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configuradas por distintos caracteres temáticos e formais, devendo o poeta
mantê-los cuidadosamente separados, de modo a evitar, por exemplo, qualquer
hibridismo entre o gênero cômico e o gênero trágico (...).
Embora Horácio faça referência a diversos tipos
de composições líricas - hinos, encômios e epinícios, poemas
eróticos e escólios -, a lírica, como categoria genérica, não aparece
adequadamente caracterizada e delimitada na Epístola ad Pisones.
[...]
4.9 - Reformulações do conceito de genérico na
teoria da literatura contemporânea
(...) O formalismo russo, cuja fundamentação
anti-idealista e cujo "novo pathos de positivismo científico"
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foram realçados por Eikhenbaum, atribuiu logicamente
ao gênero, quer na praxis da literatura, quer na metalinguagem
da teoria, da crítica e da história literárias, uma importância de primeiro
plano. Com efeito, um princípio teorético essencial do formalismo russo
consiste na afirmação de que a "soledade" e a "singularidade" de cada
obra literária não existem, porque todo o texto "faz parte do sistema
da literatura, entra em correlação com este mediante o gênero [...]".
Como escreve Tomachevski num dos capítulos da sua obra intitulada Teoria
da literatura, o gênero define-se como um conjunto sistêmico de processos
construtivos, quer a nível técnico-formal, manifestando-se tais caracteres
do gênero como os processos dominantes na criação da obra literária. (...)
Rejeitando qualquer dogmatismo reducionista que
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