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Fala-se muito, no nosso tempo, de literatura
comprometida e de compromisso literário.
Tais fórmulas, e as doutrinas que elas recobrem, definem as feições
de uma época da cultura européia: o período da última
conflagração mundial e sobretudo dos anos subsequentes,
quando as correntes neo-realistas e existencialistas se difundiram e triunfaram
por toda uma Europa ocidental desorganizada, coberta de ruínas
sangrentas e dominada pela angústia.
O tema do compromisso é fundamental,
pelas suas implicações e consequências, nas filosofias
existencialistas. O homem, no dizer de Heidegger, não é
um receptáculo, isto é, uma passividade recolhendo dados
no mundo, mas um estar-no-mundo, não no sentido espacial
e físico de estar em, mas no sentido de presença
ativa, de estar em relação fundadora,
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constitutiva com o mundo.
(...)
Quando Jean-Paul Sartre lança ombros à
tarefa de expor a sua concepção de literatura, num ensaio
mundialmente célebre (Qu’est-ce que la littérature?),
estes tópicos da filosofia de Heidegger influenciam visível
e naturalmente o teor e o encadeamento das suas idéias. A aliança
destes elementos com determinados princípios do marxismo define
a orientação do referido ensaio, o documento mais relevante
das teorias acerca do compromisso da literatura.
[...]
8. Torna-se necessário efetuar
uma distinção nítida entre literatura comprometida
ou, para usar um vocábulo francês muito em moda, literatura
"engagée", e literatura
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