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(...) O poeta deve portanto escolher, conforme
os assuntos tratados, as convenientes modalidades métricas ou estilísticas,
de maneira a não exprimir um tema cômico num metro próprio
da tragédia ou, pelo contrário, um tema trágico num
estilo pertencente à comédia. (...) Horácio foi deste
modo conduzido a conceber os gêneros como entidades perfeitamente
distintas, correspondendo a distintos movimentos psicológicos,
pelo que o poeta deve mantê-los rigorosamente separados, de modo
a evitar, por exemplo, qualquer hibridismo entre o gênero cômico
e o gênero trágico. (...) Assim se fixava a famosa regra
da unidade de tom, de tão larga aceitação no classicismo
francês e na estética neoclássica, que prescreve a
separação absoluta dos diversos gêneros.
[...]
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A doutrina romântica acerca dos
gêneros literários é multiforme e, por vezes, contraditória.
Não encontramos uma solução unitária, embora
se possa apontar como princípio comum a todos românticos
a condenação da teoria clássica dos gêneros
literários, em nome da liberdade e da espontaneidade criadoras,
da unicidade da obra literária, etc. Todavia, a atitude radicalmente
negativa do Sturm und drang não foi em geral aceita pelos
românticos, que, se afirmavam por um lado o caráter absoluto
da arte, não deixavam de reconhecer, por outro, a multiplicidade
e a diversidade das obras artísticas existentes. E verifica-se,
na verdade, que alguns românticos buscaram estabelecer novas teorias
dos gêneros literários, fundamentando-se não em elementos
externos e formalistas, mas em elementos intrínsecos e filosóficos.
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