JORNAL DO COMÉRCIO 17/08/2005 - Economia - pg. 12

Laboratório da UFRGS é destaque em pesquisa

 

 

 

Fotos do evento

O Laboratório de Anatomia Patológica do Departamento de Patologia e Clínica Veterinária da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é o agraciado com o troféu 0 Futuro da Terra, na categoria Tecnologia Rural, em reconhecimento a importância do trabalho que desenvolve em atendimento e pesquisa com animais. Em 2004, o desempenho da equipe rendeu inúmeros publicações em revistas indexadas nacionais e internacionais, dissertações de mestrado, teses de doutorado. No período, o laboratório realizou 4 mil exames. O médico veterinário, professor adjunto da UFRGS desde 1994, David Driemeier, responsável pelo setor de Patologia Veterinária, conta que o laboratório de Anatomia Patológica existe desde a fundação da Faculdade de Veterinária, ou seja, há mais de 80 anos. Com uma rotina de exames e atendimentos que aumenta a cada ano, o laboratório faz avaliações histopatológicas, citológicas, necropsia e imuno-histoquímicas (detecção de antígenos de agentes infecciosos em tecidos) de diversas enfermidades em animais domésticos. Para tanto, conta com o auxilio de funcionários especializados e de alunos da graduação e pós-graduação. "0 laboratório é credenciado para a realização de exames histopatológicos de monitoramento de encefalopatias espongiformes em ruminantes% diz Driemeier. Os produtores encontram no laboratório inúmeras alternativas para cuidar da saúde dos animais. "É o único laboratório no Brasil credenciado pelo Ministério da Agricultura para a realização de exame imuno-histoquímico anti-prion (prion é o agente infeccioso que causa encefálopatia espongiforme) para monitorar a encefálopatia espongiforme bovina, conhecida como o mal da vaca louca, e a scrapie, uma doença espongiforme causada por prion em ovinos", conta o professor Driemeier. Os trabalhos de rotina são usados freqüentemente como temas para pesquisas e servem de assunto para dissertações de mestrado, teses de doutorado ou projetos de iniciação científica por alunos da graduação, mestrandos e doutorandos. 0 professor Driemeier destaca a importância desta rotina: "Isso permite que os alunos estudem as enfermidades levando em conta a sua relevância e o modo como ocorrem." 0 laboratório é responsável por várias pesquisas e por trabalhos pioneiros. Algumas plantas tóxicas como Sida carpinifolia (nome científico da guanxuma ou chá-do-reino), Trema micrantha (candiúva) e Dodonea viscosa (vassoura vermelha) foram descritas como plantas tóxicas para os animais, pela primeira vez, no mundo, pela equipe do setor de Patologia Veterinária. O laboratório de Anatomia Patológica está aberto a comunidade e os preços dos exames de rotina variam de R$ 15,00 a R$ 150,00 dependendo do animal e do exame a ser feito. Driemeier acrescenta que a área fisica. do laboratório por enquanto é reduzida, mas em breve terá seu espaço ampliado e a infra-estrutura melhorada para as aulas práticas e atividades de necropsia. Atualmente, o laboratório de Anatomia Patológica tem vários projetos em andamento desenvolvido por alunos. São estudos sobre patologias associadas com circovirose suína, que é uma doença viral e recente nos suínos; diagnóstico de diarréia viral bovina por imuno-histoquimica; causas de abortos infecciosos em bovinos e suínos; intoxicações por plantas e micotoxinas (toxinas produzidas por fungos que são tóxicas para animais) em herbívoros; doenças infecciosas tóxicas e neoplasias em pequenos animais, entre outros estudos. O médico veterinário e professor David Driemeier finaliza falando da importância do prêmio o Futuro da Terra: "0 prêmio é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido e aumenta a nossa credibilidade como laboratório de uma instituição pública como a Ufrgs. Provavelmente aumentará ainda mais a procura pelos nossos serviços". A comissão julgadora do prêmio O Futuro da Terra é formada pelos integrantes do Comitê de Ciências Agrárias da Fapergs.