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Túmulo do século I pode esconder exemplo mais antigo de arte cristã

Ossários têm inscrições em grego e uma imagem que remete para a história de Jonas

2012-02-28

Jonas na boca de um peixe, num túmulo em Jerusalém
Jonas na boca de um peixe, num túmulo em Jerusalém

A exploração arqueológica, em 2010, de um túmulo intacto do século I, em Jerusalém, revelou aquilo que pode ser a mais antiga imagem cristã. A investigação foi feita utilizando uma câmara robótica que mostrou um conjunto de ossários em pedra calcária, gravados com uma inscrição grega e uma imagem que os especialistas identificam como sendo“claramente cristã”.

A inscrição grega de quatro linhas num dos ossários refere-se a deus “elevando” ou “erguendo” alguém e a imagem esculpida na pedra num ossário adjacente mostra um peixe muito grande com uma figura humana na boca. Os especialistas consideram que se trata da evocação da história de Jonas, profeta do Antigo Testamento.

 

No relato bíblico, Jonas foi engolido por um peixe, no mar Mediterrâneo, quando fugia de uma missão que lhe tinha sido destinada na Assíria pelo próprio Deus de Israel. Passou três dias e três noite na barriga do peixe antes de ser regurgitado. No Novo Testamento, nomeadamente no evangelho segundo São Mateus, Jesus refere-se ao “sinal de Jonas” como símbolo da sua futura ressurreição, três dias depois de morrer.

As imagens de Jonas na arte paleocristã (século II a V), simbolizando a esperança na ressurreição, são bastante comuns, nomeadamente nas catacumbas romanas. Não havia até agora registo de arte cristã relativa ao primeiro século. Os investigadores não acreditam que a imagem tenha sido realizada por seguidores do judaísmo, visto que na cultura judaica não são permitidas imagens de pessoas ou animais.

O túmulo investigado data de antes do ano 70 d. C., altura em que deixaram de ser utilizados ossários devido à destruição da cidade de Jerusalém pelos romanos. Se esta imagem for realmente cristã, será o registo arqueológico mais antigo deste tipo de arte, realizada pelos primeiros seguidores de Jesus.

O estudo está publicado online desde hoje, num artigo de James Tabor, investigador da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte. A publicação do artigo é simultânea com a edição do livro «The Jesus Discovery: The New Archaeological Find That Reveals the Birth of Christianity», do mesmo autor e de Simcha Jacobovici, professor e realizador. Na próxima Primavera, o canal Discovery vai transmitir um documentário sobre esta descoberta.

Artigo: A Preliminary Report of a  Robotic Camera Exploration of a Sealed 1st Century Tomb in East Talpiot, Jerusalem

 

FONTE: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=53273&op=all