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5. A criação de personagens constitui
outro processo freqüentemente utilizado pelo escritor, particularmente
pelo romancista, para se evadir. A personagem, plasmada segundo os mais
secretos desejos e desígnios do artista, apresenta as qualidades
e vive as aventuras que o escritor para si baldadamente apetecera.
6. O sonho, os paraísos artificiais provocados
pelas drogas e pelas bebidas, a orgia, etc., representam outros processos
de evasão com larga projeção na literatura. A literatura
romântica e simbolista oferece muitos exemplos destas formas de
evasão.
(...)
5. Na estética platônica
aparece já o problema da literatura como conhecimento, embora
o filósofo
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conclua pela impossibilidade de a obra poética
poder ser um adequado veículo de conhecimento. Segundo Platão,
a imitação poética não constitui um processo
revelador da verdade, assim se opondo à filosofia que, partindo
das coisas e dos seres, ascende à consideração das
Idéias, realidade última e fundamental; a poesia, com efeito,
limita-se a fornecer uma cópia, uma imitação das
coisas e dos seres que, por sua vez, são uma mera imagem (phantasma)
das Idéias. Quer dizer, por conseguinte, que a poesia é
uma imitação de imitações e criadoras de vãs
aparências.
Este mesmo problema assume excepcional relevo
em Aristóteles, pois na Poética claramente se afirma
que "a Poesia é mais filosófica e mais elevada do que
a História, pois a Poesia conta de preferência o geral e,
a História, o particular". Por conseguinte, enquanto Platão
condena
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