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Geoffrey Chaucer Os contos da Cantuária

Quando Caíram, e no Grande Mar

Pôde altos desembarques presenciar

Travou lutas mortais, uma quinzena,

E pela fé bateu-se em Tramassena,

Em três justas, matando ao inimigo,

A este bravo levou então consigo

Certa vez o senhor de Palatia,

Contra um outro pagão lá na Turquia:

Louvores mereceu de todo lábio.

E, além de ser valente, ele era sábio,

Modesto qual donzela na atitude,

Pois jamais dirigiu palavra rude,

Em toda a vida, a estranho ou companheiro.

Era um gentil, perfeito cavaleiro.

Quanto à aparência, era isto que vos falo:

Simples no traje; bom o seu cavalo.

Via-se a grossa túnica manchada

Pela cota de malha enferrujada,

Pois voltava de mais uma missão,

Saindo logo em peregrinação.

(vv. 43-78)

A Prioresa

 

E estava lá uma freira, PRIORESA.

Sorria assim como a modéstia sói,

E, se jurava, era por Santo Elói;

Essa dama chamava-se Eglantina.

Sempre cantava a prática divina

Com voz fanhosa tal como convém;

Falava ela francês bonito e bem,

Como em Stratford-at-Bow a gente o diz,

E não com o sotaque de Paris.

Sua conduta à mesa era educada;

Da boca não deixava cair nada,

Nem no molho afundava muito os dedos.

Da graça no comer tinha os segredos,

Sem uma gota respingar no peito.

O seu refinamento era perfeito.

Limpava tanto o lábio superior

Que a taça em que bebia o seu licor

Nenhum indício tinha de gordura;

Sabia ela servir-se com finura.

E era de ânimo alegre, certamente,

E se mostrava amável e contente;

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