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Geoffrey Chaucer Os contos da Cantuária

Naquele tempo, um dia aconteceu

Que em Southwark, no Tabardo, achando-me eu

Pronto a seguir em peregrinação

A Cantuária, todo devoção,

Vieram essa noite à hospedaria

Bem vinte e nove numa companhia

De pessoas diversas que os destinos

Reuniram, por serem peregrinos

Buscando o mesmo fim de igual maneira.

Eram amplos os quartos e a cocheira,

E assim tivemos lá ótimo pouso.

E logo quando o sol buscou repouso,

Falara com cada um, se bem me lembro;

Assim, da comitiva fiquei membro,

E concordei em levantar-me cedo

Para partir, como a narrar procedo.

Porém enquanto tenho tempo e espaço,

E antes que nesta história avance o passo,

Creio de bom alvitre e boa razão

De cada um descrever a condição,

Mostrando, em meu juízo pessoal,

O modo de posição de cada qual,

E também suas roupas e ativo:

E com um cavaleiro principio.

(vv. 1-42)

O Cavaleiro

 

Havia um CAVALEIRO, um homem digno,

Que sempre, tendo as armas como signo,

Amou a lealdade e a cortesia,

A honra e a franqueza da cavalaria.

Nas guerras de seu amo lutou bem,

E mais distante não andou ninguém,

Entre os pagãos ou pela cristandade;

E sempre honrado por sua dignidade.

Já vira Alexandria prisioneira;

Muitas vezes tomara a cabeceira,

Precedendo às demais nações na Prússia;

A Lituânia visitara, e a Rússia,

Onde cristão tão nobre não se vira.

Em Granada, no cerco de Algecira,

Estivera também, e em Belmaria.

Passou depois por Ayas e Atalia

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