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originaria uma classificação rígida e estática, os
formalistas russos conceberam o gênero literário como uma entidade evolutiva,
cujas transformações adquirem sentido no quadro geral do sistema literário
e na correlação deste sistema com as mudanças operadas no sistema social,
e por isso advogaram uma classificação historicamente descritiva dos gêneros.
(...)
Com a herança teórica e metodológica do formalismo
russo se relaciona ainda a caracterização dos gêneros literários proposta
por Jakobson, baseada na função da linguagem que exerce o papel de subdominante
em cada gênero (o papel de função dominante, de acordo com a concepção
jakobsoniana da literariedade, é exercido pela função poética): o gênero
épico, concentrado sobre a terceira pessoa, põe em
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destaque a função referencial; o gênero lírico,
orientado para a primeira pessoa, está vinculado estreitamente à função
emotiva; o gênero dramático, "poesia da segunda pessoa",
apresenta como subdominante a função conativa e "caracteriza-se
como suplicatório ou exortativo conforme a primeira pessoa esteja nele
subordinado à segunda ou a segunda à primeira".
(...)
Uma das mais ambiciosas e originais
sínteses da problemática teorética dos gêneros literários foi elaborada
por Northrop Frye, na sua obra Anatomia da crítica (1957).
Logo na "Introdução polêmica" deste livro brilhante e, às vezes, paradoxal,
Northrop Frye enumera entre os problemas mais importantes da poética a
delimitação e a caracterização das "categorias primárias da literatura",
sublinhando
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