Cryptosporidium parvum

 

Introdução

 

Protozoário coccídio, sem organelas de locomoção por ser intracelular. É o parasito causador da criptosporidíase, que constitui uma das principais causas de diarréia em crianças pré-escolares e pacientes com imunodeficiência por vírus HIV, não possuindo esquema terapêutico definido.

 

Biologia do parasito

 

O oocisto constitui a forma infectante da criptosporidíase, pois é eliminado nas fezes e possibilita a infecção por via fecal-oral. O ciclo assexuado tem início quando o oocisto é formado e eliminado, sendo que após a sua eliminação se dá a esporulação. A esporulação é caracterizada pelo aumento de volume do parasito e pela produção de esporozoítos no seu interior. Após a ingestão, o oocisto esporulado rompe no intestino liberando os esporozoítos que invadem os enterócitos. No fim do crescimento do esporozoíto o núcleo começa a se dividir várias vezes, de forma assexuada, o que resulta em uma forma multinucleada, o esquizonte. Depois da formação do esquizonte, ocorre uma repetição da etapa anterior, processo que passa a se denominar esquizogonia. Sua função é produzir merozoítos, permitindo a invasão de novas células hospedeiras. A partir desses merozoítos pode recomeçar outro ciclo assexuado ou iniciar um processo de reprodução sexuada (esporogonia).

O ciclo sexuado tem início quando os merozoítos se diferenciam em gametócitos no interior do enterócito, sendo que aqueles que se destinam a produzir gametas masculinos são os microgametócitos, e os que se transformarão em gametas femininos são os macrogametócitos. Quando o microgametócito é liberado do enterócito, invade a célula onde está o macrogametócito formando o zigoto, que logo se encista, e por isso passa a se chamar oocisto. O tempo da esporulação depende das condições ambientais do solo onde está o oocisto. A esporulação só estará completa quando cada esporoblasto formar esporozoítas, que é o que caracteriza o oocisto infectante. No caso do cryptosporidium, o processo de esporulação deve produzir, no interior do oocisto, quatro esporozoítos.

 

Patogenia e prevenção

 

A criptosporidíase é uma zoonose que tem sua fonte de infecção no gado, nos animais domésticos e nos de laboratório. Em pessoas saudáveis, a patogenia provoca enterocolite aguda e autolimitada, ou seja, que se cura espontaneamente e em imunocomprometidos, como aidéticos, ela se torna importante, visto que as evacuações provocadas pelo parasito tornam-se freqüentes e volumosas, causando considerável perda de peso. A infecção dura de poucos dias a duas semanas em imunocompetentes e pode se tornar crônica em estados de imunodeficiência. Há casos de portadores de Cryptosporidium assintomáticos, embora isso seja menos freqüente em aidéticos. O diagnóstico é feito através da visualização do oocisto nas fezes, através de coloração por álcool-ácido resistência, ou imunofluorescência. Sorologia por métodos imunoenzimáticos pode ser realizada concomitantemente.

            A prevenção se dá, principalmente, com cuidados com a qualidade da água bebida, usando a fervura ou a filtração como forma de inativar os oocistos, e também através da higiene pessoal e dos alimentos (oocistos resistentes a desinfetantes nas condições atuais). Além disso, profissionais da área da saúde devem ter cuidados especiais quando lidam com pacientes aidéticos que têm criptosporidíase, pois eles são grandes eliminadores de oocistos.

Oocistos de Cryptosporidim parvum (em vermelho).