Série Estudos Rurais impulsiona a visibilidade do PGDR

Série Estudos Rurais impulsiona a visibilidade do PGDR

chayanov

Elemento de visibilidade e reconhecimento do PGDR em todo o Brasil, a Série Estudos Rurais (SER) celebra 20 anos sem descontinuidade e um catálogo que  já conta com 56 volumes – o mais recente é a tradução de A teoria das cooperativas camponesas, de Alexander Chayanov.

“Vejo as obras da SER indicadas na bibliografia de processos seletivos de vários programas de pós-graduação no país. Os livros vendem como pão quente em eventos da área”, observa o atual editor-chefe da série, Sergio Schneider.

A SER foi criada no final dos anos 1990 por iniciativa do professor Zander Navarro, então professor do departamento de Sociologia e atualmente pesquisador da Embrapa Estudos e Capacitação. A inspiração foi uma série que era mantida pela editora Hucitec – já extinta – e coordenada pelo professor Tamás Szmrecsányi, da Unicamp. “Com a descontinuidade dessa série, o Zander vislumbrou o espaço para iniciar a SER”, comenta Sergio.

 

Trajetória – Já havia alguns livros publicados pela Editora da UFRGS antes de 1999 – quando iniciam as atividades do PGDR a partir da dissolução do PPG em Economia Rural –, como é o caso de A Questão Agrária na Década de 90, organizado por João Pedro Stédile. A partir de convênio entre a editora e o PGDR – o que possibilitou a fundação da SER – a obra ganhou nova edição e se tornou o primeiro volume da série. Outro exemplo é a reedição do livro Reconstruindo a Agricultura: idéias e ideais na perspectiva do desenvolvimento rural sustentável, organizado por Jalcione Almeida e Zander Navarro, a partir de trabalhos apresentados na conferência Tecnologia e Desenvolvimento Sustentável, que repercutia, em 1994, a ECO92.

A SER ficou a cargo de Zander até o décimo segundo volume, A Invenção Ecológica: narrativas e trajetórias da educação ambiental no Brasil, organizado por Isabel Cristina de Moura Carvalho. “O Zander teve o mérito de dar forma à série, que ficou atrelada ao PGDR”. No volume seguinte, O Empoderamento da Mulher: direitos à terra e direitos de propriedade na América Latina, organizado por Carmen Diana Deere e Magdalena Leon, a série estava sob coordenação da professora Anita Brumer.

Desde 2004, o editor-chefe é o professor Sergio Schneider. Em 2012, por conta de uma revisão da estrutura editorial, houve ampliação do conselho e a criação da figura do editor associado, a cargo do professor Marcelo Antonio Conterato.

 

Maturidade – Para Sergio, o que marcou um momento de maturidade para a série foi a tradução do livro do professor da Universidade de Wageningen Jan Douwe Van der Ploeg, Camponeses e Impérios Alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização. “Foi um feito interessante, pois a nossa tradução foi publicada no mesmo ano do lançamento do original, 2008. Isso marcou uma virada na SER, porque traduzir um livro com esse alcance foi uma coisa bastante complexa”, comenta.

Segundo o editor, a partir desse feito, a série se tornou mais visível, inclusive internacionalmente. Isso reforçou a definição editorial de centrar o perfil de autoria em pesquisadores de renome no grande campo dos estudos agrários e rurais. Além de apostar em temas de ponta com enfoques tanto teóricos como metodológicos.

Em termos editoriais, a série nunca teve um número fixo de lançamentos anuais – em média, saem cerca de três livros a cada ano. A quantidade varia, por exemplo, de acordo com a carga de recebimento de propostas. Outro fator é a viabilidade de financiamento das obras. “Já fizemos parcerias com ministérios, ONGs, bancos. Também já fizemos coedições com outras editoras”, esclarece o editor.

No Brasil, de acordo com Sergio, a SER está hoje entre as mais importantes em sua temática. Um dos indicadores que comprovam isso é o fato de vários livros já estarem esgotados – no acervo da editora, 27 dos 56 estão indisponíveis. A reedição depende dos autores – Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável, organizado por Miguel Altieri, por exemplo, já está na 5ª edição. Alguns autores, por outro lado, declinam a possibilidade de reedição por acharem que o conteúdo já está defasado e não pretenderem atualizá-lo.

 

Comissão – Por ano, o conselho editorial avalia cerca de dez propostas. São aceitos estudos originais e coletâneas. Não se encaixam nos critérios teses de doutorado. “Em geral, elas têm uma linguagem muito academicista e recebem um público muito restrito” comenta Sergio.

“Por ser uma série de relevância no Brasil, entendemos ser essencial publicar material inédito e importante, para cobrir lacunas dentro da área”, ressalta o editor. Nesse sentido, a SER se ocupa também da tradução de obras de referência internacionais ainda não disponíveis em português. Essas iniciativas, usualmente, vem do esforço dos editores, já que, como ele explica, não há condições de pagar direitos autorais para os autores. “Por exemplo, para a tradução do livro do Van der Ploeg não tivemos que custear os direitos, já que ele negociou com sua editora para liberar a publicação. Já para o livro do Chayanov, eu mesmo consegui uma liberação direto com a editora na Inglaterra, pois estava fazendo pós-doutorado lá. Pagamos 500 libras, enquanto o normal seria pagar cerca de 10.000 libras”, esclarece.

Neste momento, está no prelo um livro que resulta de uma parceria com a FAO e o Ministério do Desenvolvimento Social. Trata-se de uma coletânea – “É cada vez mais assim”, comenta Sergio, “porque elas conseguem cobrir um escopo temático mais amplo e envolvem vários autores”.

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