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Crise política ameaça tesouros arqueológicos das Maldivas

Crise política ameaça tesouros arqueológicos das Maldivas

Ali Waheed, diretor do Museu Nacional das Maldivas, mostra uma das exposições em Male (13/02). Foto: NYT

Vandalismo em estátuas budistas em museu aumenta temor de extremismo em nação muçulmana que vive tumulto

O vidro do Museu Nacional quebrado por vândalos havia sido varrido e os pedaços que restaram das estátuas budistas destruídas - cerca de 30 delas, algumas que datavam do século 6 – foram guardados. Mas as autoridades dizem que a perda para o legado arqueológico das Maldivas nunca mais será recuperada.

Em meio ao tumulto político, dezenas de homens invadiram o museu no dia 7 de fevereiro e saquearam uma coleção de estátuas feitas em coral e calcário. As autoridades disseram que os homens atacaram as estátuas porque acreditavam se tratar de ídolos religiosos - ilegais nas leis islâmicas e nacionais.

As estátuas foram destruídas no mesmo dia em que Mohamed Nasheed, que foi eleito presidente em 2008 na primeira eleição democrática do país, renunciou ao cargo. Nasheed disse que foi forçado a fazê-lo, vítima de um golpe de Estado, mas seus adversários disseram que ele saiu voluntariamente.

Ali Waheed, o diretor do Museu Nacional, que foi construído pela China como um presente para o país, disse na segunda-feira que os funcionários podem até ser capazes de restaurar duas ou três das estátuas danificadas, mas que o restante estava praticamente perdido.

Alguns relatos conflitantes sobre os suspeitos de atacar o museu terem sido presos tomaram conta da mídia local.

Waheed disse que cinco homens foram encontrados e presos, mas um porta-voz da polícia, Ahmed Shiyam, disse que os investigadores ainda estavam coletando evidências e não tinham nenhum posicionamento definido.

Naseema Mohamed, uma historiadora que se aposentou do museu no ano passado, disse que a perda foi particularmente devastadora porque muitos dos artefatos antigos do país, dispersos por todo o arquipélago, haviam sido perdidos ou destruídos ao longo dos anos pelos habitantes locais e por seus governantes. "Não nos restava quase nada," ela disse.

Mohamed e Waheed disseram que nos últimos anos alguns muçulmanos conservadores haviam sugerido a remoção das estátuas do museu, mas que nunca houve nenhuma ameaça real.

Oficiais do Adhaalath, um partido político islâmico que participou dos protestos contra o governo de Nasheed, condenou o vandalismo das estátuas. Embora o partido tenha criticado o que chamou de políticas anti-islâmicas de Nasheed, eles disseram que nunca haviam se oposto à presença das estátuas no museu.

"Estamos muito preocupados com isso", disse Mohamed Iaad Hameed, presidente do comitê de comércio e desenvolvimento econômico do partido, em uma entrevista na segunda-feira. "E nós, como partido, somos totalmente contra o extremismo.”

Por Vikas Baja

 

FONTE: http://www.tosabendo.com/conteudo/noticia-ver.asp?id=220588