Área de Concentração

Museologia e Patrimônio

     O patrimônio e os museus se constituem em fenômenos e processos complexos, frutos das relações da humanidade com o planeta, suas culturas e suas memórias. Eles se constituem em mediadores entre os sujeitos e espaços, objetos, imagens, fazeres e saberes, alçados a um estatuto especial e submetidos a regimes concernentes à preservação, à produção de conhecimento e à construção de alternativas para o desenvolvimento sustentável. A ideia de conservação da herança para transmissão às futuras gerações acompanha as sociedades ao longo da História. E, embora a noção de patrimônio como ato instituidor da preservação pelo Estado e por associações tenha sido consolidada na Modernidade, a partir da segunda metade do século XX vem ocorrendo uma explosão em escala global de processos de patrimonialização e musealização. O patrimônio, desse modo, é caracterizado por prerrogativas jurídicas no âmbito das políticas públicas. Por outro lado, é reconhecido por processos sociais e culturais mobilizadores de sujeitos e grupos em prol da conservação de traços pretéritos. Patrimônio se constitui em campo de disputas de ordem material e simbólica em torno de representações e práticas concernentes aos bens culturais e naturais. Na problemática patrimonial, diferentes agentes entram em embate pela definição e usufruto dos patrimônios, onde estão em jogo representações sobre o passado; interesses econômicos relativos à propriedade; problemas urbanísticos; questões ambientais; a manutenção da diversidade cultural; entre muitos outros. Desse modo, investigar o patrimônio em âmbito acadêmico significa operar um deslocamento do olhar do objeto patrimonial - ou seja, de um conjunto de bens alçados a identificar determinadas culturas, cidades, países e regiões, para as relações entre sujeitos e destes com sua cultura, seu ambiente e sua memória. Investigar o patrimônio é compreender a genealogia de conceitos que dividem a cultura em categorias operacionais, tais como patrimônio material e imaterial; patrimônio cultural; patrimônio genético; patrimônio ambiental; patrimônio arquitetônico; patrimônio arqueológico; patrimônio artístico; patrimônio urbano, entre outras. Os museus públicos surgem como cenário para abrigar os patrimônios e as coleções conservadas, com a finalidade de estudo, construção de conhecimento e instrumento pedagógico do Estado. Por sua vez, a constituição epistemológica da Museologia é tardia em relação ao surgimento das instituições museológicas, cujos agentes colocaram em ação diferentes procedimentos metodológicos derivados de uma cadeia operatória que envolve conservação, pesquisa e comunicação. Por outro lado, o debate sobre a definição da Museologia como ciência abre-se para dois pressupostos: um princípio identificador das especificidades e autonomia em relação às demais áreas do conhecimento; outro que conecta profundamente a Museologia às demais disciplinas com que dialoga, sejam aquelas que estão na gênese dos museus, como História, Arqueologia, Antropologia, Sociologia, Artes e Ciências, ou aquelas com as quais compartilha determinados procedimentos metodológicos, como a Biblioteconomia e a Arquivologia; sejam todas aquelas às quais se vincula a multiplicidade de tipologias museológicas possíveis. Assim, através de múltiplas abordagens disciplinares, Patrimônio e Museologia são investigados, por um lado, na problematização de conceitos, representações e práticas construídas ao longo do tempo; e, por outro, no exame de procedimentos metodológicos com vistas a sua aplicação em diferentes situações e contextos.