AgUrb e o PGDR

Neste setembro, as conexões do PGDR com diversos parceiros, tanto regionais como internacionais, estarão em ebulição. Entre os dias 17 e 21 ocorre a III Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada (AgUrb)

Neste setembro, as conexões do PGDR com diversos parceiros, tanto regionais como internacionais, estarão em ebulição. Entre os dias 17 e 21 ocorre a III Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada (AgUrb), evento de grandes dimensões com mais de 800 participantes e com palestrantes de diferentes partes do mundo.

O evento marca um ponto de inflexão na memória do programa. Sua realização marca o ápice de um processo que vem sendo construído desde 2015, especialmente pela iniciativa do Grupo de Estudos em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural (Gepad), capitaneado pelo professor Sérgio Schneider, coordenador geral, e pela doutora pelo PGDR Potira Viegas Preiss, coordenadora executiva. Por um vetor que aponta para futuro, é, para o programa, segundo a coordenadora Gabriela Coelho-da-Silva, “um momento de coroamento, porque estaremos fazendo uma das atividades preparatórias para a comemoração dos 20 anos do PGDR (que se completam no ano que vem) e celebrando a qualificação do programa com consistência de parcerias concretas, temáticas robustas e processos de formação regionais que nos trazem exemplos relevantes de processos de governança”.

Ainda que o comitê organizador local seja composto por 20 unidades da UFRGS, a participação de alunos e professores do programa desde a primeira edição da conferência e a inserção do professor Sérgio no comitê científico internacional faz com que o PGDR protagonize a vinda do evento para Porto Alegre. Isso se reflete também na equipe executiva, em que, de acordo com Potira, mais de 40% dos estudantes que a compõem estão ligados ao programa.

ProgramaçãoVisibilidade - Gabriela defende que se trata de um esforço para criar uma marca na UFRGS para que se volte para as temáticas da alimentação, para que se pense em toda a conexão da produção dos alimentos, contemplando o abastecimento, o consumo e a parte nutricional do processo - esta é, de fato, uma das temáticas constitui uma linha de pesquisa do PGDR, em que se abordam a segurança alimentar e nutricional e as políticas públicas. “Para o programa, isso representa uma visibilidade dentro da Universidade, no sentido até de se pensar formas mais bem estruturadas de se fazer esse tipo de reflexão, pensando em cursos, parcerias”, reflete.

A coordenadora também ressalta que será um momento importante em relação à internacionalização do programa. “Receberemos professores, pesquisadores, ativistas, gestores de projetos, comunidades, agricultores; então, parceiros regionais do PGDR vão estar mostrando essas conexões, que hoje são relevantes para pensar em processos de desenvolvimento territorial. Eles estarão atuando também dentro do AgUrb e sendo parceiros na realização”, conclui.


Experiência na realização de eventos

Potira relata que a primeira edição do AgUrb aconteceu em 2012 na Holanda, enfocando a multifuncionalidade da agricultura, ou seja, a busca, pelos agricultores, de outras estratégias de sobrevivência: turismo rural, feiras, agroindústria. O comitê científico tinha pesquisadores de todo o mundo, entre os quais já estava Sérgio.

A segunda conferência aconteceu em 2015 em Roma. O tema central era a agricultura voltada às necessidades sociais. Potira, que na época era doutoranda do PGDR e fazia o estágio sanduíche na Universidade de Wageningen (Holanda), aponta que nessa edição houve a participação interessante de movimentos sociais, associações e governos. Além dela e de Sérgio, estiveram presentes a professora Flávia Charão, do PGDR, e muitos pesquisadores de outras universidades brasileiros. No encerramento, ficou decidido que Sérgio e Potira, como Gepad e PGDR, ficariam responsáveis por mobilizar a organização e pensar em que local e de que forma deveria acontecer a terceira edição do evento.

Assim, em 2016, iniciaram uma série de diálogos com atores importantes a serem envolvidos na questão da alimentação: pesquisadores, Embrapa, Emater, movimentos sociais, Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), entre outros.

“O PGDR e o Gepad têm histórico e know-how na realização de eventos. Começamos, então, a realizar workshops como forma de mobilizar esses atores. Ao final do primeiro, no final de 2016, a ideia era formar o corpo organizativo da conferência. Buscamos envolver grupos dentro UFRGS. Resolveu-se que a conferência deveria acontecer aqui mesmo e que não deveria ser um evento acadêmico pontual, mas que criasse um processo de fomentar uma discussão que culminasse na conferência, que serviria para formar uma nova agenda sobre agricultura e alimentação”, explica a coordenadora executiva.

Organizaçåo AgUrb

Membros da Comissão Organizadora Local (Fonte: AgUrb/Divulgação)

Debate com coerência

Questionada como o evento busca se comportar diante da onda conservadora reativa que se observa no atual momento histórico, Potira aponta para a tentativa de diálogo. “Estamos tentando ser um espaço bem aberto para discussão. Claro que há coisas que a gente defende e que algumas pessoas são refratárias. Por exemplo, as questões de saúde: existem muitas pesquisas que mostram como a alimentação afeta a saúde. Agrotóxicos, por exemplo, têm um fator nisso. Então, a defesa intransigente do agrotóxico é um conservadorismo que cientificamente não se sustenta”.

Segundo ela, na própria comissão organizadora existe bastante discussão sobre uma série de aspectos, mas chegou-se a um acordo: é um assunto que tem que ser discutido por diferentes setores e envolve diferentes interesses. Na busca por patrocínio e apoio, a organização teve cuidado com isso. “O comitê científico nacional definiu alguns critérios: não aceitamos patrocínio de grandes corporações ou redes de fast-food, porque buscamos uma coerência com o processo”.


Grandes eventos

Bióloga de formação, Potira fez mestrado e doutorado no PGDR. Defendeu a tese em 15 de dezembro de 2017. Como estava envolvida na organização do III AgUrb desde o início, permaneceu na coordenação.

Segundo ela, seu envolvimento na organização do Acampamento do Fórum Social Mundial contribuiu para sua atuação -  era responsável pela comissão ambiental. “A proposta do acampamento era ser a colocação em prática da teoria, para além do alojamento. Era o projeto da cidade das cidades, para se implantar o que se discutia dentro das alternativas propostas. É uma experiência que afetou minha vida, por ser um evento internacional, exigir articulação. Mais do que tudo, aprendi a relevância da multidisciplinaridade na prática - aprendemos a necessidade de dialogar e reconhecer a relevância das outras áreas envolvidas. Se só houvesse gente de um mesmo campo, nada daquilo teria acontecido. Foi um processo bem bacana de contaminação das diferentes áreas”, reflete.

Tempos depois tomou parte em outro grande evento: a Bienal do Mercosul. “Lidei com grandes orçamentos, pensando um evento ao longo de um período maior, com diferentes públicos, processos de prestação de contas. Essas questões mais burocráticas aprendi mais na Bienal do que no acampamento, que era um processo mais político de articulação.”

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