Histórico do PPGIE

A criação do Programa de Pós-Graduação de Informática na Educação (PPGIE), ainda em 1996, engendrou-se como proposta de curso em nível de doutorado, em decorrência de quase duas décadas de iniciativas da Universidade nessa área, atendendo a grupos de pesquisa interessados na área específica e em colaboração com as políticas governamentais, para constituir-se em local próprio de pesquisa e de desenvolvimento aberto à interdisciplinaridade.

A proposta do PPGIE fazia avançar a política institucional acadêmica, associando pesquisadores da universidade que já se dedicavam à pesquisa e à formação de recursos humanos, na área de informática na educação. Ao mesmo tempo, foram criadas duas revistas acadêmicas em Informática na Educação (1996; 2003), inicialmente para dar vazão à produção da própria IES e do Programa de Pós-Graduação recém –proposto. A evidência de consolidação dessa política institucional dar-se-ia um pouco mais tarde, quando foi criado, em 2000, o Centro Interdisciplinar de Tecnologias na Educação (CINTED). Na seqüência, foi criada em 2002 a Secretaria de Educação a Distância da Universidade, a SEAD/UFRGS.  

  • O PPGIE - Extensão

Os docentes pesquisadores acostumados a trabalhar interdisciplinarmente tinham, desde antes da criação do PPGIE, um cuidado especial também com a extensão. Hoje, além das ações específicas de cada grupo de pesquisa do PPGIE dirigidas à extensão, o Programa oferece vagas para alunos especiais (não regulares), em particular a educadores e desenvolvedores comprometidos com a educação, boa parte oriunda de escolas e centros educativos, com interesse na continuidade de sua formação.

  • O PPGIE - Ensino

Com relação aos estudos pós-graduados stricto sensu, no momento, além de doutorandos provenientes de todo o Estado do Rio Grande do Sul, temos alunos regulares de outros estados da região sul e sudeste (Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro), centro (Brasília), norte e nordeste (Amazonas, Maranhão, Piauí).

  • PPGIE - Pesquisa

Quanto a intercâmbios e parcerias em pesquisa, no país e com o exterior, atualmente, podem ser elencados alguns Programas bilaterais e multilaterais de pesquisa, como:

(a) o CAPES/COFECUB (dois projetos, um relacionado a aprendizagem móvel e outro a Inteligência Artificial e tutores inteligentes);
(b) o PRO-AFRICA/CNPQ/MCT (dois projetos, em Moçambique e Angola, voltados à educação e à formação em saúde, respectivamente);
(c) o PROSUL/MCT/CNPq que apóia cooperação em Ciências, Tecnologia e inovação (C&T&I) entre grupos brasileiros e países sul americanos, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos;
(d) o CAPES/GRICES, entre Brasil e Portugal, com o objetivo estimular o intercâmbio e formação de docentes e pesquisadores brasileiros e portugueses;
(e) o STC-AmSud, iniciado em 2011, envolve França, Chile e Brasil, voltado ao tema de Pesquisa Aprendizagem Ubiqua;
(f) no âmbito  nacional, o  Programa de cooperação em pesquisa  com grupo da UNEB ( apoio Cnpq/Finep); 
(g) e a cooperação UNIVERSIDADE-EMPRESA (Conexum), apoio CNPq/MCT,
(h) PROJETO ROA-MOBRAS: Repositório de Objetos de Aprendizagem Moçambique-Brasil.

Salientamos, ainda, como objetivo relevante para o Programa, o acolhimento de candidaturas POSDOC/CAPES-REUNI, POSDOC/CNPq, CO-TUTELA e PRODOC-CAPES, incluindo candidatos de outros estados da federação e estrangeiros.

O Programa e a pesquisa na ótica interdisciplinar*

Os projetos/programas de pesquisa do corpo docente se consubstanciam no interior de três Linhas de Pesquisa, na modalidade “projetos institucionais”, aos quais se vinculam organicamente os projetos de tese dos doutorandos, assim como subprojetos complementares dos próprios docentes-pesquisadores e seus respectivos grupos de pesquisa:

I - AMBIENTES INFORMATIZADOS E ENSINO A DISTÂNCIA;
II - PARADIGMAS PARA A PESQUISA SOBRE O ENSINO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO;
III - INTERFACES DIGITAIS EM EDUCAÇÃO, ARTE, LINGUAGEM E COGNIÇÃO.

O fato de um doutorando estar vinculado a dois orientadores torna, não apenas o seu projeto investigativo permeável a inflexões diversas de ordem teórico-metodológica, como também pressiona as próprias linhas de pesquisa e os projetos institucionais a processos de transversalização e à permeabilidade interdisciplinar. Desse modo, embora na superfície de planificação tenha-se o padrão convencional de estruturação –linha de pesquisa, projeto institucional, projeto de tese e publicações -, no campo empírico-metodológico da ação investigativa propriamente dita e no plano reflexivo dos sistemas teórico-conceituais produz-se um terreno poroso, em contínua comunicação, com múltiplas entradas e saídas, formando uma verdadeira rede de interrelações e de vizinhanças. Produzem-se outros espaços-tempos, na convergência de linhas procedentes desses territórios heterogêneos, às vezes estranhos entre si. Filosofia, tecnociência, educação, arte precisam entrar em ressonância, abrir um espaço-tempo (um lócus) para a escuta afinada de atenção à alteridade, bem como garantir um espaço-tempo à expressão de sentidos e à construção de conceitos e metodologias de referência, característicos do pensar-agir interdisciplinar, que possam contribuir na sustentação das novas conformações subjetivas da sociedade e da cultura contemporâneas.

O lócus da interdisciplinaridade é o do espaço de ação - da ação concreta empírica, e de igual maneira, da ação reflexivo-interpretativa, teórica; o lócus da interdisciplina é o do espaço do comum. Num caso como o da pesquisa em Educação na perspectiva das novas Tecnologias da Comunicação e da Informação, se, de um lado, cada disciplina subsidiária depende do estado da arte no próprio campo, de outro, a articulação entre elas convoca a novos problemas que transcendem, transbordam as disciplinas isoladas. E se a Educação não pode hoje pensar-se sem pensar as novas Tecnologias da Comunicação e da Informação, da qual o seu campo encontra-se impregnado, também a Informática precisa pensar-se, considerando os processos formativos em engendramento neste campo, os quais estão levando à formação de novas subjetividades, cujo produto será, provavelmente, um novo ser humano e uma nova sociedade com um modo de produção de conhecimento, bem como de valores éticos-estéticos-políticos, diferentes.

Neste contexto, a interdisciplinaridade é sempre processo, processo em perpétua construção e reconstrução de si por entre as fronteiras disciplinares; processo que, estando sempre em reconstrução, constrói novas possibilidades para a ação, seja concreta, no amplo campo educativo, seja reflexiva teórica, de avaliação, de prospecção, ou de novos construtos conceituais relativos a esse campo. De um projeto para outro, tudo pode mudar...

(* excerto do artigo “Interdisciplinaridade na Ótica do Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação da UFRGS”, de autoria dos docentes do PPGIE,  Margarete Axt, José Valdeni de Lima, Rosa Maria Vicari, Liane Margarida Rockenbach Tarouco; o referido capítulo integra a obra “Interdisciplinaridade, Tenologia & Inovação”, organizada por Arlindo Philippi Jr e Antonio J. Silva Neto, ganhadora do Prêmio Jabuti - Educação, em 2011).