sendo o sentido das coisas do mundo, as sensibilidades em jogo no cosmo? O sentido dos acontecimentos cósmicos podem ser decididos, por decreto, a partir da sensibilidade de uma única cultura? As certezas imperativas terão de ser sempre e em toda a parte aquelas que a tradicional cultura ocidental sanciona? Os sentidos ocidentais de verdade e as sensibilidades ocidentais em relação ao sofrimento, ao que é humano, o belo, o divino, continuarão a ditar a ordem do mundo sem a menor abertura em relação a possibilidade de que essa outra cultura – a afro-brasileira – tenha reconhecida a condição de “maioridade” para dizer o que é válido para ela, a sua verdade humana, natural e cósmica?
O sacrifício de animais nos terreiros dá-se numa forma milenar de cultura que não separa o divino, o humano e o natural nem mesmo no sofrimento. No sacrifício há uma única pessoalidade em metamorfose e renascimento. Por estarem congregados numa unidade, o sacrifício é um momento especial de fusão de destinos e renascimentos em uma unidade simultaneamente animal, humana e divina. O sacrifício só ocorre na medida e quando não há a recusa das três partes que se entregam ao acontecimento cósmico. As acuradas sensibilidades desenvolvidas na religião para o cuidado do animal não podem ser substituídas por técnicas veterinárias, porque aquelas são mais antigas, sensíveis, mais sofisticadas e sobretudo, abertas a insondáveis dimensões cósmicas.
Porque uma religião milenar deveria se curvar ao culto moderno da ciência quando ela carrega suas próprias ciências e seu sentido de verdades que se situam para além das questões que técnicas modernas podem apreciar? Quando se coloca a religiosidade afro-brasileira diante de exigências de comprovações veterinárias de não-sofrimento animal, se poderia perguntar ainda, “porque algumas ciências devem ser levadas em conta e outras não?” Outras disciplinas acadêmicas, com um século de proximidade em relação à religiosidade afro-brasileira, como é o caso da antropologia e da sociologia, em nenhuma das suas expressões e controvérsias, desqualifica o sacrifício animal na religiosidade afro-brasileira como forma de crueldade. Essas outras disciplinas não deveriam ser levadas em conta nesse debate atual? Internacionalmente reconhecidos clássicos das ciências sociais nacionais (como Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Edson Carneiro) e estrangeiros (como Juana Elbein dos Santos, Pierre Fatumbi Verger, Roger Bastide) em nenhum momento de suas vastas obras renegaram o sacrifício animal na religiosidade afro-brasileira. Pelo contrário, todos estiveram próximos do lapidar enunciado de Bastide:
"A filosofia do candomblé não é uma filosofia bárbara,e sim um pensamento sutil que ainda não foi decifrado" (Bastide, 1978).
Um pouco menos de arrogância deveria levar os não-religiosos afro-brasileiros, interessados no tema, a respeitosamente, diante da diferente relação cósmica, perscrutarem a lembrança de que todo o nascimento dá-se no e pelo sangue – em seus múltiplos sentidos cosmológicos. O ritual poderia, para os de fora, situar mais do que uma memória da condição humana; poderia monumentalizar uma esperança. A esperança do renascimento humano menos conflituoso e mais imerso na natureza – essa lembrança sempre renovada nos sacrifícios da religiosidade afro-brasileira. Sem proselitismo, a religiosidade afro-brasileira não pede que a sigam, apenas respeita e se dá ao respeito dos que não comungam dos mesmos valores. Com essa postura se abre ao diálogo.

Referência
BASTIDE, Roger- O Candomblé da Bahia - São Paulo, Nacional, 1978.

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A proibição do sacrifício em religiões de matriz africana e o genocídio cultural
Cauê Fraga Machado (Doutorando PPGAS-MN/UFRJ)
Marcio Goldman (1984) já havia elaborado no âmbito da antropologia que o sacrifício e a possessão constituem os pilares das religiões de matriz africana. O antropólogo Norton Corrêa afirma, em artigo recente, que "proibir o sacrifício de animais, o eixo da religião, é aniquilar o modo de vida de seus seguidores" (2015). Consultando apenas esses dois autores e qualquer pai ou mãe de santo do batuque gaúcho é possível chegar a conclusão simples – mas ignorada pelos entusiastas da “causa animal” e do Projeto de Lei (PL 21/2015) de autoria da Deputada Regina Becker Fortunati (PDT) – de que sem sacrifício não existe religião de matriz africana.
Importante lembrar que por de matriz africana penso, para distinguir da umbanda de linha branca, religiões que trouxeram um panteão e com ele rituais que aqui no Brasil se modificam, sem, contudo, perder seus pilares (possessão e sacrifício), sua condição mesma de existência. A umbanda, grosso modo, criada aqui no Brasil, com panteão de entidades nascidas em solo brasileiro, realiza rituais que não incluem sacrifícios. Mas umbanda não é batuque. Batuque não pode “evoluir” para umbanda, evolução que muitos reclamam: “algumas religiões afro-brasileiras evoluíram e não fazem mais sacrifícios”, dizem. Não, Janaína, por exemplo, não é uma “evolução possível” de Iemanjá. São deidades distintas, de religiões diferentes.
Os religiosos gritam pelo direito a sua liberdade de culto e denunciam o racismo presente na proibição do sacrifício e na ideia de abate humanitário, o que também não é levado em conta pelos “ativistas” e pela mídia tendenciosa. Abate humanitário, que por sinal, os religiosos já praticam antes mesmo de tal noção existir.
No presente momento em que os religiosos são atacados PL (21/2015) é urgente falar de ponto de vista um pouco mais radical sobre a temática face ao campo de disputas entre religiosos e “defensores dos animais” e seu reflexo na normatização das práticas rituais através de leis. (Aliás, novos projetos de lei em diferentes municípios não param de se proliferar, como a proibição do uso de tambores – outro elemento sem o qual as religiões de matriz africana não podem existir – discutida em Viamão/RS).
Anjos (2015) nos brindou com a belíssima descrição de uma co-participação de humanos, animais e divindades no ato do sacrifício, onde todos se doam, compartilhando sofrimento, para o renascimento no santo. No mesmo texto o autor traça a linhagem da PL (21/2015) que vai da Câmara dos Deputados até o período colonial, demonstrando as raízes colonialistas embutidas nesse projeto de lei. Gostaria de acrescentar que, além do racismo e do colonialismo, a lei em questão faz parte de um antigo e ininterrupto projeto genocida das populações e/culturas minoritárias, sejam elas de matriz africana, ou as culturas ameríndias. O Projeto de Lei se enquadra na esteira do espólio de terras de populações tradicionais, na segregação sociocultural, na dispersão dos grupos étnicos, tudo a fim de acabar com suas culturas.
Ora, se comer sangue e vísceras de animais imolados é o que dá vida às divindades afro-brasileiras, criando simultaneamente assentamentos e filhos de santo, a extinção de tal ritual é sinônimo de seu fim. É a morte, o extermínio, o genocídio de incontáveis divindades e seus filhos que ainda não nasceram, ou foram feitos, assim como pode significar a morte de assentamentos antigos que deixariam de comer sua principal fonte nutritiva. Isso pode, em último caso, acarretar não apenas a morte de uma deidade de origem africana, mas a morte de seus filhos, que como mostram diversas descrições etnográficas são duplos de suas divindades (e vice-versa), numa relação de feitura e nascimentos mútuos. E sem sacrifício, nem morrer em paz os religiosos poderiam, pois seus ritos fúnebres também envolvem sacrifícios. Trata-se realmente de uma das mais perversas formas de racismo-genocida.
Além de tudo, inverte-se valores, fazendo de pais e mães de santo (sacerdotes de mais alto nível na hierarquia da religião), “assassinos” – como se pode ver em cartazes e ouvir nos gritos em manifestações – eles que criam e cuidam da tantas vidas... Fazem dos autores e defensores do projeto de lei os maiores humanistas, eles tão evoluídos, mas incapazes de admitir que estão prestes a aniquilar não apenas modos de vida, mas as próprias vidas em mais um grande genocídio cultural.
E a semelhança entre os antigos bailes de corda (com negros de um lado e brancos do outro) e a divisória colocada entre o “povo do axé” e os “defensores dos animais” nas últimas manifestações não deve ser mera coincidência.

Referências
ANJOS, José Carlos dos. (2015). Os sentidos do sacrifício nas religiosidades afro-brasileiras. In: http://www.ufrgs.br/ner/index.php/estante/visoes-a-posicoes/69-os-sentidos-do-sacrificio-na-religiosidade-afro-brasileira.
CORRÊA, Norton. (2015). O sacrifício de animais no batuque. In: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2015/04/04/artigo-o-sacrificio-de-animais-no-batuque/
GOLDMAN, Marcio. (1984). A possessão e a construção ritual da pessoa no candomblé. (tese de doutorado), PPGAS-MN/UFRJ.
http://www.radioguaiba.com.br/noticia/projeto-que-proibe-sacrificios/

  • PASSEIOS NO RIO DE JANEIRO COM CHUVA

    Postado em 2017-07-10 23:50:24

    Não deixe a analisar similarmente os sorvetes e também sucos com frutas tropicais tal como Cupuaçú,
    Açaí, Tapeba na Sorveteria Congelado em aliança do Anfiteatro Amazonas.

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  • Ponchiktap

    Postado em 2015-10-02 23:00:03

    Здравствуйте!

    http://buytimes.ru
    Супер Копии часов

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  • Katia Vargas

    Postado em 2015-04-02 19:49:14

    A questão dos animais é pura hipocrisia pra camuflar o real preconceito contra as religiões afro brasileiras. As pessoas não conhecem e morrem de medo porque algum sacerdote de outra religião muito inteligentemente um dia resolveu dizer que isso era coisa do diabo! Claro...vai empoderar escravo pra que?! Pra se rebelar? Esse preconceito segue atravéz dos séculos e se multiplica com as mais diversas bobagens faladas nas novas religiões "cristãs". Matar um animal pra comer é tão natural quanto plantar e colher. Nossas avós faziam isso no sítio e ninguém reclamava no almoço de domingo!

    Responder ao comentário

  • Katia Vargas

    Postado em 2015-04-02 19:48:23

    A questão dos animais é pura hipocrisia pra camuflar o real preconceito contra as religiões afro brasileiras. As pessoas não conhecem e morrem de medo porque algum sacerdote de outra religião muito inteligentemente um dia resolveu dizer que isso era coisa do diabo! Claro...vai empoderar escravo pra que?! Pra se rebelar? Esse preconceito segue atravéz dos séculos e se multiplica com as mais diversas bobagens faladas nas novas religiões "cristãs". Matar um animal pra comer é tão natural quanto plantar e colher. Nossas avós faziam isso no sítio e ninguém reclamava no almoço de domingo!

    Responder ao comentário

  • Denise Botelho

    Postado em 2015-03-26 12:01:49

    Amad@s, bom dia!
    Nos sacerdotisas e sacerdotes de religiões de matrizes africanas, não sacrificamos animais e, sim sacralizamos as ofertas animais que na maioria das vezes estarão sendo servidas para comunidade que reverenciam os Orixás.

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  • Marcos

    Postado em 2015-03-26 00:21:45

    Não há absolutamente nenhuma justificativa moral para o sacrifício de animais, em QUALQUER tipo de religião. Isso precisa acabar urgentemente. Cultura jamais pode ser justificativa para esta atrocidade.

    Chega de especismo!

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    • Vladimir Stolzenberg Torres

      Postado em 2017-12-15 09:40:35

      Não existe moralidade e nem imoralidade! Trata-se condição sine qua non de amoralidade, ou seja, está fora dos parâmetros! Questões de fé somente podem ser questionáveis quando atentarem contra a vida humana!

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    • Álvaro

      Postado em 2015-04-03 20:01:56

      Há os que verdadeiramente se manifestam em nome dos animais, mas não por isso menos erroneamente, pois desconhecem os ritos das Religiões Afro, não sabem que os animais não podem sofrer e que após mortos sua carne servira de alimento a todos que quiserem.
      A esses nosso perdão.
      Mas há também, e ai entra boa parte, aqueles que falam em MORAL. Estes são os mesmos que passeiam com seus carrões levando o cachorrinho ao colo e que fecham os vidros quando veem um pedinte qualquer ou uma criança necessitada.
      A esses a nossa compaixão.

      Responder ao comentário

    • Álvaro

      Postado em 2015-04-03 20:01:17

      Há os que verdadeiramente se manifestam em nome dos animais, mas não por isso menos erroneamente, pois desconhecem os ritos das Religiões Afro, não sabem que os animais não podem sofrer e que após mortos sua carne servira de alimento a todos que quiserem.
      A esses nosso perdão.
      Mas há também, e ai entra boa parte, aqueles que falam em MORAL. Estes são os mesmos que passeiam com seus carrões levando o cachorrinho ao colo e que fecham os vidros quando veem um pedinte qualquer ou uma criança necessitada.
      A esses a nossa compaixão.

      Responder ao comentário

    • Álvaro

      Postado em 2015-04-03 20:00:42

      Há os que verdadeiramente se manifestam em nome dos animais, mas não por isso menos erroneamente, pois desconhecem os ritos das Religiões Afro, não sabem que os animais não podem sofrer e que após mortos sua carne servira de alimento a todos que quiserem.
      A esses nosso perdão.
      Mas há também, e ai entra boa parte, aqueles que falam em MORAL. Estes são os mesmos que passeiam com seus carrões levando o cachorrinho ao colo e que fecham os vidros quando veem um pedinte qualquer ou uma criança necessitada.
      A esses a nossa compaixão.

      Responder ao comentário

    • Franco

      Postado em 2015-03-26 03:57:40

      E, me diga, você acha que também os açougues precisariam se justificar moralmente para o abate de animais?

      Responder ao comentário

  • Alexandre Barbosa

    Postado em 2015-03-25 03:14:19

    A Antropologia deve sempre fazer sim o papel de buscar entender o significado/e sentido do outro, da cultura, da alteridade. Não podemos deixar que pensamentos etnocêntricos dominem e/ou voltem aos tempos do Brasil colonia. Espiritualidade, religiosidade pode sim evoluir, mas aos olhos dos seus adeptos, praticantes, seguidores, e não aos olhos de uma minoria que para proibir os costumes da religião de matriz africana, diz ser esse " o caminho da evolução" por Olorun, que pensamento mais etnocêntrico, preconceituoso e imperialista, como pode alguém falar de evolução de uma tradição religiosas de mais de 10 mil anos, sem ao menos se quer ter embasamento empírico e conhecimento. A evolução da nossa sociedade, certamente está em outros aspectos que há muito tempo não evoluem na legislação desse país! Viva o estado Laico, viva as religiões de matriz africana no Brasil e na diáspora, viva a religião tradicional Yorubá, que Elegbara e Ifá nos guiem pelo caminho da resistência! Asè( Axé)

    Responder ao comentário

  • Rafael

    Postado em 2015-03-24 23:35:03

    Isso é intolerância religiosa e ponto.

    Fora os bizarros que acreditam em ética na veterinária (ou na ética científica diante de animais como um todo), tem até a turma do veganismo que se acha radical e adora criticar especismos... Prefiro a lucidez do povo budista no tibete, quando afirmam que a carne de um só Iaque alimenta uma família, e se dizem compadecidos com os que só alimentam-se de vegetais, pois muitos seres morrem e são afetados pelo seu cultivo.

    Se alguém ainda não concorda com isso, só deixo a seguinte provocação: mexer com os latifúndios que lucram mandando animais a matadouros ninguém quer, né?

    Então, é isso: intolerância religiosa e ponto.

    Responder ao comentário

  • Fabiano Junqueira

    Postado em 2015-03-24 09:42:03

    É triste quando a Antropologia se coloca contra o desenvolvimento ético, cujas pretensões vão além da tradição e dos costumes. Que os religiosos não sejam perseguidos é uma defesa ética. Que as religiões cujos preceitos vão além da crueldade praticada voluntariamente por um eu que assim se ofereça já é bastante diferente. Assim, com base na tradição ou ao forjar uma perseguição religiosa, o que esse tipo de Antropologia faz é forçar que freie algo que poderia evoluir. Conheço vários praticantes de religiões de matriz afro que entendem que a matança de animais poderia ser substituída por outra forma simbólica, mais sintonizada com a evolução ética da humanidade. Claro que se todos fôssemos veganos, seria mais fácil de se compreender. Os não veganos, talvez iludidos, acham que os animais mortos em abatedouros sofrem menos. Estão enganados. Nenhum animal da nossa espécie ou das outras (visto que somos todos animais) deveria ser explorado, usado, morto. Meu profundo respeito só vai para as religiões ou os religiosos que se abrem a refletir sobre a mudança e a evolução.

    Responder ao comentário

    • Franco

      Postado em 2015-03-26 03:55:38

      É triste ver uma noção tão limitada, presa e etnocêntrica sobre evolução, ou, o que é pior, como se a ideia mesma de evolução DEVA (imposição) estar presente ou ser buscada.

      Responder ao comentário

    • Ana POA

      Postado em 2015-03-24 17:27:12

      Um amigo e doutor em Sociologia postou este link sob o título: Para reflexão
      Buenas tenho 37 anos, sou afro- umbandista desde a barriga de minha mãe, nestes anos todos sempre pude perceber o quão polêmico é o tema Religião Africana.
      há alguns anos atrás participei de um ato que reuniu africanistas e simpatizantes, na época queriam fechar e proibir as práticas de nossa religião, lembro que ao chegar na frente do Piratini fui agredida por um mulher"branca", com um cartaz que trazia as seguinte frase,ASSASSINOS PAREM DE MATAR NOSSAS CRIANÇAS E ANIMAIS", fato é que não se vê e nem se escuta críticas as religiões que estão pela ordem.
      Falo pela ordem por que nossa religião é símbolo de resistência e através dos toques dos tambores passamos nossa tradição e cultura de geração em geração, sobrevivemos a escravidão, que ainda hoje é manifesta através do racismo e preconceito a nós (povo negro)deferido.
      Refletir sobre mudanças e as evoluções a cerca da questão religiosa é respeitar o livre arbítrio, é lutar por uma sociedade justa e livre de opressão. Toler esta tradição é legitimar o racismo, a perseguição e opressão em suas formas nuas e cruas.
      Sobre o sacrifício, é a parte da religião mais tradicional e antiga, é que nos mantém unos aos nossos orixás e entidades, o sangue é vida, é a nossa aliança com o mundo espiritual, a carne sempre é cozida e distri
      buída para os morixás, não submetemos os animais a penosidade, ou morte lenta como nos matadouros!
      Não expomos os animais a maus tratos, nos são muito valiosos.
      Para não me estender muito, lamento que visões deturpadas sobre nossa religião reforcem a perseguição aos cultos de matriz africana, mas como já falei nossa religião e acima de tudo de RESISTÊNCIA permanente.
      Resistiremos até o fim!

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