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Vítor Manuel de Aguiar e Silva Teoria da Literatura (5ª ed.)

originaria uma classificação rígida e estática, os formalistas russos conceberam o gênero literário como uma entidade evolutiva, cujas transformações adquirem sentido no quadro geral do sistema literário e na correlação deste sistema com as mudanças operadas no sistema social, e por isso advogaram uma classificação historicamente descritiva dos gêneros.

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Com a herança teórica e metodológica do formalismo russo se relaciona ainda a caracterização dos gêneros literários proposta por Jakobson, baseada na função da linguagem que exerce o papel de subdominante em cada gênero (o papel de função dominante, de acordo com a concepção jakobsoniana da literariedade, é exercido pela função poética): o gênero épico, concentrado sobre a terceira pessoa, põe em

destaque a função referencial; o gênero lírico, orientado para a primeira pessoa, está vinculado estreitamente à função emotiva; o gênero dramático, "poesia da segunda pessoa", apresenta como subdominante a função conativa e "caracteriza-se como suplicatório ou exortativo conforme a primeira pessoa esteja nele subordinado à segunda ou a segunda à primeira".

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Uma das mais ambiciosas e originais sínteses da problemática teorética dos gêneros literários foi elaborada por Northrop Frye, na sua obra Anatomia da crítica (1957). Logo na "Introdução polêmica" deste livro brilhante e, às vezes, paradoxal, Northrop Frye enumera entre os problemas mais importantes da poética a delimitação e a caracterização das "categorias primárias da literatura", sublinhando

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