Doutorando do PGDR é coautor de trabalho premiado no III AgUrb

O relato de experiência Coleta e beneficiamento de frutos do cerrado brasileiro: o caso das mulheres agricultoras de Anastácio-MS foi um dos trabalhos premiados na Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada (III AgUrb).

Trata-se de um desdobramento do Trabalho de Conclusão de Curso da estudante de Agronomia Mayara Winie de Lima Bissoli. A pesquisa teve orientação de Vanderlei Franck Thies, doutorando do PGDR e professor de duas disciplinas da Turma Especial do curso de Agronomia, em Pontão (RS), que integra o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera/INCRA) e é ofertada por meio de uma parceria entre a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS – Campus Erechim) e o Instituto Educar. A turma é voltada a filhos de assentados, os quais recebem auxílio para alojamento e alimentação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Vanderlei comenta que os alunos são incentivados a estudar as realidades sociais do lugar onde vivem. Foi assim que o trabalho veio a refletir sobre a atividade do Grupo Baru, coletivo formado por mulheres do Assentamento São Manoel, localizado no município de Anastácio (MS), onde vive a família de Mayara.

O assentamento, estabelecido em 1993, resulta da luta de um grupo de trabalhadores rurais que, em outubro de 1989, ocupou uma fazenda pertencente à Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Atualmente, há 150 famílias vivendo no local.

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Sistema agroalimentar - No ano de 2009 iniciou-se no assentamento um projeto desenvolvido pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural do Mato Grosso do Sul e patrocinado pelo CNPq. A iniciativa tinha como objetivo desenvolver tecnologias que auxiliassem o beneficiamento do fruto do cumbaru (Dipteryx alata Vog.), espécie nativa do Cerrado. A partir disso, em 2011, um grupo de mulheres envolvidas no projeto decidiu criar o Grupo Baru, que se mantém ativo até a atualidade.

Em seu relato, os pesquisadores consideram que “esta experiência de trabalho coletivo e produtivo proporcionou mudanças significativas no cotidiano dessas agricultoras, gerando autonomia econômica e empoderamento, tanto no âmbito familiar como comunitário”. Ainda segundo eles, a iniciativa também “demonstra a importância da valorização alimentar da biodiversidade e a viabilidade do extrativismo e beneficiamento dos produtos nativos do Cerrado para a construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis”.

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Reprodução social - A pesquisa de doutorado de Vanderlei, apesar de não enfocar o local estudado por Mayara, mantém alguma relação com sua temática. Ele os estilos e as estratégias de reprodução social da agricultura familiar. “O estilo de agricultura promovido pelo grupo Baru está bastante alinhado ao conceito de produção de alimentos saudáveis e conservação da biodiversidade, o que, junto com a estratégia de trabalho associativo, resulta em uma combinação do que me parece ser parte significativa dos fundamentos necessários para a reinvenção da agricultura”, avalia.

Como irá estudar grupos sociais com estilos de agricultura muito distintos ao do coletivo Baru, o doutorando acredita que poderá contrastar esses diferentes modelos e enriquecer os aprendizados.

[Texto elaborado com informações do site da UFFS e do MST]

[Imagens: arquivo pessoal]

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