INVESTIMENTO NO SILÊNCIO PÚBLICO

O ano de 2019 demarcou o poder das decisões estatais sobre a redução do espaço entre o público e o privado. As universidades públicas foram e são alvos de perseguição; os fóruns e agências de defesa dos direitos humanos foram desqualificados por desmandos e distorções científicas, ideológicas e morais; o patrimônio artístico e cultural vem sendo desqualificado e reduzido a ações de limpeza, assim como o patrimônio ambiental é matéria de disputa pessoal.  O silêncio é desejado pelos nosso governantes.

A comunicação pública, indispensável à democracia brasileira, vem sendo transformada em comunicação funcional, através de estratégicas decisões que reduziram os investimentos e a gestão na radiodifusão pública e mantêm o desvio na abordagem de temas de interesse público. São tempos de consequências imprevisíveis para as relações entre Estado e sociedade, na medida em que novos decretos e leis são implantados e alteram profundamente o modo de viver e sobreviver da sociedade, mas esta não é consultada, não delibera.  É o caso, por exemplo,  das reformas Trabalhista e da Previdência e de todas as decisões que afetam o funcionamento, formação e a produção de conhecimento nas universidades.  Não significa que a sociedade não se manifeste como atestam o movimento das entidades representativas dos públicos atingidos e a ocupação das ruas, em momentos cruciais. As ruas falaram e incomodaram neste ano, mas a impermeabilidade dos poderes executivo, legislativo e judiciário fizeram ouvidos moucos.

Estabelecer canais de comunicação com a sociedade é marca de governos eleitos democraticamente, mas na ausência destes, prevalece a transmissão funcional de informações; a produção de eventos públicos e a circulação de propaganda como substitutivos da comunicação pública. Prevalece o silêncio que tanto beneficia o discurso dos poderes.

Trabalhamos muito em 2019 para responder à promessa de reunir e disponibilizar informações que sustentem a ideia da comunicação pública como indicador de qualidade das democracias. Nessa direção, esse Observatório deve continuar a cumprir seu papel associado à função da universidade pública que promove a emancipação social, combina saberes e forma o futuro em profissionais qualificados e críticos. 

Porto Alegre, 30 de dezembro de 2019.

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