Foto: Ana Javes Luz

Série de reportagens da FM Cultura do RS discute a comunicação pública

21 de FEVEREIRO de 2017

A rádio FM Cultura (107.7), emissora pública do Rio Grande do Sul pertencente à Fundação Piratini, veiculou nos meses de janeiro e fevereiro uma série de reportagens sobre a comunicação pública no Brasil e no mundo. Foram 12 matérias que investigaram a maneira como onze países de cinco continentes, além do Brasil, aplicam este modelo de comunicação. Com produção, edição e apresentação do jornalista Eduardo Dable Osório, a série foi veiculada nos programas Café Cultura e Cultura na Mesa, principais espaços jornalísticos da emissora.

Segundo Eduardo, a motivação veio dos ataques que a comunicação púbica vem sofrendo no Brasil nos últimos meses, principalmente os casos da EBC e da própria Fundação Piratini: “A comunicação pública no Brasil tem um problema histórico, que é a intervenção dos governos. E neste momento estamos presenciando isso de forma muito aguda. Então a nossa intenção foi ver como acontece em outros países, quais as principais diferenças, que tipos de exemplos poderíamos seguir. É curioso observar que na Europa, por exemplo, este é o modelo dominante. É o que tem maior influência sobre a sociedade, predominando inclusive sobre o modelo comercial”.

Para o jornalista, a comunicação pública no Brasil é uma ideia ainda não consolidada na prática, cujo maior desafio é se tornar de fato uma espécie de terceira via, junto com a comunicação comercial e a estatal, complementando o sistema de comunicação nacional, conforme pregado pela nossa Constituição: “A pergunta é: de que maneira viabilizar-se financeiramente sem perder a identidade diferencial em relação às emissoras privadas mas, ao mesmo tempo, criando mecanismos de independência com relação à intervenção dos governos?”.

As matérias da FM Cultura abordaram o sistema público de comunicação na Inglaterra, Espanha, França, Alemanha, Portugal, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Angola, Moçambique e Japão. Ao final da exibição da série, o programa Cultura na Mesa realizou uma mesa redonda sobre o tema. Sob o comando da apresentadora Lena Kurtz, a conversa teve a participação do próprio Eduardo; do professor da USP e ex-presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci; da coordenadora-executiva do Obcomp, Ana Javes Luz e da professora da PUC-RS, Cristiane Finger.

Extinção das emissoras públicas do RS - O governador do estado do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), obteve em dezembro do ano passado o aval da Assembleia Legislativa para extinguir a Fundação Piratini, que controla a TV Educativa e a rádio FM Cultura. Criadas em 1974 e em 1990, respectivamente, as emissoras são referências no Estado.

O pacote do executivo que prevê a extinção das emissoras atinge ainda outras oito fundações públicas e impacta, diretamente, nas funções desempenhadas pelo Estado. O motivo alegado para o encerramento das atividades desses órgãos seria a economia de recursos.

O Observatório da Comunicação Pública repudia a extinção das emissoras públicas do Estado, pois entende que este movimento contraria a era onde comunicação, imagem e informação determinam as relações sociais e políticas. Propor a extinção de Fundação com tal importância é apostar no retrocesso de um estado submetido à aritmética reducionista do comércio, ou seja, todo o investimento tem que gerar lucros. A posição oficial do OBCOMP sobre o assunto pode ser lida no editorial assinado pela Coordenadora Geral do projeto, Profa. Maria Helena Weber.

Os programas radiofônicos sobre a Comunicação Pública no Brasil e no Mundo podem ser escutados nos links abaixo.

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