Ampliar o espaço público para debater e acessar temas de interesse público é um privilégio para aqueles que acreditam na liberdade e na igualdade possíveis nas democracias. Um privilégio para aqueles que estudam a complexidade da comunicação produzida em ambientes políticos, governamentais; gerada pela sociedade organizada, grupos sociais e indivíduos, nas ruas, nas redes, nas imagens e que é determinante para as relações entre estado, media e sociedade. Determinante para a cidadania.

Este observatório foi construído a partir do entusiasmo, dúvidas e algumas certezas de estudantes e professores dedicados a problematizar relações de poder e tensões políticas em torno de interesses públicos e privados expressos em acontecimentos públicos, debates, coberturas jornalísticas, ações institucionais, comunicação governamental, imagem pública, mídias públicas, redes de comunicação, temas sensíveis e outros.

A marca da comunicação política define as pesquisas do Nucop desde 2001, mas diferentes achados teóricos e empíricos permitiram explorar e aprofundar o conceito ‘comunicação pública’. Sob esta perspectiva, experimentações teórico-metodológicas têm sido realizadas em busca de parâmetros para o aprofundamento adequado do conceito, em geral restrito à comunicação governamental.

Outra perspectiva de análise está situada na abordagem do interesse público, a partir da responsabilidade das organizações privadas. Em sentido complexo, a comunicação organizacional ultrapassa a perspectiva da fala autorizada materializada para os diferentes públicos, pois compreende todos os fluxos comunicacionais que se referem, de alguma forma, à organização. Sob o prisma de interdependência sistêmica, sempre que as manifestações da organização, de qualquer qualidade (mensagens e/ou ações), disserem respeito a questões e/ou temas de interesse público, adentram esse espaço e exigem ser configuradas sob o prisma da comunicação pública, considerando, dentre outras coisas, a responsividade, a prestação de contas e a circulação de informações verídicas. Neste sentido, temas como responsabilidade social, qualidade de vida no trabalho, sustentabilidade, saúde dos trabalhadores e humanização das relações de trabalho, empregabilidade, respeito à diversidade, assédio e questões de gênero rompem os limites da dimensão privada da organização, deslizam para o lugar do interesse público e, portanto, precisam ser abordadas como tal. As organizações são partes do sistema político-sócio-cultural, são sistemas abertos e interdependentes, perturbam e orientam outros sistemas, portanto, exigem seu comprometimento. Responsabilidade social e organizações tem sido estudadas pelo GCCOP desde 2011.

O compromisso desse Observatório é com a comunicação pública constituída pela confluência do estado, da sociedade, das organizações e da media em torno de acontecimentos, decisões e temas complexos e sensíveis de interesse público. Nessa direção, os objetivos principais do OBCOMP são: tornar acessível a produção científica relacionada à comunicação política, comunicação pública e à comunicação organizacional relacionada ao interesse público; facilitar acessos a informações, legislação, mídias, produtos de comunicação e ações geradas por instituições públicas e governamentais; divulgar eventos, entidades e observatórios com objetivos relacionados ao Observatório, incentivar e manter debates, análises e críticas sobre temas complexos, sensíveis e importantes à sociedade e à qualificação da democracia.

Porto Alegre, 27 de agosto de 2015.

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