Especialistas defendem disciplina de comunicação pública como instrumento de democratização

20 de OUTUBRO de 2015

A campanha pela inclusão da Comunicação Pública nos currículos das universidades pautou o debate realizado na última quinta-feira, 15 de outubro, no Diálogos EBC, evento realizado no Espaço Cultural, na sede da Empresa, em Brasília. Os convidados reafirmaram a importância da luta para que a disciplina chegue as universidades, contribuindo para uma maior sensibilização do público para o tema e, em consequência, o fortalecimento do campo publico de comunicação.

O bate-papo foi aberto ao público e transmitido por streaming pelo Portal EBC. Entre os convidados, estavam o sociólogo Venício Lima, que integra o Conselho Curador da Empresa, a jornalista Bia Barbosa, representante do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) e o sociólogo Richard Santos, representando o Observatório Latino-Americano das Indústrias de Conteúdos Digitais (OLAICD). A ouvidora da EBC, Joseti Marques, por sua vez, participou como mediadora no debate.

Richard lembrou que menos de 10% das universidades – federais, estaduais, municipais, comunitárias, confessionais e privadas – possuem a disciplina Comunicação Pública em seus currículos. “Isso é muito pouco para um país que sequer é democratizado, sequer é inserido socialmente e quer formar público crítico”, constatou. “Essa é a ideia do Observatório, provocar essa reflexão sobre a formação dos nossos jovens comunicadores.”

Venício, por sua vez, ressaltou que a comunicação pública tem peculiaridades que a distinguem daquela praticada pelos meios comerciais e que o profissional de comunicação deve estar familiarizado com elas. “ A comunicação pública, ao contrário da comunicação empresarial, não está pré-determinada por um objetivo empresarial e comercial financiado pela publicidade de atender ao interesse dos seus clientes, dos seus financiadores”, pontuou. “Então, me parece absolutamente fundamental que os profissionais que estão sendo formados na área de comunicação percebam essa diferença e se capacitem para produzirem uma comunicação que não seja igual à comunicação dominante.”

Para Bia Barbosa, a pauta é essencial para que a sociedade compreenda a importância do estabelecimento de uma comunicação pública forte, independente e de qualidade no país. “E essa sensibilização tem no espaço dos cursos de comunicação um espaço central. Se a gente não discutir isso nas cadeiras das universidades como que a gente vai conseguir criar essa cultura na sociedade brasileira?”,questionou.

Joseti atentou, ainda, para a realidade do mercado de trabalho na área de comunicação e como o campo público ainda é restrito. “Mesmo quando as disciplinas chegarem nas universidades os jovens vão sair de lá sabendo comunicação pública e irão para um mercado, que continuará o mesmo”, ponderou. Ela destacou que outras iniciativas, como Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública, projeto encabeçado pela EBC que oferecerá opções de especialização e pesquisa na área, podem atuar em conjunto com as universidades no fortalecimento do campo público de comunicação. “Pretendemos trabalhar em conjunto com o conhecimento produzido nos cursos universitários para construir novas possibilidades de produtos comunicacionais que tenham um discurso próprio à comunicação pública.”

Além dos convidados, o diretor-presidente da EBC contribuiu por meio de uma gravação, reafirmando o compromisso da instituição com a pauta. “A EBC, que está aqui para ajudar a democratizar a comunicação no Brasil, acredita que essa cadeira de Comunicação Pública também é um instrumento muito forte de democratização”, afirmou.

Fonte: Portal EBC

Comente

Compartilhe:

Notícias

  Atualizar Código