Coordenador Executivo: Prof. Fernando Ferrari Filho.
O desenvolvimento, em seus vários aspectos, tem sido uma das principais preocupações econômicas em termos teóricos, empíricos e de formulação de políticas públicas, ao longo do tempo e para as mais distintas correntes de pensamento econômico. As atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas no PPGE/UFRGS na área de concentração de Economia do Desenvolvimento (ED) traduzem essa tradição, tal que suas linhas de pesquisa estão relacionadas aos seguintes tópicos:
A área de ED prioriza a pluralidade de autores, paradigmas e métodos. Todavia, serão priorizadas as tradições teóricas heterodoxas associadas aos trabalhos seminais de Marx, Keynes, Schumpeter, Kalecki, dos autores afiliados ao estruturalismo latino-americano e ao institucionalismo evolucionista, bem como os demais paradigmas na Economia e de outras Ciências Sociais que assumem uma perspectiva crítica ao pensamento econômico convencional. As pesquisas desenvolvidas na área partem da percepção que o estudo da história comparada entre a formação econômica do Brasil e a dos demais países latino-americanos é uma fonte criativa de reflexão sobre os determinantes (limites e oportunidades) dos processos de desenvolvimento. Ademais, os métodos quantitativos são valorizados enquanto substrato na busca de regularidades empíricas que permitam a discussão crítica de teorias e políticas econômicas.
Dentro desse contexto, o Quadro, abaixo, especifica quais são as linhas de pesquisa dos professores e o escopo de atuação de cada um deles:
Quadro de Professores-Orientadores
PROFESSOR |
PARTICIPAÇÃO NO PPGE/UFRGS |
Escopo de Atuação: Ensino e Orientação |
|---|---|---|
|
Achyles Barcelos da Costa |
Colaborador |
Em todos os níveis strictu sensu |
|
André Moreira Cunha |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Carlos Henrique Vasconcellos Horn |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Eduardo Maldonado Filho |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
|
Fernando Ferrari Filho |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
|
Hélio Henkin |
Colaborador |
Em todos os níveis strictu sensu |
|
Janice Dornelles de Castro |
Colaborador |
Em todos os níveis strictu sensu |
|
Luiz Estrella Faria |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
|
Marcelo Milan |
Permanente |
Mestrado Acadêmico |
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Maria Alice Lahorgue |
Colaborador |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Octávio Augusto Camargo Conceição |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Paulo Schmidt |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Pedro Cezar Dutra Fonseca |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Ricardo Dathein |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
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Ronaldo Herrlein Júnior |
Permanente |
Mestrado Acadêmico |
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Sérgio Marley Modesto Monteiro |
Permanente |
Em todos os níveis strictu sensu |
As disciplinas que compõem o PPGE na ÁREA DE ECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO traduzem a pluralidade teórica e de temáticas abrigadas na área do desenvolvimento, bem como as linhas de pesquisa propostas. Busca-se realizar uma leitura construtiva das contribuições dos diversos paradigmas econômicos, em uma perspectiva que valoriza os três fundamentos da análise econômica destacados por Schumpeter: a teoria, a história e os métodos quantitativos. Entende-se que o estudo da teoria econômica não deve ser um fim em si mesmo, mas um meio de compreensão e transformação da realidade social. As teorias não surgem no vácuo, mas refletem a dinâmica da sociedade, os conflitos de interesse dos diversos atores e têm, necessariamente, implicações normativas que afetam a todos nós. Nesta perspectiva, teoria e história devem andar juntas. As ferramentas teóricas perdem força quando descontextualizadas.
É por isso que a ÁREA DE ECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO do PPGE procura valorizar o que há de vivo no pensamento dos economistas que compartilham esta perspectiva. A partir da economia política clássica, especialmente em Adam Smith e Ricardo, de Marx, Schumpeter e Keynes, e seus principais intérpretes contemporâneos, é possível encontrar os alicerces do estudo da criação e distribuição da riqueza em uma sociedade que é historicamente constituída, e marcada por fronteiras claras e hierarquias de poder. O diálogo com o mainstream é condição necessária para a apreensão das diversas ferramentas da análise econômica. Este esforço de construção de um ambiente acadêmico plural está representado nas ementas e bibliografias das disciplinas obrigatórias e opcionais, bem como na formação e atuação do corpo docente. Espera-se, com isso, estimular a criação de novos conhecimentos, a partir da reflexão crítica, centrada na preocupação com o fenômeno do desenvolvimento, em particular o desenvolvimento do Brasil.
Entre as disciplinas obrigatórias do Programa, a Microeconomia I e Macroeconomia I trazem os conhecimentos consolidados nestes campos teóricos, já com uma aproximação a temas da fronteira do conhecimento, que posteriormente serão aprofundados nas disciplinas eletivas. A Econometria Aplicada aporta as modernas técnicas de análise quantitativa de dados econômicos. Economia Brasileira discute os aspectos gerais e específicos da trajetória de desenvolvimento do País, centrada no processo de industrialização, urbanização e introdução das instituições modernas, especialmente ao longo do século XX. São resgatadas as principais interpretações sobre as origens e desdobramentos do nosso desenvolvimento.
Em Teorias do Desenvolvimento Econômico são trabalhadas as principais contribuições teóricas dos grandes autores que se preocuparam com o tema da criação da riqueza e organização das sociedades capitalistas. A teoria do desenvolvimento, enquanto um campo autônomo de estudo dentro da Economia, emergiu, de forma consistente, somente no pós Segunda Grande Guerra. Porém, temas como "acumulação de capital" (ou crescimento econômico, em uma linguagem moderna), "distribuição da riqueza" entre as classes sociais e a dinâmica de funcionamento e reprodução da sociedade capitalista já estavam presentes em autores da economia política clássica, em Marx, Schumpeter, Veblen, dentre outros. Ademais, estes autores percebiam a economia como parte de um fenômeno social mais amplo. Suas teorias não se pretendem fora do tempo histórico. Assim, em na referida disciplina busca-se a conexão entre os aportes teóricos dos grandes economistas que se preocuparam com o tema desenvolvimento e suas várias interpretações modernas, onde a contribuição dos clássicos é problematizada em função da realidade atual. Os desdobramentos em termos de política econômica de cada teoria, bem como a percepção da especificidade dos países de desenvolvimento retardatário, completam o quadro temático desta disciplina. Economia Política I está fundada na crítica à economia política clássica, realizada por Marx. Porém, mais do que um exercício exegético sobre este autor, busca-se olhar para suas heranças teóricas, que permitem uma reflexão sobre a economia moderna. Aqui, estabelece-se o contraponto com a visão do mainstream economics, resgatando-se a idéia de que é possível um olhar teoricamente plural sobre os fenômenos econômicos. Concorrência, determinação de preços, taxas de juros, câmbio, etc., são objetos de uma análise atenta sob a ótica da economia heterodoxa de raiz marxiana.
As disciplinas eletivas desdobram e aprofundam questões tratadas nas disciplinas obrigatórias, além de introduzirem novos temas que refletem as linhas de pesquisa do Programa. No plano da teoria econômica, a Macroeconomia II procura desdobrar temas dos programas de pesquisa pós-keynesiano, contrapondo-os à fronteira do conhecimento desenvolvido no mainstream da economia. Organização Industrial trata da problemática do crescimento das firmas capitalistas, da concorrência e das interações estratégicas, dos paradigmas tecnológicos e seus impactos sobre a organização da produção, dentre outras questões. Somam-se as referências da literatura da nova organização industrial com os aportes dos autores evolucionistas e da abordagem dos custos de transação, fundada nos trabalhos de Coase e, mais recentemente, de Williamson. Economia da Tecnologia discute o processo de mudança tecnológica e as estratégias empresariais, bem como seus impactos sobre o emprego e a competitividade. Analisa, também, o sistema de inovação e de política de ciência e tecnologia. Economia Política II enfatiza a economia marxiana contemporânea. Duas disciplinas abordam as relações econômicas internacionais e os processos de integração, a partir de uma ótica que combina a análise teórica com a compreensão dos fenômenos políticos e sociais, vínculos à organização da economia capitalista em diversos momentos históricos. A disciplina Economia Política das Relações Internacionais trabalha as teorias que procuram explicar a criação e consolidação de hegemonias no plano internacional, bem como os processos de integração econômica e os vínculos entre comércio e desenvolvimento. Finanças Internacionais explora as teorias que explicam os fluxos financeiros e os padrões de financiamento do desenvolvimento, tanto nos países centrais quanto nos periféricos. As disciplinas Economia Monetária e Financeira e Estado e Desenvolvimento Comparado dão suporte teórico para a análise do papel da moeda e do Estado nas economias capitalistas, os modelos de organização dos mercados financeiros (agentes e instituições) e as distintas estratégias de desenvolvimento das economias capitalistas. A Economia Institucional aprofunda um tema de fronteira na pesquisa econômica em diversos paradigmas teóricos: o papel das instituições no desenvolvimento capitalista.
Não se entende a Economia sem percebê-la como parte de um todo social. Tendo isto presente, a ÁREA DE ECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO do PPGE oferece um leque de disciplinas de história econômica que tem por objetivo lançar luz na compreensão dos problemas atuais. É história em movimento, servindo de ferramenta para o entendimento dos limites e possibilidades de desenvolvimento para as economias periféricas e, especialmente, para o Brasil. Assim, Interpretações do Brasil permite um olhar crítico sobre nossa formação histórica, onde são buscadas as diversas análises estruturais de autores clássicos do pensamento social brasileiro. Capitalismo Contemporâneo define as fronteiras históricas do objeto mais geral que é a economia capitalista e o estudo do seu desenvolvimento.
Aspectos específicos do desenvolvimento, como as questões regional e de organização do mundo do trabalho, de sustentabilidade e de tecnologia são trabalhados em Desenvolvimento Regional: Teorias e Políticas, Desenvolvimento Sustentável, Desenvolvimento e Relações de Trabalho e Economia da Tecnologia. Aspectos conjunturais da economia brasileira, bem como o estudo de temas específicos do nosso desenvolvimento terão abrigo em Tópicos Especiais em Economia Brasileira.
O agrupamento de disciplinas para fins de matrícula, caracterizando uma formação mais especializada, é o seguinte:
| Desenvolvimento: Instituições, Estratégias Privadas e Políticas Públicas |
| Economia Brasileira |
| Economia Internacional e Integração |
| Período | Disc. Obrigatórias | Disc. Eletivas |
|---|---|---|
| 1° Trimestre (12 semanas) |
Teoria do Desenvolvimento Econômico Econometria Aplicada |
Economia Política II Desenvolvimento Econômico e Saúde Gestão Estratégica de Custos |
| Intervalo (2 semanas) | ||
| 2° Trimestre (12 semanas) |
Microeconomia I |
Economia Brasileira Estado e Desenvolvimento Comparado Economia da Tecnologia |
| Intervalo (2 semanas) | ||
| 3° Trimestre (12 semanas) |
- | Economia Política I Desenvolvimento Regional: Teorias e Políticas Economia Monetária e Financeira Economia Política das Relações Internacionais Interpretações do Brasil Macroeconomia II Transformação Social e Regulação Econômica Sindicatos e Negociações Coletivas |
| Intervalo (12 semanas) | ||
| 4° Trimestre (12 semanas) |
- |
Desenvolvimento e Relações de Trabalho Desenvolvimento Econômico e Saúde Economia Institucional Finanças Internacionais Gestão Estratégica de Custos |
| Intervalo (2 semanas) | ||
| 5° Trimestre (12 semanas) |
Elaboração da Dissertação de Mestrado | |
| Intervalo (2 semanas) | ||
| 6° Trimestre (12 semanas) |
Elaboração e Defesa da Dissertação de Mestrado | |