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Geoffrey Chaucer Os contos da Cantuária

Em Roma tinha estado, e mais Boulogne;

Na Galícia, em Santiago, e então Colônia.

Vira assim muitas coisas diferentes.

Mostrava uma janela entre seus dentes.

Num cavalo esquipado, usando um véu,

Cavalgava debaixo de um chapéu

Mais largo que um broquel ou que um escudo;

Sobre os amplos quadris, um sobretudo;

De esporas pontiagudas se servia.

Ria e tagarelava em companhia.

Dos remédios de amor tinha abundância,

Pois dessa arte sabia a velha dança.

(vv.445-476)

O Moleiro

 

Era forte o MOLEIRO, era um colosso,

De músculo era grande, e grande de osso,

E onde lutasse, no pais inteiro,

Sempre levava o prêmio do cameiro.

Era entroncado, largo atrás e à frente.

Tirava qualquer porta do batente,

Ou na testa a quebrava em disparada.

A barba era uma pá, larga e arruivada,

Como porca ou raposa no matiz.

Havia, no espigão de seu nariz,

Verruga de pelugem tão vermelha

Quanto as cerdas que a porca tem na orelha,

Suas narinas, antros de negrura.

Tinha broquei e espada na cintura.

A boca era fornalha desmedida.

Só matracava casos de má vida,

Histórias de pecado e putaria.

Roubava o trigo, e nisto se servia

De seu polegar de ouro, por Jesus.

Branco o casaco, e azul era o capuz.

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