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Geoffrey Chaucer Os contos da Cantuária

As etiquetas copiava inteiras

Da corte, para ter boas maneiras

E de todos granjear a reverência.

Para falar, porém, de Sua consciência,

Tinha tanta piedade e fino trato,

Que até chorava quando via um rato

Morto na ratoeira, ou a sangrar

Os seus cãezinhos vinha alimentar

Com pão branquinho e leite e carne assada.

Mas, se um deles levasse bastonada,

Ou se morresse, ardia de aflição:

Era toda consciência e compaixão.

O véu pregueado lhe estava mal;.

Nariz reto; olhos cinza, de cristal;

Pequena a boca rúbida e macia;

Bela testa sem dúvida exibia,

Com quase um palmo de largura, eu acho;

Não era nada magra por debaixo

Das vestes, apropriadas por sinal.

Tinha ao braço um rosário de coral

Com as contas maiores esverdeadas,

E um medalhão de refrações douradas

Onde se lia, coroado, um A,

E depois: Amor vincit omnia.

(vv.118-162)

 

O Médico

 

Conosco estava um MÉDICO também;

Em todo o mundo não existe alguém

Tão bom em medicina e cirurgia,

E alicerçado assim na astronomia.

Previa a hora propícia contra o mal

Pelo uso da magia natural.

Com firmeza traçava ele o ascendente

Dos amuletos para o seu paciente.

Via a causa de cada enfermidade

No frio, calor, secura ou umidade,

Onde nascia, e qual o seu humor;

Era um perfeito, um ótimo doutor.

Sabendo a fonte de onde o mal provinha,

Receitava ao enfermo sua mezinha,

Surgiam a seguir os boticários

Com suas drogas e remédios vários,

Pois a esta classe aquela classe obriga

Numa amizade já bastante antiga;

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