O Projeto O Rio Grande do Sul no tempo dos dinossauros, idealizado por pesquisadores do Setor de Paleovertebrados do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia (Instituto de Geociências/UFRGS), foi desenvolvido com o apoio financeiro do CNPq (através do EDITAL MCT/SECIS/CNPq N° 07/ 2003).  Teve, como objetivo inicial, a confecção de uma série de materiais didáticos de divulgação, em diferentes formas de mídia, que possibilitassem estratégias de interação entre o meio acadêmico, através das pesquisas realizadas pelo Setor de Paleovertebrados, e a comunidade em geral. A confecção de imagens digitais, com reconstituições dos animais e do ambiente em que viviam, serviria como base para a divulgação dos fósseis de tetrápodes do RS através de fôlderes, cartazes, livros didáticos, além de todas as possibilidades que se abrem em meio digital. Além disso, a elaboração de maquetes, reconstituindo tridimensionalmente os animais e seus esqueletos, bem como a confecção de mais moldes e réplicas dos ossos da coleção, permitiriam enriquecer enormemente o potencial atrativo das exposições promovidas pelo Setor.

A riqueza de fósseis de vertebrados do Permiano Superior e Triássico existente no Rio Grande do Sul (que concentra praticamente todo o registro de vertebrados destes períodos no Brasil) é bastante conhecida, nacional e internacionalmente, no meio acadêmico, através das inúmeras publicações resultantes das atividades de pesquisa da equipe do Setor de Paleovertebrados da UFRGS e de outras instituições de ensino e pesquisa que atuam no Estado. Por outro lado, a existência de material de divulgação, referente a estes fósseis, para o público em geral, incluindo ilustrações, textos, maquetes e páginas eletrônicas, é praticamente insignificante.

A grande dificuldade para a elaboração de materiais de divulgação deste tipo reside na questão da propriedade sobre os direitos autorais das imagens a serem utilizadas. Existia algum material deste tipo disponível na Internet, em livros ou em outras Instituições fora do País, referente a fósseis semelhantes aos que são encontrados no Brasil, mas praticamente nada especificamente centrado nestes. Em outras palavras, não existiam ilustrações, textos de divulgação e modelos em escala dos vertebrados Permo-Triássicos do Brasil que pudessem ser livremente disponibilizados para a comunidade. Os resultados obtidos nesse projeto não só começaram a preencher estas lacunas como abriram novas perspectivas para o desenvolvimento da Paleontologia de Vertebrados do RS. As fantásticas imagens obtidas – que podem ser aqui contempladas – resultaram numa interação entre profissionais e pesquisadores das áreas da Medicina, Engenharia, Ciência da Computação, Artes Plásticas e (é claro) Paleontologia, abrindo novas frentes de trabalho. Muitas das reconstituições aqui apresentadas iniciaram com a obtenção de tomografias computadorizadas (realizadas no Hospital de Clínicas da UFRGS) e imagens 3D obtidas através de Scanners a Laser (equipamento pertencente ao Laboratório de Design a Seleção de Materiais da Escola de Engenharia da UFRGS), além de fotografias digitais dos fósseis.

Num segundo momento, todas estas imagens foram trabalhadas por artistas plásticos e especialistas em computação, usando os mais modernos softwares gráficos e de animação existentes no mercado e desenvolvendo metodologias únicas no mundo (ver item "Os fósseis na era digital"). O resultado foram reconstituições e animações com nível de qualidade igual ou superior a tudo o que já foi feito no gênero em outras partes do mundo.

Esta interação entre diferentes ferramentas e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, no âmbito da UFRGS, tem resultado na elaboração de novos projetos, nos quais os fósseis passarão a ser reconstruídos e estudados em ambiente virtual. Através de imagens tridimensionais dos ossos, esqueletos inteiros poderão ser analisados e reconstruídos (corrigindo eventuais quebras, distorções ou partes faltantes), estudados sob o ponto de vista de sua biomecânica (como andavam, como mastigavam, etc.) e mesmo aspectos de sua fisiologia para, finalmente, poderem ser reconstituídos tal como seriam, com músculos e pele, embasados não apenas na imaginação ou na concepção artística dos ilustradores, mas em uma sólida base advinda de todas as discussões e conclusões resultantes das interações com as outras áreas de pesquisa citadas.

 

OS FÓSSEIS NA ERA DIGITAL

 

Para tornar viável a reconstutuição digital desses vertebrados, os pesquisadores, Dr. Cesar Schultz e Dra. Marina Bernto Soares, foram buscar a ajuda no Instituto de Artes da UFRGS por intermédio do professor de escultura e coordenador da equipe de artistas que trabalham com modelos digitais, Dr. Adolfo Bittencourt. Com o apoio de sua equipe, formada por Dorothy Ballarini, que junto com Adolfo Bittencourt, é responsável pela modelagem e texturização dos paleovertebrados, e os animadores Eduardo Simioni, Martin Reus e Bruno Parisotto, foi possível desenvolver modelos dos animais em 3D com altíssimo nivel de qualidade, e fidelidade ao modelo original.

 Durante o desenvolvimento, e em virtude das suas consequentes transformações, o projeto recebeu um apoio cultural de fundamental importância para que ele pudesse continuar seguindo seu curso, dentro do que exigem tais transformações.

O apoio da Makoto Informática, - empresa responsável pela distribuição do software Autodesk Maya, Zbrush, Motion Builder,  entre outros -  que cedeu licensas para que esses softwares pudessesm ser utilizados como ferramentas para a modelagem tridimensional dos paleovertebrados,  possibilitou que esses fósseis pudessem ser reconstituídos, com os mesmos recursos tecnológicos usados para produzir os Dinossauros de Jurassic Park e caminhando com os Dinossauros da BBC, e também outras superproduções cinematográficas onde figuram monstros e criaturas, como o senhor dos anéis, Guerra nas Estrelas, A era do Gelo, Shrek, King Kong, entre outros.

A partir daí, esses modelos, já reconstituídos tridimensionalmente, puderam então "ganhar vida" e dessa forma ter seus movimentos fielmente reproduzidos, o que torna possível apartir daí a elaboração de um documentário semelhante ao já citado "Caminhando com os Dinossauros" produzido pela rede BBC. Para tanto a equipe se empenha na captação de recursos financeiros que possibilitem tal produção,como a ampliação da equipe de artistas e aquisição de microcomputadores, já que atualmente ainda conta com uma equipe muito reduzida - 5 artistas - e maquinário insuficiente para a realização da mesma - 4 microcomputadores, um deles, doado pelo CNPq atravéz do Edital que financiou a primeira etapa desse projeto - o que dificulta imensamente a execução de um projeto dessa grandeza.