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O problema dos gêneros literários
adquiriu nova acuidade precisamente na reflexão estética
de Benedetto Croce, sendo bem visível no pensamento do grande
esteta italiano o intuito polêmico de combater e invalidar as congeminações
dogmatistas de Bruntière.
Croce identifica a poesia – e a arte em geral
– com a forma da atividade teorética que é a intuição,
conhecimento do individual, das coisas singulares, produtora de imagens
– em suma, forma de conhecimento oposta ao conhecimento lógico.
A intuição é concomitantemente expressão,
pois a intuição distingue-se da sensação,
do fluxo sensorial, enquanto forma, e esta forma constitui a expressão.
Intuir é exprimir. A poesia, como toda a arte, revela-se
portanto como intuição-expressão: conhecimento
e representação do individual, elaboração
alógica, e por conseguinte
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irrepetível, de determinados conteúdos.
A obra poética, consequentemente, é una e indivisível,
porque "cada expressão é uma expressão única".
[...]
A moderna poética, desenganada de quaisquer
tentações dogmáticas e absolutistas, procurando na
história a sua fundamentação, reabilitou o conceito
de gênero literário. Mencionaremos apenas dois grandes nomes
da poética e da crítica literária contemporâneas,
dois autores profundamente distintos na formação, na ideologia
e nos métodos de investigação, que repensaram com
delonga e rigor o conceito de gênero literário, concedendo-lhe
na sua obra um lugar preponderante.
Emil Staiger, ao publicar em 1952 a sua obra
Grundbegriffe der
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