Pesquisa do PPG Fisiologia investiga efeitos de situações traumáticas da infância no cérebro

A pesquisa da doutoranda Débora Czarnabay (orientada pelos professores Fernando Benetti e Patrícia Pranke) pode contribuir para o tratamento de efeitos do estresse em situações traumáticas da infância
Pesquisa do PPG Fisiologia investiga efeitos de situações traumáticas da infância no cérebro

Débora Czarnabay e professor Fernando Benetti

PPG - O que a neurociência já sabe a respeito dos danos que a separação entre mãe e filhote causam ao cérebro?

Débora Czarnabay - Os primeiros estudos envolvendo os efeitos da separação materna foram publicados entre a primeira e a segunda guerra mundial. Desde então muitos trabalhos têm evidenciado as consequências negativas desse tipo de estresse no período neonatal.

 A neurociência já sabe que os fatores ambientais, além da genética individual, influenciam a função cerebral, assim como a vulnerabilidade às doenças. Ao longo da vida somos suscetíveis aos efeitos do estresse e suas consequências devastadoras. Entretanto, as regiões cerebrais envolvidas na resposta ao estresse são imaturas em mamíferos jovens, como nos seres humanos e roedores. Além disso, o cérebro em desenvolvimento é plástico, ou seja, é sensível às modificações induzidas por experiências nesse período. É justamente na fase neonatal em que os seres humanos (e roedores) são mais dependentes da mãe, criando um forte vínculo e buscando alimento, calor e proteção à qualquer ameaça. Por exemplo, estudos em seres humanos mostraram que experiências adversas durante a infância, como a perda dos pais, negligência ou abuso físico, emocional ou sexual podem afetar a neurobiologia e o comportamento desses indivíduos na fase adulta. Portanto, eventos que ocorrem durante os períodos críticos de crescimento, como na infância, podem ter efeitos prejudiciais que se estendem até a maioridade, tais como alterações no metabolismo, crescimento, sistema imune, no comportamento e na memória.


PPG - Como sua pesquisa pode ajudar futuramente as pessoas?

 DC - A exposição a eventos ambientais adversos no início da vida, como por exemplo em casos de negligência infantil, pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças neurológicas, incluindo transtornos afetivos, psicose e déficits de memória, que podem até ser similares aos apresentados na Doença de Alzheimer. Para uma criança, a relação parental é de extrema importância e está diretamente relacionada com o seu desenvolvimento emocional e cognitivo ao longo da vida. Em roedores, a deprivação maternal tem sido constantemente utilizada como um modelo de exposição a eventos estressores, pois separa o filhote da mãe durante algumas horas por dia. Esse modelo demonstra que, em longo prazo, tal separação provoca efeitos sob o desenvolvimento do sistema nervoso central, mas ainda não se sabe exatamente os mecanismos envolvidos nas células nervosas. O nosso grupo de pesquisa há mais de dez anos já demonstrou que o modelo experimental de separação mãe/filhote no período neonatal acarreta, na idade adulta, consequências persistentes (como déficits cognitivos em diferentes tarefas). Por isso buscamos entender quais substancias estão alteradas no cérebro e como elas prejudicam a memória e o desenvolvimento desses indivíduos que sofreram um estresse intenso na infância.

 

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