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Um aspecto muito importante da teoria romântica
dos gêneros literários diz respeito à defesa do hibridismo
dos gêneros. O texto mais famoso sobre esta matéria, texto
que representou um pendão de revolta, é sem dúvida
o prefácio de Cromwell (1827) de Victor Hugo. Nessas páginas
agressivas e tumultuosas, Hugo condena a regra da unidade de tom e a pureza
dos gêneros literários em nome da própria vida, de
que a arte deve ser a expressão.
[...]
6. Nas últimas décadas
do século XIX foi novamente definida a substancialidade dos gêneros
literários, especialmente por Brunètiere (1849-1906), crítico
e professor universitário francês. Brunètier influenciado
pelo dogmatismo da doutrina clássica,
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concebe os gêneros como entidades substancialmente
existentes, como essências literárias providas de um significado
e de um dinamismo próprios, não como simples palavras ou
categorias arbitrárias, e, seduzido pelas teorias evolucionistas
aplicadas por Darwin ao domínio biológico, procura aproximar
o gênero literário da espécie biológica. Deste
modo, Brunètiere apresenta o gênero literário como
um organismo que nasce, se desenvolve, envelhece e morre, ou se transforma.
A tragédia francesa, por exemplo, teria nascido com Jodelle, atingiria
a maturidade com Corneille, entraria em declínio com Voltaire e
morreria antes de Victor Hugo. Tal como algumas espécies biológicas
desaparecem, vencidas por outras mais fortes e mais bem apetrechadas,
assim alguns gêneros literários morreriam, dominados por
outros mais vigorosos. (...)
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