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hedonista ou uma finalidade pedagógico-moralista.
E dizemos quase sem exceção, porque alguns casos se podem
mencionar nos quais se patenteia com maior ou menor acuidade a consciência
da autonomia da literatura. Calímaco, por exemplo, característico
representante da cultura helenística, procura e cultiva uma poesia
original, rica de belos efeitos sonoros, de ritmos novos e gráceis,
alheia a motivações morais. Séculos mais tarde, alguns
trovadores provençais transformaram a sua atividade poética
numa autêntica religião da arte, consagrando-se de modo total
à criação do poema e ao seu aperfeiçoamento
formal, excluindo dos seus propósitos qualquer intenção
utilitária. Um fino conhecedor da literatura medieval, o Prof.
Antonio Viscardi, escreve a este respeito: "O que conta é
a fé nova da arte, em que todos observam e praticam com devoção
sincera". Desta fé nasce o
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sentido trovadoresco da arte que é o fim de
si mesma. A arte pela arte é descoberta dos trovadores.
(...)
4. Já atrás
nos referimos, acerca das doutrinas da arte pela arte, a uma importante
finalidade freqüentemente assinalada à literatura: a evasão.
Em termos genéricos, a evasão significa sempre a fuga do
eu a determinadas condições da vida e do mundo, de um mundo
imaginário, diverso daquele de que se foge, e que funciona como
sedativo, como ideal compensação, como objetivação
de sonhos e de aspirações.
A evasão, como fenômeno literário,
é verificável quer no escritor quer no leitor. Deixando
para ulterior e breve análise o caso deste último, examinemos
primeiramente os
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