Coordenador Executivo: Prof. Fernando Ferrari Filho.

 

Linhas de Pesquisa:

O desenvolvimento, em seus vários aspectos, tem sido uma das principais preocupações econômicas em termos teóricos, empíricos e de formulação de políticas públicas, ao longo do tempo e para as mais distintas correntes de pensamento econômico. As atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas no PPGE/UFRGS na área de concentração de Economia do Desenvolvimento (ED) traduzem essa tradição, tal que suas linhas de pesquisa estão relacionadas aos seguintes tópicos:

  1. Aspectos teóricos e normativos associados ao desenvolvimento, em suas múltiplas dimensões, tanto no plano macroeconômico, onde ganha destaque a macroeconomia do desenvolvimento, quanto no plano microeconômico;

  2. Que permitam compreender a constituição da economia capitalista contemporânea a partir de uma perspectiva que valoriza os aspectos históricos e institucionais;

  3. Que explorem as dimensões setoriais e comparadas, em nível de países, sistemas e agentes, bem como que promovam as interações entre as dimensões internacional, nacional e regional na compreensão da dinâmica de desenvolvimento;

  4. Que contribuam para a análise da especificidade do desenvolvimento das economias periféricas, em geral e do Brasil em particular, em uma perspectiva histórica e comparada;

  5. Que resgatem os diversos paradigmas interpretativos da experiência brasileira, bem como o trabalho dos seus principais intérpretes;

  6. Que estudem a evolução do comércio e das finanças internacionais incorporando aspectos como a instabilidade financeira, a assimetria de poder entre agentes econômicos e países, a conformação das instituições multilaterais, o perfil de inserção do Brasil e das economias periféricas na ordem internacional e as transformações nessa mesma ordem, dentre outros;

  7. Que abordem as principais controvérsias que marcaram e marcam o desenvolvimento do Brasil, desde sua formação colonial e escravista até seu processo de industrialização e de mudanças estruturais no setor primário, as políticas econômicas implementadas, o papel do Estado, sua inserção internacional e o desempenho de longo prazo das principais variáveis econômicas, inclusive o desempenho recente e perspectivas;

  8. Que estudem e formulem alternativas sobre o papel do Estado e das políticas públicas na promoção do desenvolvimento; e

  9. Que reflitam sobre a formação da economia sul rio-grandense no contexto de constituição e desenvolvimento da economia nacional, bem como sobre a formação histórica da América Latina e suas principais linhas interpretativas.

A área de ED prioriza a pluralidade de autores, paradigmas e métodos. Todavia, serão priorizadas as tradições teóricas heterodoxas associadas aos trabalhos seminais de Marx, Keynes, Schumpeter, Kalecki, dos autores afiliados ao estruturalismo latino-americano e ao institucionalismo evolucionista, bem como os demais paradigmas na Economia e de outras Ciências Sociais que assumem uma perspectiva crítica ao pensamento econômico convencional. As pesquisas desenvolvidas na área partem da percepção que o estudo da história comparada entre a formação econômica do Brasil e a dos demais países latino-americanos é uma fonte criativa de reflexão sobre os determinantes (limites e oportunidades) dos processos de desenvolvimento. Ademais, os métodos quantitativos são valorizados enquanto substrato na busca de regularidades empíricas que permitam a discussão crítica de teorias e políticas econômicas.
Dentro desse contexto, o Quadro, abaixo, especifica quais são as linhas de pesquisa dos professores e o escopo de atuação de cada um deles:
Quadro de Professores-Orientadores


PROFESSOR

PARTICIPAÇÃO NO PPGE/UFRGS

Escopo de Atuação: Ensino e Orientação

Achyles Barcelos da Costa

Colaborador

Em todos os níveis strictu sensu

André Moreira Cunha

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Carlos Henrique Vasconcellos Horn

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Eduardo Maldonado Filho

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Fernando Ferrari Filho

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Hélio Henkin

Colaborador

Em todos os níveis strictu sensu

Janice Dornelles de Castro

Colaborador

Em todos os níveis strictu sensu

Luiz Estrella Faria

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Marcelo Milan

Permanente

Mestrado Acadêmico

Maria Alice Lahorgue

Colaborador

Em todos os níveis strictu sensu

Octávio Augusto Camargo Conceição

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Paulo Schmidt

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Pedro Cezar Dutra Fonseca

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Ricardo Dathein

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

Ronaldo Herrlein Júnior

Permanente

Mestrado Acadêmico

Sérgio Marley Modesto Monteiro

Permanente

Em todos os níveis strictu sensu

 

Estrutura Curricular

As disciplinas que compõem o PPGE na ÁREA DE ECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO traduzem a pluralidade teórica e de temáticas abrigadas na área do desenvolvimento, bem como as linhas de pesquisa propostas. Busca-se realizar uma leitura construtiva das contribuições dos diversos paradigmas econômicos, em uma perspectiva que valoriza os três fundamentos da análise econômica destacados por Schumpeter: a teoria, a história e os métodos quantitativos. Entende-se que o estudo da teoria econômica não deve ser um fim em si mesmo, mas um meio de compreensão e transformação da realidade social. As teorias não surgem no vácuo, mas refletem a dinâmica da sociedade, os conflitos de interesse dos diversos atores e têm, necessariamente, implicações normativas que afetam a todos nós. Nesta perspectiva, teoria e história devem andar juntas. As ferramentas teóricas perdem força quando descontextualizadas.

É por isso que a ÁREA DE ECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO do PPGE procura valorizar o que há de vivo no pensamento dos economistas que compartilham esta perspectiva. A partir da economia política clássica, especialmente em Adam Smith e Ricardo, de Marx, Schumpeter e Keynes, e seus principais intérpretes contemporâneos, é possível encontrar os alicerces do estudo da criação e distribuição da riqueza em uma sociedade que é historicamente constituída, e marcada por fronteiras claras e hierarquias de poder. O diálogo com o mainstream é condição necessária para a apreensão das diversas ferramentas da análise econômica. Este esforço de construção de um ambiente acadêmico plural está representado nas ementas e bibliografias das disciplinas obrigatórias e opcionais, bem como na formação e atuação do corpo docente. Espera-se, com isso, estimular a criação de novos conhecimentos, a partir da reflexão crítica, centrada na preocupação com o fenômeno do desenvolvimento, em particular o desenvolvimento do Brasil.

Entre as disciplinas obrigatórias do Programa, a Microeconomia I e Macroeconomia I trazem os conhecimentos consolidados nestes campos teóricos, já com uma aproximação a temas da fronteira do conhecimento, que posteriormente serão aprofundados nas disciplinas eletivas. A Econometria Aplicada aporta as modernas técnicas de análise quantitativa de dados econômicos. Economia Brasileira discute os aspectos gerais e específicos da trajetória de desenvolvimento do País, centrada no processo de industrialização, urbanização e introdução das instituições modernas, especialmente ao longo do século XX. São resgatadas as principais interpretações sobre as origens e desdobramentos do nosso desenvolvimento.

Em Teorias do Desenvolvimento Econômico são trabalhadas as principais contribuições teóricas dos grandes autores que se preocuparam com o tema da criação da riqueza e organização das sociedades capitalistas. A teoria do desenvolvimento, enquanto um campo autônomo de estudo dentro da Economia, emergiu, de forma consistente, somente no pós Segunda Grande Guerra. Porém, temas como "acumulação de capital" (ou crescimento econômico, em uma linguagem moderna), "distribuição da riqueza" entre as classes sociais e a dinâmica de funcionamento e reprodução da sociedade capitalista já estavam presentes em autores da economia política clássica, em Marx, Schumpeter, Veblen, dentre outros. Ademais, estes autores percebiam a economia como parte de um fenômeno social mais amplo. Suas teorias não se pretendem fora do tempo histórico. Assim, em na referida disciplina busca-se a conexão entre os aportes teóricos dos grandes economistas que se preocuparam com o tema desenvolvimento e suas várias interpretações modernas, onde a contribuição dos clássicos é problematizada em função da realidade atual. Os desdobramentos em termos de política econômica de cada teoria, bem como a percepção da especificidade dos países de desenvolvimento retardatário, completam o quadro temático desta disciplina. Economia Política I está fundada na crítica à economia política clássica, realizada por Marx. Porém, mais do que um exercício exegético sobre este autor, busca-se olhar para suas heranças teóricas, que permitem uma reflexão sobre a economia moderna. Aqui, estabelece-se o contraponto com a visão do mainstream economics, resgatando-se a idéia de que é possível um olhar teoricamente plural sobre os fenômenos econômicos. Concorrência, determinação de preços, taxas de juros, câmbio, etc., são objetos de uma análise atenta sob a ótica da economia heterodoxa de raiz marxiana.

As disciplinas eletivas desdobram e aprofundam questões tratadas nas disciplinas obrigatórias, além de introduzirem novos temas que refletem as linhas de pesquisa do Programa. No plano da teoria econômica, a Macroeconomia II procura desdobrar temas dos programas de pesquisa pós-keynesiano, contrapondo-os à fronteira do conhecimento desenvolvido no mainstream da economia. Organização Industrial trata da problemática do crescimento das firmas capitalistas, da concorrência e das interações estratégicas, dos paradigmas tecnológicos e seus impactos sobre a organização da produção, dentre outras questões. Somam-se as referências da literatura da nova organização industrial com os aportes dos autores evolucionistas e da abordagem dos custos de transação, fundada nos trabalhos de Coase e, mais recentemente, de Williamson. Economia da Tecnologia discute o processo de mudança tecnológica e as estratégias empresariais, bem como seus impactos sobre o emprego e a competitividade. Analisa, também, o sistema de inovação e de política de ciência e tecnologia. Economia Política II enfatiza a economia marxiana contemporânea. Duas disciplinas abordam as relações econômicas internacionais e os processos de integração, a partir de uma ótica que combina a análise teórica com a compreensão dos fenômenos políticos e sociais, vínculos à organização da economia capitalista em diversos momentos históricos. A disciplina Economia Política das Relações Internacionais trabalha as teorias que procuram explicar a criação e consolidação de hegemonias no plano internacional, bem como os processos de integração econômica e os vínculos entre comércio e desenvolvimento. Finanças Internacionais explora as teorias que explicam os fluxos financeiros e os padrões de financiamento do desenvolvimento, tanto nos países centrais quanto nos periféricos. As disciplinas Economia Monetária e Financeira e Estado e Desenvolvimento Comparado dão suporte teórico para a análise do papel da moeda e do Estado nas economias capitalistas, os modelos de organização dos mercados financeiros (agentes e instituições) e as distintas estratégias de desenvolvimento das economias capitalistas. A Economia Institucional aprofunda um tema de fronteira na pesquisa econômica em diversos paradigmas teóricos: o papel das instituições no desenvolvimento capitalista.

Não se entende a Economia sem percebê-la como parte de um todo social. Tendo isto presente, a ÁREA DE ECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO do PPGE oferece um leque de disciplinas de história econômica que tem por objetivo lançar luz na compreensão dos problemas atuais. É história em movimento, servindo de ferramenta para o entendimento dos limites e possibilidades de desenvolvimento para as economias periféricas e, especialmente, para o Brasil. Assim, Interpretações do Brasil permite um olhar crítico sobre nossa formação histórica, onde são buscadas as diversas análises estruturais de autores clássicos do pensamento social brasileiro. Capitalismo Contemporâneo define as fronteiras históricas do objeto mais geral que é a economia capitalista e o estudo do seu desenvolvimento.

Aspectos específicos do desenvolvimento, como as questões regional e de organização do mundo do trabalho, de sustentabilidade e de tecnologia são trabalhados em Desenvolvimento Regional: Teorias e Políticas, Desenvolvimento Sustentável, Desenvolvimento e Relações de Trabalho e Economia da Tecnologia. Aspectos conjunturais da economia brasileira, bem como o estudo de temas específicos do nosso desenvolvimento terão abrigo em Tópicos Especiais em Economia Brasileira.

 

Disciplinas

O agrupamento de disciplinas para fins de matrícula, caracterizando uma formação mais especializada, é o seguinte:

Código Disciplina Trimestre Créditos
Disciplinas Obrigatórias
ECOP17 Microeconomia I 3
ECOP20 Macroeconomia I 3
ECOP74 Teorias do Desenvolvimento Econômico 3
ECOP16 Econometria Aplicada 3
PROP01 Seminários de Pesquisa I, II e III 1°, 2° e 3° 1
ECOP69 Estágio Docência na Graduação - 1
ECOP32 Seminários de Dissertação -
Disciplinas Eletivas de Especialização
ECOP67 Economia Política II 3
ECOP79 Gestão Estratégica de Custos 3
ECOP44 Economia Brasileira 3
ECOP35 Economia da Tecnologia 3
ECOP51 Estado e Desenvolvimento Comparado 3
ECOP21 Macroeconomia II 3
ECOP62 Economia Política I 3
ECOP34 Organização Industrial 3
ECOP50 Economia Monetária e Financeira 3
ECOP53 Desenvolvimento Regional: Teorias e Políticas 3
ECOP56 Sindicatos e Negociações Coletivas 3
ECOP37 Economia Política das Relações Internacionais 3
ECOP47 Interpretações do Brasil 3
ECOP75 Finanças Internacionais 3
ECOP79 Gestão Estratégica de Custos 3
ECOP38 Economia Institucional 3
ECOP55 Desenvolvimento e Relações de Trabalho 3
ECOP76 Desenvolvimento Econômico e Saúde 3

Legenda para disciplinas eletivas:

Desenvolvimento: Instituições, Estratégias Privadas e Políticas Públicas
Economia Brasileira
Economia Internacional e Integração

 

Grade Proposta para o Curso:

 

Período Disc. Obrigatórias Disc. Eletivas
1° Trimestre
(12 semanas)
Teoria do Desenvolvimento Econômico
Econometria Aplicada
Economia Política II
Desenvolvimento Econômico e Saúde
Gestão Estratégica de Custos
Intervalo (2 semanas)
2° Trimestre
(12 semanas)

Microeconomia I
Macroeconomia I

Economia Brasileira
Estado e Desenvolvimento Comparado
Economia da Tecnologia
Intervalo (2 semanas)
3° Trimestre
(12 semanas)
- Economia Política I
Desenvolvimento Regional: Teorias e Políticas
Economia Monetária e Financeira
Economia Política das Relações Internacionais
Interpretações do Brasil
Macroeconomia II
Transformação Social e Regulação Econômica
Sindicatos e Negociações Coletivas
Intervalo (12 semanas)
4° Trimestre
(12 semanas)
- Desenvolvimento e Relações de Trabalho
Desenvolvimento Econômico e Saúde
Economia Institucional
Finanças Internacionais
Gestão Estratégica de Custos
Intervalo (2 semanas)
5° Trimestre
(12 semanas)
Elaboração da Dissertação de Mestrado
Intervalo (2 semanas)
6° Trimestre
(12 semanas)
Elaboração e Defesa da Dissertação de Mestrado