Comunicação Pública é tema de entrevista com a coordenadora-geral do OBCOMP para a revista Estudos em Jornalismo e Mídia

02 de JULHO de 2020

Comunicação Pública e o enfraquecimento da democracia no Brasil são alguns dos temas abordados pela profesora Maria Helena Weber (PPGCOM/UFRGS), coordenadora-geral do Observatório de Comunicação Pública (OBCOMP),  em entrevista concedida aos professores do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federel de Santa Catarina (PPGJOR/UFSC) Terezinha Silva, Daiane Bertasso e Carlos Augusto Locatelli, para a mais recente edição da revista "Estudos em Jornalismo e Mídia".

Sustentada pela perspectiva teórica e política que percebe a comunicação pública como indicador da qualidade da democracia, resultado de décadas de pesquisas e vivências na área, a coordenadora do OBCOMP ressalta, por exemplo, que “o que o estrondoso acontecimento público impeachment da presidenta Dilma Rousseff mostra é que o debate público não acontece”. A pesquisadora também avalia que “o governo Bolsonaro se fortalece com seus apoiadores na medida em que surfa no desmonte dos sistemas de comunicação pública de rádios e televisões, já iniciados na gestão Michel Temer; promove o desmonte das universidades públicas, da pesquisa e da produção cultural”.

Além disso, para a professora, o desprezo que o governo Bolsonaro tem pelos jornalistas e pela imprensa é um reflexo do desprezo pela democracia. Para Weber, Bolsonaro não faz um discurso político, não busca diálogo e sua fala é publicitária. Dessa forma o “governo vem provando que não está interessado com a comunicação e relações com a sociedade, ou seja, as condições para uma comunicação pública não existem em sua totalidade". 

Weber ressalta ainda que quando não há política de comunicação pública determinada pelo governo, as instituições acabam desenvolvendo política de assessoria de imprensa ou de propaganda, voltada muito mais à promoção da instituição, dos próprios governantes. Desta forma, não se estabelece relações com a sociedade. Mas, para Weber, apesar da complexidade que o desenvolvimento de uma comunicação pública envolve, “isso deve ser perseguido como objetivo, pois é uma das maneiras importantes para fortalecer a democracia”.

A entrevista na íntegra pode ser acessada clicando aqui. 

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