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Vítor Manuel de Aguiar e Silva Teoria da Literatura (5ª ed.)

configuradas por distintos caracteres temáticos e formais, devendo o poeta mantê-los cuidadosamente separados, de modo a evitar, por exemplo, qualquer hibridismo entre o gênero cômico e o gênero trágico (...).

Embora Horácio faça referência a diversos tipos de composições líricas - hinos, encômios e epinícios, poemas eróticos e escólios -, a lírica, como categoria genérica, não aparece adequadamente caracterizada e delimitada na Epístola ad Pisones.

[...]

 

4.9 - Reformulações do conceito de genérico na teoria da literatura contemporânea

(...) O formalismo russo, cuja fundamentação anti-idealista e cujo "novo pathos de positivismo científico"

foram realçados por Eikhenbaum, atribuiu logicamente ao gênero, quer na praxis da literatura, quer na metalinguagem da teoria, da crítica e da história literárias, uma importância de primeiro plano. Com efeito, um princípio teorético essencial do formalismo russo consiste na afirmação de que a "soledade" e a "singularidade" de cada obra literária não existem, porque todo o texto "faz parte do sistema da literatura, entra em correlação com este mediante o gênero [...]". Como escreve Tomachevski num dos capítulos da sua obra intitulada Teoria da literatura, o gênero define-se como um conjunto sistêmico de processos construtivos, quer a nível técnico-formal, manifestando-se tais caracteres do gênero como os processos dominantes na criação da obra literária. (...)

Rejeitando qualquer dogmatismo reducionista que

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