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Vítor Manuel de Aguiar e Silva Teoria da Literatura

Fala-se muito, no nosso tempo, de literatura comprometida e de compromisso literário. Tais fórmulas, e as doutrinas que elas recobrem, definem as feições de uma época da cultura européia: o período da última conflagração mundial e sobretudo dos anos subsequentes, quando as correntes neo-realistas e existencialistas se difundiram e triunfaram por toda uma Europa ocidental desorganizada, coberta de ruínas sangrentas e dominada pela angústia.

O tema do compromisso é fundamental, pelas suas implicações e consequências, nas filosofias existencialistas. O homem, no dizer de Heidegger, não é um receptáculo, isto é, uma passividade recolhendo dados no mundo, mas um estar-no-mundo, não no sentido espacial e físico de estar em, mas no sentido de presença ativa, de estar em relação fundadora,

constitutiva com o mundo.

(...)

Quando Jean-Paul Sartre lança ombros à tarefa de expor a sua concepção de literatura, num ensaio mundialmente célebre (Qu’est-ce que la littérature?), estes tópicos da filosofia de Heidegger influenciam visível e naturalmente o teor e o encadeamento das suas idéias. A aliança destes elementos com determinados princípios do marxismo define a orientação do referido ensaio, o documento mais relevante das teorias acerca do compromisso da literatura.

[...]

8. Torna-se necessário efetuar uma distinção nítida entre literatura comprometida ou, para usar um vocábulo francês muito em moda, literatura "engagée", e literatura

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