Prêmio a Daniele Machado de Vieira

Daniele Machado de Vieira, aluna do Programa de Pós-Graduação em Geografia e ganhadora do IX Prêmio Brasileiro de Dissertação de Mestrado "Política e Planejamento Urbano e regional", da ANPUR.

 

Imagem Daniele Machado Vieira

Daniele Machado Vieira é doutoranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFRGS e professora da rede pública do município de Porto Alegre/RS. Daniele desenvolve pesquisa direcionada à cartografia e à memória dos antigos territórios negros de Porto Alegre e sua relação com o espaço urbano. Em 2015, durante o mestrado, seu trabalho foi premiado na XXIII Jornada de Jovens Pesquisadores da AUGM (Associação de Universidades do Grupo Montevideo), em La Plata/AR. Seu campo de estudo volta-se para a Geografia urbana e questões raciais, abrangendo também a educação das relações étnico-raciais (ERER). Atua no Projeto e curso “Territórios Negros: patrimônio afro-brasileiro em Porto Alegre” (LHISTE/UFRGS) e faz parte do Atinukés – Grupo de Estudos sobre o pensamento de mulheres negras.

A dissertação premiada, Territórios negros em Porto Alegre/RS (1800-1970): geografia histórica da presença negra no espaço urbano, trata da presença da população negra na cidade de Porto Alegre/RS, que, ao que se sabe, ocorre desde o período colonial. Contudo, ela não compõe as narrativas oficiais sobre a evolução da cidade, acarretando a invisibilização e o esquecimento dos espaços outrora ocupados pela população negra. Areal da Baronesa, Colônia Africana, Ilhota, Parque da Redenção e Bacia do Mont’Serrat são alguns destes territórios negros. O território negro é aqui concebido como espaço físico e simbólico, configurado a partir da função (de habitação, de trabalho, de lazer, etc.) e/ou de práticas culturais (como o batuque, o carnaval, a religiosidade, etc.) exercidas por mulheres e por homens negros, cuja significação é construída a partir da presença negra e/ou das atividades desenvolvidas por estes. Além disso, a falta de uma representação visual, por meio de mapas, faz com estes territórios acabem ficando soltos no espaço imaginado da cidade, quando sua presença não é apagada da representação que se tem sobre este espaço. Com o objetivo de elaborar uma cartografia dos espaços ocupados pela população negra na cidade, ao longo dos tempos, recorreu-se à análise histórico-geográfica, a partir do cruzamento de fontes diversas (jornais, documentos históricos, fotografias, crônicas, narrativas), conforme metodologia proposta pelo geógrafo Maurício de Abreu. Inicialmente localizados na área Central, os territórios negros foram sofrendo, ao longo do tempo, um paulatino deslocamento para as bordas da cidade. Verificou-se que o desmantelamento e o deslocamento destes territórios está relacionado a momentos de profundas transformações do espaço urbano: i) início da modernização do espaço central (virada do século XIX para o XX); ii) remodelação do Centro (1924-1937); iii) grandes obras no entorno do Centro: canalização do Arroio Dilúvio e aterro da Praia de Belas (1941-1970). A construção de uma cartografia implica a atualização da memória que se tem sobre espaços outrora característicos da presença negra.

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