Panorama CulturalLeituras OrientadasEstudos Literários

Sobre o SiteProcurarFale ConoscoDownloadCD-ROM do Site

 
Gilberto Freyre Casa-Grande & Senzala

país me faz lembrar o fim das cinco cidades por me parecer que moro nos subúrbios de Gomorra, mui próximo, e na vizinhança de Sodoma".

É absurdo responsabilizar-se o negro pelo que não foi obra sua nem do índio mas do sistema social e econômico em que funcionaram passiva e mecanicamente. Não há escravidão sem depravação sexual. É da essência mesma do regime. Em primeiro lugar, o próprio interesse econômico favorece a depravação, criando nos proprietários de homens imoderado desejo de possuir o maior número possível de crias. Joaquim Nabuco colheu num manifesto escravocrata de fazendeiros as seguintes palavras, tão ricas de significação: "a parte mais produtiva da propriedade escrava é o ventre gerador."

Fora assim em Portugal, de onde a instituição se comunicou ao

Brasil, já opulenta de vícios. "Os escravos mouros, e negros, além de outros trazidos de diversas regiões, aos quais se ministrava o batismo, não recebiam depois a mínima educação religiosa", informa Alexandre Herculano. Entre esses escravos os senhores favoreciam a dissolução para "aumentarem o número de crias como quem promove o acréscimo de um rebanho". Dentro de semelhante atmosfera moral, criada pelo interesse econômico dos senhores, como esperar que a escravidão - fosse o escravo mouro, negro, índio ou malaio - atuasse senão no sentido da dissolução, da libidinagem, da luxúria? O que se queria era que os ventres das mulheres gerassem. Que as negras produzissem moleques.

Joaquim Nabuco salientou "a ação de doenças africanas sobre a constituição física do nosso povo". Teria sido esta uma das terríveis

Página anterior - 98 - - 99 - Próxima página