Institucional

Histórico do Curso

     A partir dos anos 1990 intensificou-se no Brasil, entre os profissionais de museus, a preocupação com o oferecimento de cursos de pós-graduação latu sensu na área da Museologia e do Patrimônio. O Rio Grande do Sul se inseriu nesse movimento, liderado pelas instituições de ensino e pelos profissionais de museus, a partir da constatação da situação de extrema carência de recursos humanos especializados na área para gerir adequadamente as coleções dos museus do Estado. 

     Entre os diversos cursos implantados no estado, tiveram destaque as formações oferecidas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Instituto de Artes e na Faculdade de Arquitetura. Nenhum desses dois cursos, porém, avançou no sentido da consolidação da criação de formações stricto sensu.

     Desde 2003, o contexto relacionado à formação em Museologia no Brasil alterou-se profundamente com a criação de mais de uma dezena de cursos de graduação em diferentes estados do País, bem como pela implantação de quatro programas de pós-graduação, localizados nos estados de Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Piauí.

     Com a implantação, em 2008, e consolidação, em 2015, do Curso de Graduação em Museologia na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação e a paulatina configuração de um quadro docente aderente à área, renasce, entre os professores, o desejo de implantar também a pós-graduação na UFRGS.

     Desse modo, em meados de 2015, um grupo de seus professores iniciou a discussão e os estudos necessários para elaborar o projeto de criação do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio. No final de fevereiro de 2016, iniciou a tramitação na Universidade do processo para oferta do Mestrado Acadêmico em Museologia e Patrimônio, que, uma vez aprovado em maio de 2016, foi enviado à CAPES, que, em janeiro de 2017, o credenciou no âmbito do sistema nacional de pós-graduação.

     Assim, o Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPGMusPa), nasce com a missão de produzir conhecimento no âmbito da Museologia e do Patrimônio, ao formar profissionais em nível avançado para atuar nas universidades, institutos, órgãos estatais, museus, entre outros, com papel de liderança e proatividade na preservação, investigação e gestão do patrimônio integral, em suas dimensões culturais e ambientais, capazes de promover ações de salvaguarda, pesquisa, comunicação e apropriação dos bens culturais, em suas referências materiais e imateriais, com vistas à transformação social e à construção da cidadania.

     O Mestrado em Museologia e Patrimônio foi criado com o objetivo geral de formar profissionais em nível de Mestrado que se tornem agentes de reflexão sobre a Museologia contemporânea numa perspectiva multidisciplinar, a partir do estudo, análise, crítica e atuação em instituições e espaços da sociedade onde seja necessário o desempenho de função de caráter museológico. Para isso, a formação do mestre em Museologia e Patrimônio supõe o domínio dos conteúdos desses campos e a preparação para enfrentar com proficiência e criatividade os problemas de sua prática profissional, especialmente, aqueles que demandem intervenções em museus, centros de documentação ou informação, centros culturais, serviços ou redes de informação, órgãos de gestão do patrimônio cultural.

     O perfil do egresso do Programa foi concebido para unir a postura de um profissional de nível avançado consciente da relação profunda do ser humano (sujeito) com o bem cultural (objeto) com o valor que as teorias e os paradigmas da ciência possuem para o desenvolvimento e preservação do patrimônio construído pelas sociedades. Um profissional capaz de intervir e de interagir crítica e criativamente nos contextos sociais, na defesa dos ideais éticos de respeito à vida, à diversidade, ao patrimônio ambiental e cultural e à igualdade de direitos; de agir como gestor e executor de políticas relacionadas à Museologia; de atuar no processo de musealização, através da documentação, da pesquisa, da conservação, da socialização, objetivando a produção do conhecimento.

     O Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, ergue-se, também, na perspectiva de articulação com as instituições museológicas e patrimoniais brasileiras e do estado do Rio Grande do Sul, em especial, no sentido da qualificação dos processos de gestão museológica que envolvem uma ampla cadeia operatória (conservação, documentação, comunicação, educação, pesquisa). E, ainda, na articulação com os países da América Latina, tendo em vista a localização privilegiada da Rio Grande do Sul, bem como com outros países, numa escala global, através dos projetos de extensão e pesquisa de seus docentes e discentes.

Área de Concentração

Museologia e Patrimônio

     O patrimônio e os museus se constituem em fenômenos e processos complexos, frutos das relações da humanidade com o planeta, suas culturas e suas memórias. Eles se constituem em mediadores entre os sujeitos e espaços, objetos, imagens, fazeres e saberes, alçados a um estatuto especial e submetidos a regimes concernentes à preservação, à produção de conhecimento e à construção de alternativas para o desenvolvimento sustentável. A ideia de conservação da herança para transmissão às futuras gerações acompanha as sociedades ao longo da História. E, embora a noção de patrimônio como ato instituidor da preservação pelo Estado e por associações tenha sido consolidada na Modernidade, a partir da segunda metade do século XX vem ocorrendo uma explosão em escala global de processos de patrimonialização e musealização. O patrimônio, desse modo, é caracterizado por prerrogativas jurídicas no âmbito das políticas públicas. Por outro lado, é reconhecido por processos sociais e culturais mobilizadores de sujeitos e grupos em prol da conservação de traços pretéritos. Patrimônio se constitui em campo de disputas de ordem material e simbólica em torno de representações e práticas concernentes aos bens culturais e naturais. Na problemática patrimonial, diferentes agentes entram em embate pela definição e usufruto dos patrimônios, onde estão em jogo representações sobre o passado; interesses econômicos relativos à propriedade; problemas urbanísticos; questões ambientais; a manutenção da diversidade cultural; entre muitos outros. Desse modo, investigar o patrimônio em âmbito acadêmico significa operar um deslocamento do olhar do objeto patrimonial - ou seja, de um conjunto de bens alçados a identificar determinadas culturas, cidades, países e regiões, para as relações entre sujeitos e destes com sua cultura, seu ambiente e sua memória. Investigar o patrimônio é compreender a genealogia de conceitos que dividem a cultura em categorias operacionais, tais como patrimônio material e imaterial; patrimônio cultural; patrimônio genético; patrimônio ambiental; patrimônio arquitetônico; patrimônio arqueológico; patrimônio artístico; patrimônio urbano, entre outras. Os museus públicos surgem como cenário para abrigar os patrimônios e as coleções conservadas, com a finalidade de estudo, construção de conhecimento e instrumento pedagógico do Estado. Por sua vez, a constituição epistemológica da Museologia é tardia em relação ao surgimento das instituições museológicas, cujos agentes colocaram em ação diferentes procedimentos metodológicos derivados de uma cadeia operatória que envolve conservação, pesquisa e comunicação. Por outro lado, o debate sobre a definição da Museologia como ciência abre-se para dois pressupostos: um princípio identificador das especificidades e autonomia em relação às demais áreas do conhecimento; outro que conecta profundamente a Museologia às demais disciplinas com que dialoga, sejam aquelas que estão na gênese dos museus, como História, Arqueologia, Antropologia, Sociologia, Artes e Ciências, ou aquelas com as quais compartilha determinados procedimentos metodológicos, como a Biblioteconomia e a Arquivologia; sejam todas aquelas às quais se vincula a multiplicidade de tipologias museológicas possíveis. Assim, através de múltiplas abordagens disciplinares, Patrimônio e Museologia são investigados, por um lado, na problematização de conceitos, representações e práticas construídas ao longo do tempo; e, por outro, no exame de procedimentos metodológicos com vistas a sua aplicação em diferentes situações e contextos.

Estrutura Curricular do Curso

A organização curricular do Mestrado estabelece a exigência de integralização de 24 créditos, distribuídos nas seguintes disciplinas:
- Dois Seminários Avançados Obrigatórios (SAOB) vinculados as duas linhas de pesquisa (8 créditos);
- Quatro Seminários de Orientação de Pesquisa (SOP) com 2 créditos cada um (8 créditos);
- Seminários Avançados Eletivos (SAE) de escolha do aluno (8 créditos).

Equipe

Comissões
Comissão de Pós-graduação
Técnicos Administrativos