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Geoffrey Chaucer Os contos da Cantuária

Seu Esculápio conhecia bem,

Rufus e Deiscórides também,

O velho Hipócrates, Ali, Galeno,

Serapião, Razis e Damasceno;

Avicena, Averróis e Constantino;

Bernardo e Gatesden e Gilbertino.

Tinha a dieta muito moderada,

Pois de supérfluo não comia nada,

Mas só alimento rico e digestivo.

Em ler a Bíblia parecia esquivo.

É De vermelho e de azul vinha vestido;

De seda e tafetá era o tecido

Gastava o seu dinheiro com cuidado,

Guardando o que na peste havia lucrado.

Como o ouro entre os cordiais tem mais valia,

Ao ouro mais que tudo ele queria.

(vv. 411-444)

A Mulher de Bath

 

Uma MULHER de BATH havia em cena;

Mas era meio surda, o que era pena.

De bons tecidos era fabricante,

Chegando a superar Yprês e Gante.

Tirar-lhe alguém na igreja a precedência

No beijo da relíquia era imprudência,

Porque ela abandonava as boas maneiras

E perdia de vez as estribeiras.

Seus lenços, feitos das melhores fibras,

Por certo pesariam bem dez libras,

Que aos domingos na testa carregava.

Nas calças justas o escarlate usava,

E era novo e macio o seu calçado;

Rosto atrevido, belo e avermelhado.

Em sua vida digna. e benfazeja

Cinco vezes casara-se na igreja -

Fora os casos de sua juventude

(Falar disso, porém, seria rude).

Com três viagens a Jerusalém,

Atravessara rios mais que ninguém;

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