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Notícia


Bovinocultura de Corte: O que mudou durante quase um século?

29/11/2018



A pecuária de corte no sul do Brasil perdeu poder de compra e incorporou novos insumos, não necessariamente essenciais à produção.


Na figura construída no início dos anos 2000 e atualizada recentemente, com a colaboração do Prof. Ricardo Oaigen (CTPEC-UNIPAMPA), procuramos mostrar que no século passado, uma pecuária de cunho extrativo, de grande escala, tinha mínimos gastos. Portanto, mesmo com produtividades ridículas ainda era possível sobrar dinheiro e crescer. Até o final dos anos 70, era uma pecuária executada por peões, com leis muito flexíveis, instalações precárias, dormiam nos pelegos, comiam à beira de um fogão. Não havia sanidade, suplementação, inseminação, quase nada. O pecuarista era um senhor, um rei, sem castelo! Estamos falando de menos de um século. O seu produto era um boizão de 500-600 kg.

Nos últimos 40 anos, as necessidades para que a atividade continuasse foram crescentes em aspectos estruturais, técnicos, pessoais e legais. O rei agora teve seu território diminuído, seu poder (a legislação, os impostos, etc) evaporou-se. O mundo do consumo pessoal chegou ao campo e expandiu no meio do processo produtivo.

Análises do tipo: mas a produtividade era muito baixa e atualmente produzimos muito mais; sim produzíamos 30 kg de peso vivo por hectare e custo zero. Hoje, com o avanço tecnológico, esse mesmo produtor saiu de 30 para 300, multiplicou a produtividade por 10; contudo, vejam no quadro, que a lista do supermercado cresceu em itens e valores - muito mais do que 50 vezes. E o produto hoje é o mesmo boi, apenas mais jovem! Então, em tempos, quando ao invés de alcançar um kg de erva mate aos seus “hoje colaboradores”, o pecuarista tem de alcançar um bom sinal de Wi-Fi. Pois, a hora do chimarrão, que usa recursos naturais, conhecimento empírico e a prática atávica da cuia de mão em mão, agora foi substituída pelo serviço de alta tecnologia, das empresas mais ricas do mundo: Apple e Microsoft. Então, o caminho é fazer esse boi valer mais do que o Smarth Phone. Para isto, necessário será que a carne seja escassa ou que a presença de valores intangíveis, mas perceptíveis pela sociedade que consome carne bovina, possa convencê-la a pagar mais pela produção! O maior desafio é como fazer isto, mas já é outra história!

Profs. Júlio Barcellos e Ricardo Oaigen.



Bovinocultura de Corte: O que mudou durante quase um século?