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Vítor Manuel de Aguiar e Silva Teoria da Literatura

(...) O poeta deve portanto escolher, conforme os assuntos tratados, as convenientes modalidades métricas ou estilísticas, de maneira a não exprimir um tema cômico num metro próprio da tragédia ou, pelo contrário, um tema trágico num estilo pertencente à comédia. (...) Horácio foi deste modo conduzido a conceber os gêneros como entidades perfeitamente distintas, correspondendo a distintos movimentos psicológicos, pelo que o poeta deve mantê-los rigorosamente separados, de modo a evitar, por exemplo, qualquer hibridismo entre o gênero cômico e o gênero trágico. (...) Assim se fixava a famosa regra da unidade de tom, de tão larga aceitação no classicismo francês e na estética neoclássica, que prescreve a separação absoluta dos diversos gêneros.

 

[...]

 

A doutrina romântica acerca dos gêneros literários é multiforme e, por vezes, contraditória. Não encontramos uma solução unitária, embora se possa apontar como princípio comum a todos românticos a condenação da teoria clássica dos gêneros literários, em nome da liberdade e da espontaneidade criadoras, da unicidade da obra literária, etc. Todavia, a atitude radicalmente negativa do Sturm und drang não foi em geral aceita pelos românticos, que, se afirmavam por um lado o caráter absoluto da arte, não deixavam de reconhecer, por outro, a multiplicidade e a diversidade das obras artísticas existentes. E verifica-se, na verdade, que alguns românticos buscaram estabelecer novas teorias dos gêneros literários, fundamentando-se não em elementos externos e formalistas, mas em elementos intrínsecos e filosóficos.

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