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Vítor Manuel de Aguiar e Silva Teoria da Literatura

O problema dos gêneros literários adquiriu nova acuidade precisamente na reflexão estética de Benedetto Croce, sendo bem visível no pensamento do grande esteta italiano o intuito polêmico de combater e invalidar as congeminações dogmatistas de Bruntière.

Croce identifica a poesia – e a arte em geral – com a forma da atividade teorética que é a intuição, conhecimento do individual, das coisas singulares, produtora de imagens – em suma, forma de conhecimento oposta ao conhecimento lógico. A intuição é concomitantemente expressão, pois a intuição distingue-se da sensação, do fluxo sensorial, enquanto forma, e esta forma constitui a expressão. Intuir é exprimir. A poesia, como toda a arte, revela-se portanto como intuição-expressão: conhecimento e representação do individual, elaboração alógica, e por conseguinte

irrepetível, de determinados conteúdos. A obra poética, consequentemente, é una e indivisível, porque "cada expressão é uma expressão única".

 

[...]

 

A moderna poética, desenganada de quaisquer tentações dogmáticas e absolutistas, procurando na história a sua fundamentação, reabilitou o conceito de gênero literário. Mencionaremos apenas dois grandes nomes da poética e da crítica literária contemporâneas, dois autores profundamente distintos na formação, na ideologia e nos métodos de investigação, que repensaram com delonga e rigor o conceito de gênero literário, concedendo-lhe na sua obra um lugar preponderante.

Emil Staiger, ao publicar em 1952 a sua obra Grundbegriffe der

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